ASSINE
Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

No ES, Ciro Gomes pede apoio a Casagrande e PDT condiciona aliança a contrapartida

Pré-candidato pedetista à Presidência da República esteve no Espírito Santo e disparou contra Bolsonaro, Moro e Lula

Vitória
Publicado em 11/12/2021 às 08h47
Sérgio Vidigal, Ciro Gomes e Carlos Lupi em entrevista coletiva em Vitória
Sérgio Vidigal, Ciro Gomes e Carlos Lupi em entrevista coletiva em Vitória. Crédito: Letícia Gonçalves

O pré-candidato à presidência da República Ciro Gomes (PDT) esteve nesta sexta-feira (10) no Espírito Santo e, neste sábado (11) de manhã, tomou café com o governador Renato Casagrande (PSB).

"Gostaria muito que o PSB se juntasse a mim para a gente mudar o Brasil", afirmou o pedetista em entrevista coletiva em um hotel de Vitória.

Ciro patina nas pesquisas de intenção de voto, atrás de outros nomes da chamada terceira via – nomenclatura que o pedetista rechaça –, mas avalia que, com o tempo, vai passar a empolgar o eleitorado. 

"Meses atrás você diria 'ah, mas o Luciano Huck tem mais pontos que você'. Cadê o Huck? O Eduardo Leite, que fizeram tudo ... Cadê ele? Agora é o Moro. Daqui uns meses eu vou dizer: Cadê o Moro?".

O pré-candidato do PDT ainda não conseguiu muitos apoios na empreitada e integrantes do próprio partido no país, na surdina, já tentam convencer a legenda a desistir da pré-candidatura e integrar uma federação (uma espécie de coligação com duração estendida) com outros partidos, como o PT, de Lula.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, refuta a ideia. Também no Espírito Santo nesta sexta, ele afirmou que a sigla não vai retirar o nome de Ciro da disputa.

Voltemos então ao PSB de Casagrande. Em 2018, o governador apoiou Ciro. O pré-candidato disse que é amigo do socialista – "sou amigo de quase todos os políticos do Espírito Santo" – e gostaria de repetir a parceria em 2022.

Casagrande não se diz candidato à reeleição, mas é com esse cenário que todos os partidos e atores políticos do estado trabalham. 

Se o PSB fechar aliança nacional com o PT, a coisa pode complicar para o PDT local, apesar de o presidente estadual da legenda, o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, ser aliado de primeira hora de Casagrande.

Ele afirmou, na sexta à noite, que não tem problema algum em o PDT apoiar Casagrande, "desde que o candidato desse palanque seja Ciro Gomes para presidente da República. Isso é muito importante".

Se o PSB formar parceria com o PT, dificilmente Casagrande pediria, pessoalmente, votos para o ex-presidente Lula, que é o pré-candidato petista à Presidência da República. Poderia, tendo PT e PDT na aliança local, erguer o braço de Ciro Gomes, se este se mantiver na disputa mesmo.

Todas essas hipóteses, no entanto, vão depender do cenário nacional. 

Carlos Lupi já adiantou que não vê possibilidade da formação de uma federação com outros partidos. 

Os que ensaiam dissidência no PDT nacional em relação à desistência da candidatura de Ciro o fazem pensando em viabilizar candidaturas à Câmara dos Deputados, critério relevante para a definição de tempo de TV e dinheiro dos fundos partidário e eleitoral.

Já Lupi diz que, sem um projeto para o país, "eleger deputados para quê?".

O PDT local, no entanto, não deve lançar candidatura própria ao governo do Espírito Santo. Lupi convidou o senador Fabiano Contarato (Rede) a ingressar no partido. Ele tem pretensão de disputar o Palácio Anchieta, mas Vidigal não acha que seja boa ideia, considerando que as candidaturas do senador e de Casagrande dividiram os votos do eleitorado progressista. "Num estado conservador como o nosso...", ponderou o presidente estadual do PDT. 

O PROJETO DE CIRO

Entre as propostas de Ciro estão taxar em 0,5% patrimônios acima de R$ 20 milhões. O pré-candidato é conhecido por fazer contas e, logo rabiscou no papel que a medida geraria R$ 60 bilhões em receita, o suficiente para alavancar as vagas em creches em todo o país.

Também defendeu carreira de estado para médicos generalistas, para ampliar a oferta de atendimento no interior e nas periferias. Ele se disse contrário ao Mais Médicos, que trouxe profissionais de Cuba.

Na economia, quer mudar o tripé macroeconômico, baseado em câmbio flutuante, meta de inflação e meta fiscal. E atacou o sistema financeiro, hoje concentrado em cinco bancos. "Um estado dos Estados Unidos tem mais bancos do que o Brasil inteiro", exemplificou.

E o projeto de tirar o nome de pessoas endividadas do SPC continua. "Não vou dar nada, vou financiar", explicou.

LULA, BOLSONARO E MORO

O pedetista não poupa adjetivos desabonadores aos que estão à frente das pesquisas de intenção de voto. Para ele, à exceção de Lula (PT), "o resto são viúvas de Bolsonaro". A menção foi feita, principalmente, ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que apoiou o então candidato Jair Bolsonaro em 2018, e ao ex-juiz Sergio Moro (Podemos), que foi ministro da Justiça do atual governo.

Quanto ao petista, não guarda palavras mais amenas. "Eu o conheço e ele me conhece. O Lula morre de medo de disputar contra mim. Ele quer o PSB não pelo PSB, mas para prejudicar a minha candidatura", avaliou.

Ciro ressaltou a corrupção nos governos petistas e culpou Lula pela ascensão de outro ex-presidente, Michel Temer (MDB). 

Também se diz o mais preparado entre os pré-candidatos. Ironizou, por exemplo, a capacidade Sergio Moro de discorrer sobre certos temas: "Queria ver o Moro responder a essa pergunta", comentou, ao responder sobre a questão dos médicos no Brasil.

Já Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) são "quadrilheiros", líderes de organização criminosa, nas palavras de Ciro Gomes.

"O Roberto Jefferson era da tropa de choque do Collor. Foi preso no mensalão do Lula e agora, da cadeia, defende o Bolsonaro. O Valdemar Costa Neto estava com o Collor, foi preso no mensalão do Lula e agora é o presidente do partido do Bolsonaro. Não é possível que o povo não veja isso"

Ciro não desacredita das pesquisas de intenção de voto, não é, portanto, um negacionista. Sabe que está atrás na corrida, mas não parece disposto a entregar os pontos. 

ATRASO

O voo que trouxe o pré-candidato, um voo da GOL, atrasou. Assim, a entrevista coletiva, marcada para 18h30 e remarcada para 19h, começou apenas às 20h30.

Um adendo: ainda bem que tenho livros digitais no celular. Ajuda muito nessas longas esperas.

O pedetista chegou disposto e afável para responder os questionamentos dos jornalistas. Nenhum arroubo daqueles que marcam a trajetória dos Gomes. "Como não podem me chamar de corrupto, falam 'olha o destemperado'. Como se eu estivesse pedindo para casar comigo", brincou.

CIRO GAMES

No YouTube, Ciro tem feito uma série de conversas e jogado videogame. É o Ciro Games.

Nas redes sociais, no entanto, quem sai na frente é o presidente Jair Bolsonaro. Lula, de vez em quando, domina os trend topics do Twitter.

O presidenciável do PDT, no entanto, diz que não vai focar a campanha nos algoritmos. "Tenho um padrão de comportamento. Até faço impulsionamento (para que publicações em redes sociais tenham mais alcance ou cheguem a um público específico), mas pago do meu bolso", respondeu ao ser questionado pela coluna.

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.