Ok. Dificilmente um prefeito não alinhado ao governador Renato Casagrande (PSB) presidiria a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), afinal, quase não há prefeito que faça oposição ao chefe do Executivo estadual. Lorenzo Pazolini (Republicanos), de Vitória, até recentemente poderia ser assim identificado,
mas já se aproximou do socialista.
Luciano Pingo (sem partido), de Ibatiba, é quem vai comandar a Amunes no biênio 2023/2025. A entidade é a mais importante entre as instâncias de representação dos municípios, faz a interlocução com o governo estadual, com a Assembleia Legislativa e outras instituições.
Pingo é aliado de primeira hora de Casagrande, esteve ao lado do governador na campanha de 2022, mesmo quando o Pros, partido que o prefeito presidia no Espírito Santo na época, pendia para o palanque de Audifax Barcelos devido a costuras nacionais.
Agora, encabeça a única chapa inscrita nesta terça-feira (21), último dia do prazo, para administrar a associação dos municípios. Ele já é o vice-presidente. A eleição e a posse vão ocorrer no próximo dia 31.
À coluna, o prefeito de Ibatiba disse que o Palácio Anchieta não interferiu na construção da chapa. "Foi construção nossa, dos 76 prefeitos e das duas prefeitas. Sem interferência", asseverou.
Um dos critérios para a definição do presidente, segundo Pingo, foi a busca por alguém que não vá disputar as eleições municipais de 2024. O prefeito de Ibatiba já está no segundo mandato consecutivo à frente da cidade, logo, atende ao requisito.
O atual presidente da Amunes é o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho, correligionário de Casagrande. Ele até poderia tentar a reeleição para seguir no comando da associação.
Mas, ainda de acordo com Pingo, deve contribuir de outra forma, alocado em alguma diretoria da entidade, por exemplo.
"A prioridade (da gestão da Amunes) vai ser defender os interesses dos municípios. As prefeituras têm muitas responsabilidades, mas o dinheiro fica na esfera federal", apontou o futuro presidente da Amunes.
"O recurso que chega para comprar merenda escolar, por exemplo, é insuficiente para se manter uma alimentação de qualidade nas escolas. O governo federal, agora, aumentou a verba. Mas temos outros gargalos, como a falta de médicos para atender no interior do Espírito Santo. Esperamos que com o Mais Médicos (programa do governo federal) melhore. O Icepi, do governo estadual, já ajuda", complementou o futuro presidente da Amunes.
Ele elogiou o governo Casagrande em diversos momentos da entrevista.
Quem preside a Amunes não recebe salário. As prefeituras associadas pagam uma taxa anual para manter a entidade. Pingo, atual vice-presidente, não soube precisar o valor da contribuição.