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Operação Corsários

Ex-funcionário da Codesa e servidor de Rose de Freitas foram alvos da PF no ES

Polícia também foi à casa do suplente da senadora. Suspeita é de corrupção na companhia que cuida do Porto de Vitória. Rose nega qualquer irregularidade e pede celeridade nas investigações

Públicado em 

25 jan 2023 às 17:38
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Complexo Portuário de Vitória, Companhia Docas do Espirito Santo, (Codesa)
Navio no complexo portuário de Vitória Crédito: Fernando Madeira
Além do suplente da senadora Rose de Freitas (MDB), Luiz Pastore, empresário que mora em São Paulo, duas pessoas receberam a visita da Polícia Federal na terça-feira (24), durante a segunda fase da Operação Corsários, no Espírito Santo.
A Corsários apura suspeitas de corrupção na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Desvios que, segundo as investigações, ocorreram antes de a companhia ser transferida à iniciativa privada. 
Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Três deles foram direcionados a endereços em território capixaba. O restante refere-se a São Paulo e Brasília.
Por aqui, a PF foi em busca de documentos e demais materiais que possam ser úteis à investigação relacionados a Francisco de Assis Portela Milfont, ex-coordenador de Gestão Empresarial e de Arrendamentos e Contratos da Codesa, e Peterson Vieira Correa, que, de acordo com o Portal da Transparência do Senado, é ajudante parlamentar sênior no gabinete de Rose de Freitas desde 2020.
A própria Rose citou os nomes dos dois em entrevistas à reportagem de A Gazeta e à coluna. A senadora contou que à PF foi à casa de Milfont e o tratou como se fosse um assessor dela. "Mas não é meu assessor. É amigo de longa data", observou.
Quanto a Correa, a parlamentar disse que ele realiza tarefas corriqueiras do gabinete: "Peterson eu coloquei para ajudar em petições e agendas. É uma pessoa simples".
A coluna apurou que o terceiro mandado, oficialmente, consta como cumprido, mas foi emitido com o endereço errado. Assim, o objetivo da determinação judicial não foi alcançado.
As ordens foram assinadas pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.
Francisco Milfont é advogado e filiado ao MDB. Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Não foi eleito.
Rose disse não compreender a razão de a Corsários ter colocado Pastore, Milfont e Correa no alvo. Aliás, o mesmo vale para a própria senadora.
Na primeira fase da operação, em 2021, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa da emedebista e prendeu, temporariamente, um irmão dela.
Por reiteradas vezes, Rose de Freitas negou ter cometido qualquer irregularidade. O único vínculo formal que ela teve com a Codesa durou poucos meses, em 1999, quando ocupou o cargo de diretora de gestão portuária. 
Já o irmão, Edward Dickson, era servidor comissionado na companhia até 2019. A então estatal, durante anos, foi considerada uma área de influência política da senadora.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados devem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de peculato (quando um funcionário público desvia dinheiro ou bens públicos para proveito próprio ou para beneficiar terceiros), crimes licitatórios, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Ainda em junho de 2021, a PF apontou indícios de que recursos provenientes da Codesa foram usados para pagar despesas pessoais de Rose de Freitas, como quitação de boletos de imóveis e e faturas de cartão de crédito.
"POR QUE, DEPOIS DE 4O ANOS, EU IRIA ROUBAR?"
Em entrevista à coluna, nesta quarta-feira (25), a senadora afirmou, mais uma vez, que não cometeu nenhuma irregularidade. Lembrou que tem uma longa trajetória política e pediu que as investigações sejam céleres.
"Por que, depois de quarenta anos, eu iria roubar? Como se faz uma operação, não se comprova nada, e partem para a segunda operação?", questionou.
"Meus vizinhos viram eu construir minha casa aos poucos, durante 29 anos (...) Meu irmão mora em um apartamento de 47 metros quadrados, que paga com o recurso dele".
A senadora está no fim do mandato. A partir de 1º de fevereiro, não vai ocupar cargo público. Em outubro de 2022, ela tentou se reeleger, mas foi derrotada por Magno Malta (PL).
O suplente de Rose, Luiz Pastore, um dos alvos de mandado de busca e apreensão, disse que nada foi apreendido na casa dele:
"Ontem (24/01/2023) fui surpreendido com a realização de busca e apreensão em minha residência, cumprida na mais absoluta normalidade, com menos de meia hora de duração, sendo que nada foi apreendido. Estou à disposição da Justiça, não tendo mais o que comentar até ter acesso ao teor da decisão que decretou a medida, sobretudo considerando que não tenho conhecimento das razões desta ordem ou do processo onde foi proferida".
A coluna não conseguiu contato com Francisco Milfont e Peterson Correa e está à disposição para eventual manifestação dos dois.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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