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Eleições

Entre farpas e tréguas: a direita capixaba na corrida pelo Senado em 2026

Há ao menos oito pré-candidatos a senador que se apresentam como de direita ou conservadores no ES. Alguns brigam entre si

Publicado em 08 de Janeiro de 2026 às 07:13

Públicado em 

08 jan 2026 às 07:13
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa Crédito: Jonas Pereira/Agência Senado
Na corrida pelo Senado em 2026 no Espírito Santo, há ao menos oito pré-candidatos de direita ou que se identificam como "conservadores", integrantes de mais de um grupo político.
Apesar de duas vagas estarem em disputa, a concorrência é acirrada e alguns vão ficar pelo caminho. O campo congestionado já levou a marcação cerrada e até a cometimento de "faltas" contra os colegas.
Mas uma bandeira da paz foi hasteada, ao menos por enquanto.
O mais recente embate deu-se entre o ex-deputado federal Carlos Manato (de saída do PL, a caminho do Republicanos) e o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo).
"Manato insinuou que minha candidatura ao Senado em 2026 seria para apenas para fortalecer meu nome para prefeito em 2028. Foi uma fala infeliz, à qual eu reagi", contou Monjardim, à coluna.
"Eu nem penso nisso (disputar em 2028). Seria como disputar a eleição de 2026 com a convicção de que vou perder", completou.
O ex-deputado federal, na verdade, não havia mencionado o nome do vereador. O clima, porém, azedou.
Monjardim entendeu o recado e, em discurso na Câmara de Vitória, chamou Manato de "incompetente, despreparado, desqualificado", entre outros predicados, o que fez o ex-deputado federal acionar o Judiciário.
No final do mês passado, porém, os dois fizeram as pazes, em encontro mediado pelo também vereador de Vitória Armandinho Fontoura (PL).
"Não faz sentido a gente se digladiar, somos do mesmo pensamento ideológico", resumiu Monjardim.
"Vou retirar a ação e a acabou. A direita não pode ficar discutindo entre si", pontuou Manato.
O ex-deputado federal, como já mencionado aqui, está prestes a se filiar ao Republicanos, partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Monjardim, por sua vez, é o líder do prefeito na Câmara.
Uma briga entre os dois seria não apenas dentro do mesmo "pensamento ideológico" e sim do mesmo grupo político, o do prefeito.
Ainda há outras trocas de farpas por aí.
"Temos que nos unir ou a esquerda vai ficar com as duas vagas"
Armandinho Fontoura (PL) - Vereador de Vitória
O governador Renato Casagrande (PSB), por exemplo, deve disputar uma vaga de senador. E Fabiano Contarato (PT) vai tentar a reeleição.
Armandinho, porém, faz distinção entre quem é de direita "de verdade" e quem quer "surfar na onda".
Aliás, essa comparação está presente em 99% das conversas que a coluna mantém com pré-candidatos de direita ao Senado.
O alvo principal, via de regra, é o deputado estadual Sérgio Meneguelli (de saída do Republicanos, a caminho do PSD). Ex-prefeito de Colatina, ele já disse que pretende disputar o Senado, e apenas o Senado, em 2026.
Popular nas redes sociais, Meneguelli tem potencial para angariar votos de eleitores de direita.
"Uma coisa que unifica a direita é demonstrar que Meneguelli é uma farsa, um estelionato eleitoral. Ele já tirou foto com Bolsonaro no passado e agora diz que não quer que Bolsonaro seja candidato novamente (à Presidência da República)", acusou Armandinho.
"Sempre falei de que sou de centro, centro-direita. Estão usando entrevistas minhas antigas e fora de contexto para dizer que eu critiquei Bolsonaro. Eu nunca critiquei Bolsonaro nem Lula, fui prefeito e sou deputado estadual, não tem nada a ver falar de política nacional ocupando esses cargos. Eles (outros políticos de direita) acham que só o PL é direita e o resto é esquerdista", respondeu Meneguelli, em conversa com a coluna.
"Essa polarização é ridícula"
Sérgio Meneguelli (Republicanos) - Deputado estadual
Até mesmo no grupo de Casagrande, um político de centro-esquerda, há um pré-candidato ao Senado com potencial para conquistar votos da direita, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).
Policial civil aposentado e evangélico, ele já flerta com esse eleitorado. Euclério se apresenta como "conservador" e apoiador de primeira hora do governador, apostando ao mesmo tempo no fator ideológico e no pragmatismo da população capixaba.
O prefeito, vez por outra, também é alvo de críticas por não ser "de direita de verdade", mas mesmo adversários admitem que ele pode dar trabalho nas urnas.
Já o PL lançou a pré-candidatura de Maguinha Malta, filha do senador Magno Malta.
E, no PP, há o deputado federal Evair de Melo. Ele destoa do restante do partido no estado por ser um crítico de Casagrande e notório apoiador de Pazolini. Também tem proximidade com o PL.
O deputado estadual Callegari saiu do partido de Bolsonaro justamente porque lá não teria espaço para disputar o Senado. Agora, está no DC e é pré-candidato.
E ainda temos o senador Marcos do Val (Podemos), que diz que vai tentar a reeleição. A questão é qual partido lhe daria espaço para tal. O Podemos, certamente, não o fará.
Nem todos esses nomes devem aparecer nas urnas realmente em 2026. Ou não necessariamente como candidatos a senador. É comum que até o registro oficial das candidaturas acordos sejam firmados e apoios garantidos.
A tempestade, contudo, precede a calmaria. Depois vem outra tempestade.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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