Curtas políticas: Os advogados favoritos na disputa por uma vaga de desembargador do TJES
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Curtas políticas: Os advogados favoritos na disputa por uma vaga de desembargador do TJES
E mais: Ciro Gomes elogia um pré-candidato ao governo do ES e não é Casagrande; o encontro de comensais hartunguistas; presidente de partido admite: "Somos fisiologistas"
Todos os advogados adimplentes puderam votar, mas o comparecimento às urnas foi facultativo. Assim, dos mais de 14 mil advogados que estão em dia com a anuidade paga à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), o número de eleitores foi de 3.877.
Na segunda-feira, cada um tinha que votar em seis nomes. A advogada e também procuradora municipal de Presidente Kennedy recebeu 2.885 votos.
Foi a primeira vez que houve eleição direta para o preenchimento de uma vaga do Quinto Constitucional da OAB-ES no TJES.
ELISA GALANTE 2.885 votos
VINICIUS PINHEIRO DE SANT'ANNA 2.226 votos
ANDERSON PEDRA 2.213 votos
ALEXANDRE PUPPIM 2.073
RAPHAEL CÃMARA 2.047
SAMIR NEMER 1.856
NA PRÁTICA, A TEORIA É OUTRA
Como a coluna havia assinalado, estar entre os favoritos do Conselho Seccional da OAB-ES, que já havia eleito 12 nomes, não necessariamente significa estar entre os preferidos de toda a classe.
Raphael Câmara, o mais votado pelo Conselho, ficou em 5º lugar na lista sêxtupla.
Rodrigo Judice, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral e ex-secretário de estado, que figurou como o terceiro mais votado pelos conselheiros da OAB-ES, não conseguiu um lugar entre os seis.
João Dallapiccolla Sampaio, irmão do prefeito de Cariacia, Euclério Sampaio (DEM), também ficou de fora.
Samir Nemer, que é próximo ao presidente da OAB-ES, mas nega ter sido favorecido por isso na campanha, ficou em 6º, mas chegou lá.
LISTA TRÍPLICE
Agora, os seis têm que passar por outro crivo, e da mesma forma, não necessariamente a ordem de votação na lista sêxtupla vai se repetir.
Os desembargadores do TJES vão votar e escolher três nomes que vão permanecer na disputa.
O voto é aberto, ou seja, vai ser possível saber quem votou em quem.
Longe de mim fazer previsões. No Brasil não aposto nem em bingo em quermesse de bairro.
Mas podemos apontar aqui os pontos fortes de alguns candidatos. Elisa Galante tem a vantagem de ter sido a mais votada, é um recado da advocacia que pode sensibilizar os desembargadores.
Raphael Câmara é advogado da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages) e frequentemente atua no Tribunal, defendendo casos espinhosos. Tem bom relacionamento com os desembargadores.
Samir Nemer, embora diga que Rizk Filho atuou como árbitro na disputa para a formação da lista duodécima, sem pender para o lado de nenhum dos candidatos, é um dos mais próximos ao presidente da OAB-ES. Resta saber se isso vai ser bom ou ruim.
Rizk Filho bateu de frente com o Tribunal, institucionalmente falando. Confrontou a Corte quanto à integração de comarcas e sobre a abertura da própria vaga de desembargador em disputa. E ainda criticou os desembargadores atuais que são oriundos da advocacia, Annibal de Rezende Lima e Namyr Carlos de Sousa Filho.
Samir Nemer tem um ponto no currículo que merece destaque: foi secretário de Governo no primeiro mandato de Casagrande. Ou seja, tem bom relacionamento com o governador, que é peça decisiva no processo de escolha. Nemer também foi subsecretário de Transparência e chefe do departamento Jurídico da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
TÍTULOS E TEMPO
Não se trata de concurso de títulos. É uma eleição, logo, o fator político, ainda que trate-se de uma política interna, é preponderante. Ainda assim, currículo importa. Ou deveria importar.
Anderson Pedra destaca que é professor, tem doutorado e pós-doutorado; Raphael Câmara é doutor e também tem pós-doutorado; Elisa Galante é doutora; Vinicius Sant'Anna é mestre; Alexandre Puppim é mestre; Samir Nemer tem um título de especialização.
Essas informações constam nos currículos que eles apresentaram à Ordem quando se inscreveram para participar da disputa.
Quando o recorte é por tempo de atividade na advocacia, Elisa Galante tem 34 anos de advocacia; Vinicius Sant'Anna, 27; Alexandre Puppim, 24; Raphael Câmara, 23; Anderson Pedra, 20; Samir Nemer, 17.
CIRO GOMES E GUERINO ZANON
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, disse que decidiria o destino partidário até o fim de novembro. Já estamos na metade de dezembro e ele segue filiado ao MDB.
“Após conversar com o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi, que pediu para aguardar um pouco mais a decisão de permanecer ou deixar o partido, resolvi aguardar", afirmou Guerino à coluna.
No último sábado (11), o prefeito de Linhares apareceu em um evento do PDT, que contou com a presença do pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes. Lá, foi elogiado, durante discurso, pelo presidenciável. Guerino estava na primeira fila, ao lado de Sergio Vidigal.
"Você ser prefeito de uma cidade importante como Linhares, que está, ali, na vizinhança do Nordeste, com esses problemas todos de uma região muito pobre, só pode ser uma pessoa que seja extraordinariamente qualificada", afirmou Ciro Gomes.
COMENSAIS HARTUNGUSTAS
O ex-vice-governador César Colnago (PSDB), que também quer disputar o Palácio Anchieta, encontrou-se, no último dia 9, com ex-colegas de governo, dos tempos da última gestão de Paulo Hartung (sem partido)
O encontro foi realizado no Altruísta Osteria, e contou com a presença de Haroldo Rocha (Secretário de Educação no governo Paulo Hartung), Zé Carlinhos da Fonseca (Casa Civil), Otaciano Neto (Agricultura) e Gracimeri Gaviorno (Delegada Chefe da Polícia Civil).
FALTA COMBINAR COM OS MUSSOS
Colnago é secretário de gestão de pessoas da Assembleia Legislativa, um cargo comissionado que ocupa a convite do presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos).
Aliás, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que nasceu em Linhares, esteve em Vitória especialmente para fazer o anúncio da pré-candidatura de Erick.
A coluna aproveitou e questionou Pereira sobre o fato de o partido integrar o Centrão, grupo de siglas fisiológicas que, normalmente em troca de verbas e cargos, apoia o governo da vez. O famoso toma lá, dá cá.
É assim que o presidente Jair Bolsonaro tem segurado as pontas no Congresso Nacional, sem chance de sofrer impeachment. Em fevereiro, o deputado federal João Roma, do Republicanos, ganhou um ministério, o da Cidadania.
"Se ajudar o Brasil, ajudar a governar, é fisiologismo, nós somos fisiologistas", respondeu Marcos Pereira.
Fisiologista é um profissional da saúde. Marcos Pereira é advogado e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Logo, não é à profissão a que se referia.
Correção
16/12/2021 - 7:39
Por erro de digitação, a coluna informou, originalmente, que o número de votantes na eleição da lista sêxtupla foi de 3.887. O número correto é 3.877. Eu também havia informado, aí por erro de memória mesmo, que o candidato Raphael Câmara é mestre. Na verdade, além de mestre, ele é doutor e também fez pós-doutorado. As correções foram feitas. O texto também foi atualizado para acrescentar que Samir Nemer foi secretário de Governo da gestão de Renato Casagrande.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.