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Eleições 2024

O que explica a vitória elástica de Arnaldinho Borgo em Vila Velha

Prefeito foi reeleito com 79% dos votos e rompeu padrão que persistia havia 20 anos na cidade

Publicado em 07 de Outubro de 2024 às 11:49

Públicado em 

07 out 2024 às 11:49
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Arnaldinho Borgo
O prefeito de Vila Velha Arnaldinho Borgo comemora a reeleição Crédito: Carlos Alberto Silva
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), foi reeleito neste domingo (6) com 79,04% dos votos, uma diferença de 61 pontos percentuais em relação ao segundo colocado, Coronel Ramalho (PL), que foi escolhido por 17,20% dos eleitores.
A última vez que houve vencedor já no primeiro turno na cidade foi em 2004, com Max Filho, então filiado ao PDT. Aquele ano marcou também a última ocasião em que um prefeito de Vila Velha foi reeleito.
De lá pra cá, o município tornou-se uma espécie de “cemitério de prefeitos”, em que os eleitores rechaçaram seguidamente quem estava no poder. O próprio Max foi vítima disso, em 2020.
Arnaldinho, portanto, agora rompeu esse padrão. A vitória do atual prefeito supera, percentualmente, a de Max em 2004. Vinte anos atrás, Max foi reeleito com 65% dos votos, inferiores aos 79% alcançados pelo atual prefeito.
Mas como? Por que?
CASADINHO
Em 2020, o PSB do governador Renato Casagrande estava na coligação de Max Filho (PSDB), derrotado por Arnaldinho, mas o Podemos também integra a base aliada ao Palácio Anchieta. Assim, Casagrande e o prefeito de Vila Velha se aproximaram.
Arnaldinho colheu louros políticos de investimentos realizados pelo governo estadual. Uma maratona de anúncios feita por Casagrande, com Arnaldinho a tiracolo, no dia dois de julho ilustrou bem isso.
É a parceria que batizei de CasaDinho (Casagrande + Arnaldinho).
Em 2024, o PSB entrou na coligação de Arnaldinho e até indicou o vice na chapa, Cael Linhalis.
O governador, pessoalmente, também se empenhou, declarou apoio ao prefeito e subiu no palanque em eventos de campanha.
INVESTIMENTO EM AUTOESTIMA
Arnaldinho investiu na construção de pracinhas e na instalação de parquinhos infantis na cidade. Também fez (em parceria com o governo estadual) o novo Parque da Prainha.
Alguns problemas persistiram na cidade, mas a aposta no lazer, que melhora a forma como a população vê a própria cidade, deu visibilidade à administração municipal e conquistou a simpatia do eleitorado.
“EXÉRCITO” DE CABOS ELEITORAIS
A coligação de Arnaldinho foi formada por 13 partidos, contando com o Podemos. Juntos, esses partidos lançaram cerca de 240 candidatos a vereador. Todos potenciais cabos eleitorais do prefeito.
A maioria dos atuais vereadores e das lideranças políticas da cidade estão ao lado de Arnaldinho. O apoio a ele vai da centro-esquerda à centro-direita.
BOLSONARISMO E PETISMO EM BAIXA
Isso foi preponderante em uma campanha que não foi “nacionalizada”. Via de regra, na eleição municipal o que prevalece são assuntos locais, afeitos ao dia a dia da cidade e aos serviços prestados pela prefeitura.
Dessa forma, os candidatos que basearam suas campanhas em temas e lideranças nacionais não tiveram um bom desempenho.
É o que se pode depreender de Ramalho, muito associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e do ex-vereador Babá (PT), que disputou a Prefeitura de Vila Velha e defendeu o governo Lula (PT). Babá ficou em terceiro lugar, com 2,59% dos votos.
Os outros adversários de Arnaldinho em 2024, Maurício Gorza (PSDB), Nicolas Trancho (PSOL) e Gabriel Ruy (Mobiliza) não conseguiram empolgar os eleitores.
COMPARAÇÃO COM A GESTÃO ANTERIOR
Para completar, Arnaldinho sucedeu uma gestão mal avaliada. Em outubro de 2020, a administração de Max Filho foi considerada ruim ou péssima por 39% dos entrevistados pelo Ibope.
Assim, quando os eleitores comparam a atual administração com a anterior, o prefeito se sobressai.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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