Irmão da ex-senadora Rose de Freitas (MDB), Edward Dickinson de Freitas foi nomeado, nesta quinta-feira (23), para exercer o cargo comissionado de assessor especial na Casa Civil do governo Renato Casagrande (PSB).
O socialista apoiou a reeleição de Rose, em 2022. Ela ficou em segundo lugar na corrida.
As urnas escolheram Magno Malta (PL). A emedebista segue aliada ao governador e, de acordo com o que a coluna apurou, conversou esta semana com Casagrande.
"Ela segue trabalhando, indicou muitas emendas parlamentares, recursos que vão vir para o Espírito Santo, durante o mandato dela. Essas emendas vão ser executadas durante o ano e ela tem acompanhado isso", contou uma fonte palaciana.
A operação investigou uma organização criminosa que, segundo a PF, atuava na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). O irmão de Rose de Freitas foi coordenador de Serviços Gerais da companhia, mas já havia sido exonerado, em 2019.
Entre os alvos, o então suplente de Rose, Luiz Pastore (MDB); o ex-coordenador de Gestão Empresarial da Codesa, Francisco Milfont, e um então assessor parlamentar da emedebista, Peterson Vieira Correa.
Por reiteradas vezes, Rose de Freitas negou ter cometido qualquer irregularidade. O único vínculo formal que ela teve com a Codesa durou poucos meses, em 1999, quando ocupou o cargo de diretora de gestão portuária.
A então estatal, durante anos, foi considerada uma área de influência política da senadora. Hoje a companhia está sob gestão da iniciativa privada.
"Por que, depois de quarenta anos (de vida pública), eu iria roubar? Como se faz uma operação, não se comprova nada, e partem para a segunda operação?", questionou a então senadora
em entrevista à coluna em janeiro.
"Meus vizinhos viram eu construir minha casa aos poucos, durante 29 anos (...) Meu irmão mora em um apartamento de 47 metros quadrados, que paga com o recurso dele".
A apuração da Corsários, ao menos até janeiro, não havia resultado em um processo propriamente dito, estava em fase de inquérito, sob a batuta do Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso na Corte é o ministro Kassio Nunes Marques.
A coluna entrou em contato com a Casa Civil para saber quais são as qualificações de Edward Dickinson de Freitas para o cargo de assessor especial e se a nomeação ocorreu por indicação de Rose de Freitas.
"O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Casa Civil (SCV), informa que a nomeação do servidor atende a todos os requisitos previstos em Lei, considerando ainda que os cargos em comissão são de 'livre nomeação e exoneração', como disposto na Lei Complementar nº 46. Não havendo qualquer óbice legal ou decisão em sentido contrário em desfavor do referido servidor", respondeu a secretaria, já após a publicação deste texto.
A coluna também telefonou para Rose, nesta manhã, mas não obteve retorno.
A ex-senadora preside o MDB no Espírito Santo. O partido funciona como órgão provisório no estado, ainda não elegeu o diretório. O comando nacional da sigla prorrogou a presidência de Rose de Freitas até o dia 21 de junho.