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Suplementos termogênicos: entenda os riscos para a saúde

O uso crescente expõe consumidores a efeitos cardiovasculares, psiquiátricos e metabólicos que vão muito além da perda de peso

Publicado em 08 de Junho de 2026 às 16:15

Portal Edicase

Publicado em 

08 jun 2026 às 16:15
A busca por emagrecimento rápido tem impulsionado o consumo de termogênicos (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)
A busca por emagrecimento rápido tem impulsionado o consumo de termogênicos Crédito: Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock
A busca por resultados imediatos tem levado muitos brasileiros, sobretudo jovens e frequentadores de academias, a recorrerem aos suplementos termogênicos como solução rápida para perder peso. Vendidos como aceleradores do metabolismo e impulsionadores de energia, esses produtos ganharam espaço no mercado e se tornaram presença constante nas prateleiras. Contudo, o uso descontrolado expõe uma ameaça silenciosa à saúde pública.
Os termogênicos costumam ser percebidos como inofensivos por estarem à venda livremente, mas há grupos que não deveriam utilizá-los devido aos riscos: pessoas com doenças cardiovasculares, gestantes e lactantes, indivíduos com problemas gastrointestinais, renais, hepáticos ou transtornos de ansiedade. Além disso, o uso concomitante com medicamentos prescritos ou suplementos não supervisionados aumenta ainda mais o potencial de danos.

Regulamentação feita pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) construiu um arcabouço normativo para proteger o consumidor. A RDC (Resoluções da Diretoria Colegiada) nº 243/2018 estabelece limites para nutrientes e substâncias bioativas; a IN (Instruções Normativas) nº 28/2018 lista ingredientes autorizados; e as RDCs nº 241/2018 e 242/2018 disciplinam fabricação, propaganda e registro/notificação dos produtos . Essas normas foram criadas para evitar a circulação de substâncias perigosas como efedrina e DNP (dinitrofenol), já associadas a desfechos fatais.
A linha do tempo da regulação mostra avanços importantes: em 2003, vieram os primeiros alertas sobre efedrina; em 2010, o DNP foi proibido após mortes registradas; em 2018, o marco regulatório atual foi consolidado; e entre 2022 e 2024, houve intensificação da fiscalização em plataformas digitais, com apreensão de produtos adulterados.

Complicações que vão além da perda de peso

Apesar da regulação, hospitais brasileiros continuam recebendo casos que revelam a discrepância entre propaganda e realidade. Emergências atendem jovens com arritmias, hipertensão e palpitações após ingestão de cápsulas com altas doses de cafeína.
Há relatos de eventos cardíacos e até acidentes vasculares associados ao uso indiscriminado de estimulantes. Complicações psiquiátricas, crises de ansiedade e quadros maníacos também aparecem como sinais de alerta. O risco não é apenas teórico: é clínico e recorrente.

Estudos revelam o alcance do consumo

Um estudo publicado na Revista Destaques Acadêmicos (Editora Univates, 2022), realizado na Serra Gaúcha, identificou que 62,7% dos praticantes de musculação já utilizaram ou utilizam suplementos termogênicos, sendo que mais da metade iniciou o consumo por indicação de vendedores ou por automedicação. 
Uma pesquisa divulgada na Revista Eletrônica Acervo Saúde (2026), conduzida por docentes e estudantes da Faculdade Pernambucana de Saúde, revelou que 28,7% dos universitários da área da saúde consomem termogênicos sem prescrição médica, relatando sintomas como insônia, agitação, dor gástrica e palpitações.
Esses dados, oriundos de periódicos científicos nacionais, reforçam que o consumo é elevado e frequentemente desassistido, aumentando a preocupação das instituições de saúde e dos especialistas. A procura desenfreada por esses produtos, muitas vezes sem orientação, revela uma cultura de risco que precisa ser enfrentada com informação e responsabilidade. 
Mudanças de hábitos continuam sendo o caminho mais seguro e eficaz para controlar o peso (Imagem: EZ-Stock Studio | Shutterstock)
Mudanças de hábitos continuam sendo o caminho mais seguro e eficaz para controlar o peso Crédito: Imagem: EZ-Stock Studio | Shutterstock

Hábitos que realmente funcionam para emagrecer  

A regulação é necessária, mas não suficiente. Além de normas rígidas e fiscalização para coibir a venda de produtos adulterados ou com ingredientes proibidos, precisamos de educação em saúde eficaz, rotulagem clara e orientação profissional para quem pensa em utilizar esses suplementos. 
A promessa de que uma cápsula resolverá o desafio do excesso de peso é perigosa porque desloca a solução para um produto e omite o que realmente funciona: mudanças sustentadas de estilo de vida, alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento pelo endocrinologista.

Termogênicos colocam a saúde em risco

Os termogênicos podem parecer uma solução mágica, mas, na prática, representam uma ameaça silenciosa à saúde. O aumento metabólico que eles provocam é mínimo e passageiro, enquanto os efeitos colaterais podem ser devastadores.
O uso indiscriminado de termogênicos é um problema de saúde pública. Cabe às instituições de saúde, aos profissionais e aos órgãos reguladores proteger a população desse risco evitável. E cabe ao consumidor questionar promessas fáceis e buscar orientação qualificada. Em saúde , atalhos muitas vezes custam caro e, no caso dos termogênicos, o preço pode ser a própria vida.
Por Dr. Joé Sestello
Diretor-presidente da Unimed Nova Iguaçu, angiologista e cirurgião vascular/endovascular

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