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Eleições 2022

Os efeitos da gestão da pandemia de Covid-19 nas urnas em 2022

No Espírito Santo, caíram as máscaras, mas nem todas elas

Publicado em 08 de Abril de 2022 às 02:10

Públicado em 

08 abr 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Urna eletrônica ao fundo com itens necessários para votar em 2020: documento com foto, álcool em gel, caneta e máscara.
Kit eleições 2020: documento, álcool em gel, caneta e máscara Crédito: Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE
O tempo passou e as regras para conter a Covid-19 foram progressivamente afrouxadas, seguindo a queda do número de mortes provocadas pela doença. No Espírito Santo, por exemplo, já não é obrigatório usar máscara, nem mesmo em ambientes fechados.
A determinação, do governador Renato Casagrande (PSB) e do secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, não agradou a todos.
"A pandemia foi acabada. Ela acabou?Não. O vírus foi avisado? Infelizmente, não lê decretos. Mas como o povo está cansado, os políticos resolveram que basta. É ruim fazer campanha com restrições. E o melhor é tirar a pandemia da pauta. Mudar a narrativa. Mas nós nos lembraremos!", escreveu a epidemiologista Ethel Maciel.
É ano de eleição. Em breve, a campanha, com pedidos expressos de voto, vai começar oficialmente.
Nos últimos dois anos o Espírito Santo, felizmente, não seguiu os passos do governo federal e não minimizou os efeitos da pandemia de Covid-19, esforçou-se pela vacinação, incentivou o uso de máscaras e a adoção do distanciamento social. Também abriu leitos extras – fixos e não em hospitais de campanha – para atender os doentes, o que propiciou um ambiente menos catastrófico.
Isso, apesar da pontuação da epidemiologista, poderia ser um ativo a ser utilizado na corrida pelo Palácio Anchieta, mas até que ponto pode ser convertido em votos?
Pela lógica, se a adoção de medidas contra a Covid-19 é algo que poderia atrair a simpatia do eleitor, o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores deveria ser repelido.
Mas as pessoas têm memória curta. Quanto mais amena a pandemia se torna, mais distante ficam as imagens dos hospitais lotados, a falta de oxigênio, os mais de 600 mil mortos, o "todos nós vamos morrer um dia".
Dados de pesquisa Datafolha divulgados no último dia 3 mostram que a reprovação à atuação de Bolsonaro na pandemia caiu: 46% dos entrevistados avaliam como ruim ou péssimo o desempenho do presidente na gestão da crise provocada pelo novo coronavírus. Em setembro, eram 54%.
Os percentuais dizem respeito ao país, não apenas ao Espírito Santo, mas é plausível supor que, por aqui, os ânimos contra o negacionismo também amainaram. Basta notar que mesmo antes da desobrigação do uso de máscaras boa parte da população já as ignorava.
A pandemia, ou a gestão da pandemia, pode não ser um fator crucial na hora de o eleitor decidir em quem votar ou em quem não vai votar de jeito nenhum.
A pauta econômica se impõe, composta, principalmente, pela inflação. Mas há ainda a tentativa, obviamente dos apoiadores de Bolsonaro, de mudar o foco.
A defesa dos "terrivelmente evangélicos", do armamento da população e a fabricação e distribuição de desinformação de toda sorte, notadamente sobre o sistema eleitoral, podem dar a tônica.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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