Se a situação do Brasil já estava ruim, ficou bem pior. O estrago causado pela pandemia é gigantesco. Atingiu a União, Estados, municípios e a população em geral. E, para complicar, a saída do ministro Sergio Moro alvoroçou o quadro político do país.
Neste texto, vou focar somente na crise econômica. De início, vejamos o que aconteceu com as contas da União: o estrago é tão avassalador que praticamente pôs por terra a reforma da Previdência. Enquanto esta projetou uma economia de R$ 850 bilhões (em dez anos), o rombo da Covid-19 – em apenas um ano –, é da ordem de R$ 400 bilhões, elevando o déficit primário de R$ 95 bilhões (previsto) para cerca de R$ 500 bilhões.
O isolamento social e a paralisação das atividades produtivas fizeram um estrago econômico de proporções imponderáveis. O problema do desemprego, já seríssimo antes desta crise, foi drasticamente agravado. Além disso, 38 milhões de informais ficaram praticamente sem renda. E boa parte deles depende do dinheiro ganho num dia para sobreviver no dia seguinte.
Vivemos um quadro tão preocupante e nebuloso que uma das poucas certezas é o desconhecimento do amanhã.
O programa Pró-Brasil, do Ministério da Infraestrutura, baseado em Parcerias Público-Privadas e concessões, é insuficiente diante de um quadro econômico tão grave.
Com as finanças arrasadas pelos efeitos da pandemia e uma dívida pública de 85% do PIB (subiu com a crise), o Brasil corre o risco de uma recessão crônica.
Nesta gravíssima situação, só mesmo a agenda de desestatização do ministro da Economia, Paulo Guedes, para imprimir um ritmo consistente na recuperação da economia.
"O mundo vai mudar. E esta é uma oportunidade para o país mudar – para melhor. Mas, para tanto, é preciso quebrar velhos paradigmas na busca de uma nova normalidade"
O mundo vai mudar. E esta é uma oportunidade para o país mudar – para melhor. Mas, para tanto, é preciso quebrar velhos paradigmas na busca de uma nova normalidade. É preciso redesenhar a economia para que o Brasil possa sair mais forte da crise. E a desestatização defendida pelo ministro Paulo Guedes é o caminho mais curto para recompor o caixa da União. Os benefícios serão compensadores: 1) Captação de recursos para cobrir o grande rombo; 2) Geração de empregos e impostos com investimentos privados nas estatais; 3) Diminuição do tamanho do Estado e maior concentração na melhoraria das atividades essenciais.
Neste quadro de calamidade na saúde e na economia, não há caminho melhor para cobrir este rombo – sem endividamento. Mas, para tanto, seria necessário um esforço político similar ao da reforma da Previdência. Que as lideranças políticas do país pensem nisso.