Na corrida pelo Senado em 2026 no Espírito Santo, há ao menos oito pré-candidatos de direita ou que se identificam como "conservadores", integrantes de mais de um grupo político.
Apesar de duas vagas estarem em disputa, a concorrência é acirrada e alguns vão ficar pelo caminho. O campo congestionado já levou a marcação cerrada e até a cometimento de "faltas" contra os colegas.
Mas uma bandeira da paz foi hasteada, ao menos por enquanto.
O mais recente embate deu-se entre o ex-deputado federal Carlos Manato (de saída do PL, a caminho do Republicanos) e o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo).
"Manato insinuou que minha candidatura ao Senado em 2026 seria para apenas para fortalecer meu nome para prefeito em 2028. Foi uma fala infeliz, à qual eu reagi", contou Monjardim, à coluna.
"Eu nem penso nisso (disputar em 2028). Seria como disputar a eleição de 2026 com a convicção de que vou perder", completou.
O ex-deputado federal, na verdade, não havia mencionado o nome do vereador. O clima, porém, azedou.
Monjardim entendeu o recado e, em discurso na Câmara de Vitória, chamou Manato de "incompetente, despreparado, desqualificado", entre outros predicados, o que fez o ex-deputado federal acionar o Judiciário.
No final do mês passado, porém, os dois fizeram as pazes, em encontro mediado pelo também vereador de Vitória Armandinho Fontoura (PL).
"Não faz sentido a gente se digladiar, somos do mesmo pensamento ideológico", resumiu Monjardim.
"Vou retirar a ação e a acabou. A direita não pode ficar discutindo entre si", pontuou Manato.
O ex-deputado federal, como já mencionado aqui, está prestes a se filiar ao Republicanos, partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Monjardim, por sua vez, é o líder do prefeito na Câmara.
Uma briga entre os dois seria não apenas dentro do mesmo "pensamento ideológico" e sim do mesmo grupo político, o do prefeito.
Ainda há outras trocas de farpas por aí.
Armandinho Fontoura (PL)
Vereador de Vitória
"Temos que nos unir ou a esquerda vai ficar com as duas vagas"
O governador Renato Casagrande (PSB), por exemplo, deve disputar uma vaga de senador. E Fabiano Contarato (PT) vai tentar a reeleição.
Armandinho, porém, faz distinção entre quem é de direita "de verdade" e quem quer "surfar na onda".
Aliás, essa comparação está presente em 99% das conversas que a coluna mantém com pré-candidatos de direita ao Senado.
O alvo principal, via de regra, é o deputado estadual Sérgio Meneguelli (de saída do Republicanos, a caminho do PSD). Ex-prefeito de Colatina, ele já disse que pretende disputar o Senado, e apenas o Senado, em 2026.
Popular nas redes sociais, Meneguelli tem potencial para angariar votos de eleitores de direita.
"Uma coisa que unifica a direita é demonstrar que Meneguelli é uma farsa, um estelionato eleitoral. Ele já tirou foto com Bolsonaro no passado e agora diz que não quer que Bolsonaro seja candidato novamente (à Presidência da República)", acusou Armandinho.
"Sempre falei de que sou de centro, centro-direita. Estão usando entrevistas minhas antigas e fora de contexto para dizer que eu critiquei Bolsonaro. Eu nunca critiquei Bolsonaro nem Lula, fui prefeito e sou deputado estadual, não tem nada a ver falar de política nacional ocupando esses cargos. Eles (outros políticos de direita) acham que só o PL é direita e o resto é esquerdista", respondeu Meneguelli, em conversa com a coluna.
Sérgio Meneguelli (Republicanos)
Deputado estadual
"Essa polarização é ridícula"
Até mesmo no grupo de Casagrande, um político de centro-esquerda, há um pré-candidato ao Senado com potencial para conquistar votos da direita, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).
Policial civil aposentado e evangélico, ele já flerta com esse eleitorado. Euclério se apresenta como "conservador" e apoiador de primeira hora do governador, apostando ao mesmo tempo no fator ideológico e no pragmatismo da população capixaba.
O prefeito, vez por outra, também é alvo de críticas por não ser "de direita de verdade", mas mesmo adversários admitem que ele pode dar trabalho nas urnas.
Já o PL lançou a pré-candidatura de Maguinha Malta, filha do senador Magno Malta.
E, no PP, há o deputado federal Evair de Melo. Ele destoa do restante do partido no estado por ser um crítico de Casagrande e notório apoiador de Pazolini. Também tem proximidade com o PL.
O deputado estadual Callegari saiu do partido de Bolsonaro justamente porque lá não teria espaço para disputar o Senado. Agora, está no DC e é pré-candidato.
E ainda temos o senador Marcos do Val (Podemos), que diz que vai tentar a reeleição. A questão é qual partido lhe daria espaço para tal. O Podemos, certamente, não o fará.
Nem todos esses nomes devem aparecer nas urnas realmente em 2026. Ou não necessariamente como candidatos a senador. É comum que até o registro oficial das candidaturas acordos sejam firmados e apoios garantidos.
A tempestade, contudo, precede a calmaria. Depois vem outra tempestade.
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