Vereador que criticou evento LGBT pode disputar a Prefeitura da Serra
"Anormal" e "infame"
Vereador que criticou evento LGBT pode disputar a Prefeitura da Serra
Igor Elson, o mesmo que afirmou que a Semana do Orgulho, organizada pela gestão Vidigal, é "anormal" e "infame", assumiu a presidência municipal do PL e é um possível candidato em 2024. Veja a análise do cenário
O senador Magno Malta, de pé, discursa durante evento do PL da Serra. Ao lado dele, de amarelo, o vereador Igor ElsonCrédito: Divulgação/PL Serra
Além de ter discursado contra a Semana do Orgulho e chamado de "anormal" e "infame" a comunidade LGBTQIA+ ou, na versão dele, a gestão do prefeito Sérgio Vidigal (PDT), por promover o evento voltado a esse grupo, o vereador da Serra Igor Elson (PL) é um pretenso candidato à prefeitura da cidade.
No sábado (4), ele assumiu a presidência municipal do partido. Em entrevista à coluna, negou que o evento – o mesmo em que falou sobre LGBTQIA+ – tenha tido caráter eleitoral.
"Isso (ser pré-candidato) não foi falado. O foco foi mostrar para a sociedade que o PL tem um representante conservador de direita na cidade", afirmou.
Mas, questionado, não descartou entrar na corrida para comandar o Executivo municipal.
"Sou candidato à reeleição. Fiquei em evidência como secretário. Se a cidade entender, se os partidos entenderem, conversando, que eu sou o nome, estarei à disposição. Se (a candidatura a prefeito) for viável, eis-me aqui", respondeu.
À mesa com Igor Elson estavam o secretário-geral estadual do Republicanos, Devanir Ferreira, o deputado estadual Pablo Muribeca (Patriota) e o vice-prefeito da Serra, Thiago Carreiro (União Brasil), que hoje faz oposição a Vidigal.
Ou seja, o que tiver viabilidade, com pesquisas de intenção de voto mais favoráveis, deve ser o escolhido pelo grupo.
"Não podemos ter vaidade. O que as pesquisas entenderem que for o nome melhor... desde que seja conservador e de direita e aliado do ex-presidente Bolsonaro", ponderou Igor Elson.
"Somos um grupo, vamos compor com eles ou eles conosco", destacou.
"Mas o PL tem condição de ter chapa própria de prefeito e vice"
Igor Elson - Vereador e presidente do PL na Serra
Igor Elson foi secretário de três pastas na gestão do prefeito Audifax Barcelos (sem partido), antecessor e rival histórico de Vidigal.
Hoje, eles já não são tão próximos.
Em 2020, Audifax, então filiado à Rede, escolheu o correligionário Fábio Duarte como sucessor. Duarte, porém, perdeu nas urnas para o atual prefeito.
O presidente municipal do PL diz que tem com o ex-prefeito "uma relação de respeito, gratidão, amizade, diálogo, mas nada além disso. Para sermos aliados políticos, teríamos que estar no mesmo grupo ou no mesmo partido. E não estamos".
Por falar em Manato, ele já disse à coluna que não tem participado com frequência das atividades do PL. O presidente estadual da legenda é o senador Magno Malta, que dá as cartas.
Mas o ex-deputado federal marcou presença no evento que registrou a ascensão de Igor Elson na burocracia partidária.
"A eleição de 2024 já começou e o PL da Serra está saindo na frente. O partido que não disputa eleição não tem chance de crescimento", discursou Manato.
O novo presidente municipal era filiado ao Podemos, foi por esse partido que se elegeu vereador, em 2020.
Mas, no ano passado, tentou uma cadeira na Assembleia Legislativa já pelo PL. Não foi eleito, recebeu 9.580 votos, um resultado tímido, se considerarmos que o deputado estadual eleito que recebeu menos votos, Coronel Weliton (PTB), contou com 12.176.
QUEM É IGOR ELSON
Igor Elson foi Secretário Adjunto de Segurança Pública e Defesa Social durante 1 ano e 3 meses, também foi Secretário de Serviços durante 2 anos e 6 meses e, por último, Secretário de Agricultura, por 6 meses.
Sempre sob a batuta de Audifax Barcelos.
O parlamentar assumiu o cargo na Câmara em janeiro de 2021, é o primeiro mandato eletivo dele.
Embora tenha sido filiado ao Podemos, um partido de centro-direita, identificou-se com os princípios do PL.
Ao menos é o que se pode depreender pelo discurso que fez no sábado. Na ocasião, criticou o fato de a gestão Vidigal ter realizado a Semana do Orgulho, em junho de 2022, e afirmou que querem "transformar o anormal em normal".
Pelo contexto das declarações, é possível inferir que ele chamou homossexuais e quaisquer outras pessoas que não sejam heterossexuais de arnormais, além de infames.
E ainda considerou que a existência dessas pessoas ou, pior, na avaliação dele, um evento que diga que elas podem ter orgulho de quem são como uma ameaça aos heterossexuais que, assim, passariam a ser considerados anormais.
É só ver o vídeo:
Em entrevista à coluna, contudo, Igor Elson disse que foi "mal interpretado". E que, na verdade, chamou de anormal e infame a falta de equidade do prefeito ao fazer eventos para apenas um segmento da sociedade.
No discurso, ele reclamou que não havia nada sobre "família" ou "casamento", desconsiderando que há famílias e casamentos formados por integrantes da comunidade LGBTQIA+.
Magno Malta, em lugar de destaque à mesa, aplaudiu. Assim como a maioria dos presentes.
Como o eleitorado do Espírito Santo é, em grande parte, conservador, dizer que "vai combater isso" parece ser uma boa estratégia para convencê-los a votar no candidato que comunga de seus valores, ainda que isso apenas destile ódio e não contribua em nada para melhorar a vida dos munícipes.
QUEM É O PL
O Partido Liberal, que já se chamou PR (Partido da República) é a sigla à qual o ex-presidente Jair Bolsonaro se filiou, depois de ter sido eleito pelo PSL.
O PL é historicamente comandado pelo ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, condenado e preso no mensalão.
Valdemar segue no posto, mas a legenda ficou meio dividida entre os apenas fisiológicos – Centrão raiz, que topam tudo por cargos e verbas – e os que apostam, com ou sem Bolsonaro, em manter a radicalização da extrema direita para angariar votos e poder.
Já no Espírito Santo, o manda-chuva, também historicamente, é Magno Malta. O senador apoiou o PT por muitos anos, mas, desde 2016, deu uma guinada para o bolsonarismo.
Ele saiu fortalecido do pleito de 2022 quando, após quatro anos na planície, voltou a ter mandato.
E VIDIGAL?
Vidigal já disse a aliados que não pretende disputar a reeleição. Legalmente, ele pode, uma vez que não está no segundo mandato consecutivo.
Mas, se realmente o nome dele não aparecer nas urnas no ano que vem, certamente vai querer emplacar um sucessor.
Foi candidato a deputado federal pelo PDT, teve uma votação expressiva, sendo a escolha de 45.260 eleitores. Mas não foi eleito.
A título de comparação, o deputado federal eleito com menos votos foi Messias Donato (Republicanos), que registrou 42.640.
Philipe nunca exerceu mandato eletivo nem cargo de gestão pública. E também não tem experiência prática para tocar as áreas que estão sob o guarda-chuva da secretaria que passou a comandar.
Isso é, ao mesmo tempo, um trunfo e um flanco a ser explorado pela oposição a Vidigal.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.