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Corrida pelo Palácio Anchieta

"Continuidade com aperfeiçoamento", a aposta de Ricardo e Casagrande para 2026

Outra tese possível é de que os eleitores capixabas querem renovação, argumento utilizado pelos que contestam a escolha do vice-governador como pré-candidato casagrandista

Públicado em 

19 dez 2025 às 06:55
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Renato Casagrande durante entrevista coletiva no Palácio Anchieta
Renato Casagrande durante entrevista coletiva sobre o balanço Crédito: Helio Filho/Secom ES
Há duas teses, ou leituras diferentes do cenário político-eleitoral do Espírito Santo para 2026. No ano que vem, chega ao fim um ciclo de 23 anos em que o estado teve apenas dois governadores: Paulo Hartung e Renato Casagrande.
A população, a partir de então, vai em busca de renovação? Ou prefere continuidade, segurança?
Ao confirmar o apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como pré-candidato ao Palácio Anchieta, Casagrande defendeu o argumento da "continuidade com aperfeiçoamento". 
Ele utilizou a expressão em entrevista à coluna, minutos após Ricardo ter usado as mesmas palavras durante entrevista coletiva.
Questionado a respeito do eventual perfil buscado pelos eleitores em relação ao futuro chefe do Executivo estadual, Casagrande refutou a ideia de que a eleição de 2026 vai ser "geracional".
A percepção de que a população quer um perfil mais jovem ou arrojado à frente do Executivo estadual é forte, por exemplo, entre aliados do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e do de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
"As pesquisas têm uma avaliação diferente dessa, mostram que as pessoas querem gente que possa dar segurança, que tenha experiência. A avaliação do governo é muito positiva, então não tem um sentimento de mudança presente", afirmou o governador.
Se a análise dele estiver correta, o cenário favorece Ricardo, um político experiente que, em 1982, aos 19 anos, foi eleito vereador em Cachoeiro de Itapemirim e é filho de outro tradicional homem público capixaba, o prefeito Theodorico Ferraço (PP).
É vice de Casagrande e também já foi de Hartung  (2007-2010).
"A sociedade quer continuidade daquilo que a gente conquistou. O sentido de continuidade com aperfeiçoamento é muito mais forte do que o sentido de mudança completa", pontuou o atual governador.
"As pessoas sempre querem alguma coisa a mais; mesmo aquelas que querem continuidade sempre desejam alguma coisa a mais, as pesquisas apontam para isso. O Ricardo tem experiência, conhece o estado, é o governador que vai, de fato, fechar uma transição. Ele se elege governador e fica quatro anos no governo", acrescentou.
"QUATRO ANOS"
"Quatro anos no governo". Esse é um detalhe importante.
Casagrande diz, oficialmente, que ainda não decidiu se vai ou não ser candidato ao Senado no ano que vem. Em caso positivo, vai ter que renunciar ao mandato, o que faria com que Ricardo assumisse o comando do Executivo estadual até dezembro.
Dessa forma, o atual vice passaria a ser o governador de fato e disputaria a reeleição no ano que vem.
Como a legislação eleitoral proíbe mais de uma reeleição, se vitorioso no pleito, Ricardo seria um governador de apenas um mandato, quatro anos.
Ao mencionar esse período, Casagrande já dá a dica do que todos os aliados já dão como certo, que ele vai, sim, concorrer ao Senado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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