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Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

No ES, Ciro Gomes destacou não ser acusado de corrupção. Dias depois, é alvo da PF

A Polícia Federal bateu à porta do pré-candidato à Presidência da República pelo PDT para cumprir mandado de busca e apreensão em investigação sobre corrupção em reforma de estádio

Vitória
Publicado em 15/12/2021 às 10h21
Ciro Gomes em entrevista coletiva em Vitória
Ciro Gomes em entrevista coletiva em Vitória. Crédito: Edson Reis/Divulgação

O pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) esteve no Espírito Santo na sexta (10) e no sábado (11). Elencou propostas de governo, exaltou a aprovação que tem no Ceará, onde fez carreira política, criticou, principalmente, o ex-presidente Lula (PT), sem deixar de chamar o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), de "bandidos" e "quadrilheiros".

"Fui deputado junto com Bolsonaro. Conheço ele", destacou. Ciro também ressaltou que foi prefeito, ministro e até secretário municipal de saúde e que, apesar da extensa trajetória, não pesam sobre ele denúncias de corrupção.

"Como não podem me chamar de corrupto, falam 'olha o destemperado'. Como se eu estivesse pedindo para casar comigo", brincou, sobre a fama de ter um temperamento explosivo. Embora, após os diversos impropérios de Bolsonaro, Ciro possa ser considerado um "paz e amor".

É por suposto esquema de corrupção envolvendo as obras da Arena Castelão, estádio reformado para a Copa de 2014. Contra Ciro e Cid foram expedidos, pela 32ª Vara da Justiça Federal do Ceará, mandados de busca e apreensão, não de prisão.

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos) também é pré-candidato à Presidência da República. Com a marca da Operação Lava Jato, tenta personificar a luta contra a corrupção, apesar de ter se associado, num primeiro momento, a Bolsonaro, sobre o qual também pesam suspeitas.

Em entrevista coletiva na última sexta-feira em um hotel de Vitória, Ciro se comparou a Moro.

"Eu abri mão de várias aposentadorias, de prefeito, governador, deputado ... Quando fui governador (do Ceará) não morei no Palácio. Moro recebia auxílio-moradia (quando juiz, no valor de R$ 4,3 mil), tendo apartamento particular em Curitiba. Quem é que é sério?", questionou.

Para Ciro, Lula entregou órgãos públicos nas mãos de políticos de reputação pra lá de duvidosa "para eles roubarem".

"Ele colocou o Roberto Jefferson nos Correios (Jefferson depois, em entrevista à Folha de S. Paulo, revelou o esquema do mensalão, do qual participava, no primeiro mandato de Lula). Roberto Jefferson, que foi da tropa de choque de Collor e agora está defendendo Bolsonaro, diretamente da cadeia", lembrou Ciro.

Quanto à chamada terceira via, Ciro considera que todos, referindo-se detidamente a Moro e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), são "viúvas do Bolsonaro", pelo endosso que deram ao presidente num passado recente.

Moro saiu do governo, em que chefiava o Ministério da Justiça, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, subordinada à pasta.

"ESTADO POLICIAL"

"Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um pais democrático", escreveu Ciro Gomes, no Twitter, nesta quarta.

"Mas depois da Policia Federal, subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo a minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade", apontou.

"Chega a ser pitoresco. O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo", argumentou.

"Mas não é isso. E sejamos claros. Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionado com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores. O que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que NUNCA me encontrou", complementou.

"Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República."

Ainda no Twitter, Ciro se descreve da seguinte forma: "Foi deputado, prefeito, governador e ministro. Viabilizou grandes obras, ajudou a consolidar o Plano Real e nunca foi processado por roubalheira".

PESQUISA

Pesquisa de intenção de voto realizada pelo Ipec e divulgada na terça-feira (14) mostra que Lula lidera a corrida pela Presidência da República, com 48% das intenções de voto, seguido por Bolsonaro, com 21%. Moro tem 6% e Ciro, 5%.

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