Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Ethel Maciel

Dia Mundial da Saúde: ciência, cuidado e ação coletiva na defesa da vida

A convergência entre o Dia Mundial da Saúde e a reativação da ABEn evidencia que os grandes princípios da saúde global se concretizam no nível local

Publicado em 16 de Abril de 2026 às 04:40

Públicado em 

16 abr 2026 às 04:40
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

Celebrado em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde constitui uma das principais iniciativas globais de mobilização em torno da saúde pública. Instituído em 1948, com a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o marco não apenas celebra avanços conquistados, mas é sobretudo um momento de reflexão sobre os desafios contemporâneos que afetam a saúde em escala planetária.


Desde sua origem, a data tem sido utilizada para destacar temas prioritários, que acompanham as transformações sociais, ambientais e epidemiológicas. Ao longo das décadas, campanhas abordaram desde o combate a doenças infecciosas até a promoção da saúde mental e o fortalecimento dos sistemas de saúde. Essa trajetória evidencia que a saúde nunca foi uma questão isolada, mas profundamente atravessada por determinantes políticos, econômicos e ambientais.

A Covid-19 causou mudanças profundas no atendimento médico.
A importância da saúde
Pixabay

Em 2026, o lema escolhido foi “Juntos pela saúde. Apoie a ciência”. Três eixos ganham centralidade: o multilateralismo, a abordagem “Uma Só Saúde” e a defesa da ciência. O multilateralismo, entendido como a cooperação entre nações, mostra-se indispensável diante de ameaças globais como pandemias, mudanças climáticas e crises humanitárias. A experiência recente com a Covid-19 evidenciou que respostas fragmentadas são insuficientes, reforçando a necessidade de coordenação internacional, compartilhamento de dados e acesso equitativo a tecnologias de saúde.


Paralelamente, a abordagem “Uma Só Saúde” amplia a compreensão tradicional ao integrar as dimensões humana, animal e ambiental. Essa perspectiva reconhece que o surgimento de novas doenças está frequentemente associado a desequilíbrios ecológicos, como o desmatamento, a perda de biodiversidade e a intensificação das interações entre humanos e animais. Assim, políticas eficazes exigem uma atuação interdisciplinar, capaz de articular diferentes campos do conhecimento em torno da proteção da vida.


Outro pilar fundamental é a defesa da ciência. Em um contexto marcado pela rápida circulação de informações e de desinformação, torna-se essencial reafirmar o papel do conhecimento científico como base para decisões em saúde. A confiança em vacinas, tratamentos e medidas preventivas depende diretamente da credibilidade das instituições científicas e da capacidade de diálogo com a sociedade. Investir em pesquisa, educação científica e transparência é, portanto, uma estratégia indispensável para a proteção da saúde coletiva.

Veja Também 

Imagem de destaque

Páscoa é a liberdade para todas as pessoas

Imagem de destaque

Uma reitora da Ufes: quando a memória protege a democracia

Imagem de destaque

Polilaminina e o caminho indispensável das evidências científicas

Esses princípios, contudo, não se materializam apenas em acordos internacionais ou diretrizes institucionais. Eles ganham concretude no cotidiano dos sistemas de saúde e, sobretudo, na atuação de seus profissionais. Nesse contexto, a enfermagem ocupa uma posição estratégica, atuando na linha de frente do cuidado, na organização dos serviços e na mediação entre conhecimento técnico e realidade social.


É nesse ponto que se estabelece uma conexão direta com a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn). Fundada em 1926, a entidade (https://abennacional.org.br/nossa-historia/) desempenha um papel histórico na consolidação da enfermagem como campo científico, político e social no Brasil. Sua atuação dialoga diretamente com os princípios do Dia Mundial da Saúde, ao promover o intercâmbio de saberes, fortalecer práticas baseadas em evidências e contribuir para a qualificação do cuidado em diferentes níveis de atenção.


Esse compromisso se expressa desde o acompanhamento de comunidades vulneráveis até a atuação em vigilância epidemiológica, evidenciando a capacidade da enfermagem de identificar e mitigar riscos que emergem da interação entre fatores sociais, ambientais e sanitários. Ao mesmo tempo, a defesa da ciência se consolida como eixo estruturante da ABEn, materializada na produção e disseminação de conhecimento por meio de congressos, publicações e diretrizes técnicas.


Nesse contexto, ganha especial relevância o momento vivido no Espírito Santo, com a reativação da ABEn – Seção ES, ocorrida em 15 de abril. Trata-se de um movimento que reafirma, no território capixaba, o compromisso com a ciência, com a qualificação profissional e com a organização coletiva da enfermagem. A retomada da seção fortalece o acesso à informação qualificada, estimula a construção de diretrizes contextualizadas e abre espaço para debates e painéis científicos voltados às demandas locais.


A convergência entre o Dia Mundial da Saúde e a reativação da ABEn evidencia que os grandes princípios da saúde global se concretizam no nível local. É na prática cotidiana do cuidado, nos territórios e nas comunidades, que o multilateralismo, a abordagem integrada da saúde e a ciência deixam de ser conceitos abstratos e passam a produzir efeitos reais na vida das pessoas. E é, portanto, nesse encontro entre saber, prática e compromisso que se constrói, de forma concreta e sensível, a defesa da vida.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022
As sombras de Lula e Jair nas eleições de 2026 estão em aberto
Solenidade na Assembleia Legislativa do ES no século XIX
O deputado capixaba que era “imoral” (mas ele tinha razão)
Bia Schwartz, Eliana Belesa, Lara Brotas, Rachel Pires, Mariana Villas e Andrea de Pinho
Evento conecta arte, design e moda em galeria badalada de Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados