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Eleições 2022

E se Paulo Hartung apoiasse Casagrande ou Manato?

Ex-governador não declarou voto, mas aliados dele estão no palanque do candidato  do PL ao Palácio Anchieta

Publicado em 13 de Outubro de 2022 às 15:17

Públicado em 

13 out 2022 às 15:17
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Economista e ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung é entrevista no Roda Viva
Economista e ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung em entrevista no Roda Viva, em agosto Crédito: Reprodução/YouTube
O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung segue em silêncio sobre apoiar ou não algum candidato ao Palácio Anchieta. Renato Casagrande (PSB) disputa a reeleição contra Manato (PL).
Aliados do ex-governador estão no palanque do candidato do PL: o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD); o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (ex-Rede) e o ex-secretário da Fazenda de Vitória Aridelmo Teixeira (Novo).
Marcus Magalhães (PSD), que foi vice na chapa de Guerino e subsecretário de Agricultura no último governo Hartung, também está com Manato.
O mesmo vale para o ex-secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano Marcelo de Oliveira, que integrou a gestão estadual na época.
À boca miúda, outros hartunguistas pedem voto para Manato em mensagens de WhatsApp enviadas a conhecidos.
Assim, Hartung não precisa, pessoalmente, apoiar Manato.
O ex-deputado federal representa o bolsonarismo no estado. O ex-governador já criticou o governo de Jair Bolsonaro (PL) abertamente e alertou quanto ao risco à democracia que ele representa.
Seria contraditório se subisse no palanque do candidato apoiado pelo presidente da República que, aliás, reproduz valores similares aos do chefe do Executivo federal.
O foco, entretanto, é o que um eventual endosso público de Hartung representaria para a campanha de Manato. Trataremos também do cenário alternativo, com com um hipotético apoio a Casagrande.
É como em "E se ... (What if...)", série da Marvel no Disney+, que imagina outros destinos para os Vingadores. A análise aqui, entretanto, é bem menos fantasiosa.
Um dos principais aliados do candidato do PL, Tenente Assis, que disputou, sem sucesso, uma vaga de deputado federal pelo PTB, postou dias atrás uma foto com a legenda que exprime a imagem que a campanha de Manato quer passar ao mercado político:
"Na mesma foto, cinco pessoas que ousaram desafiar um sistema que há 20 anos governa o Espírito Santo. Mas essa época acabou. Juntos e com seu apoio vamos banir a esquerda e reconstruir o ES".
Capitão Assumção, Guerino Zanon, Tenente Assis, Carlos Manato e Audifax Barcelos
Capitão Assumção, Guerino Zanon, Tenente Assis, Carlos Manato e Audifax Barcelos Crédito: Reprodução/Instagram Tenente Assis
Os cinco na imagem são o deputado estadual Capitão Assumção (PL); Guerino Zanon; Assis; Manato e Audifax.
O "sistema que há 20 anos governa o Espírito Santo" foi coprotagonizado, justamente, por Hartung. Ele e Casagrande revezam-se no poder.
Os dois já foram aliados, mas, desde 2014, romperam publicamente.
Se Hartung aparecesse, mesmo com a contradição do bolsonarismo pairando sobre a cabeça, e declarasse voto em Manato, esse discurso do fim dos "20 anos" ficaria frágil.
Considerando que aliados do ex-governador Paulo Hartung nem esperaram as urnas usadas no primeiro turno esfriarem para endossar o candidato do PL, é improvável que PH dê "um cavalo de pau" e declare voto em Casagrande, que se tornou seu principal adversário.
Ainda que isso signifique apoiar, tacitamente, ascensão local do bolsonarismo.
Se Casagrande recebesse o apoio do antecessor, isso também poderia ser usado contra o socialista.
Em vez de uma "ampla aliança", como o governador gosta de apresentar os diversos partidos e lideranças que estão ao seu lado, a presença de Hartung no palanque reforçaria o discurso de "mais do mesmo", de uma continuidade contra a qual o eleitor poderia se insurgir, insuflado pela campanha adversária.
E mais: Casagrande e aliados têm pregado que tudo bem votar nele e, ao mesmo tempo, em Bolsonaro. Trazer um crítico do presidente aos holofotes poderia minar a estratégia.
Se dependesse apenas dos eleitores do Espírito Santo, Bolsonaro teria sido reeleito em primeiro turno, com 52% dos votos. Casagrande declarou voto no ex-presidente Lula (PT), mas se mantém, mais do que nunca, distante do palanque do petista.
A expectativa é que Hartung permaneça em silêncio em relação à corrida pelo governo do estado. Pelos fatores abordados aqui, talvez seja melhor assim para os candidatos.
Para o próprio ex-governador, ficar quieto é menos desgastante, a curto prazo. E ele já disse que não pretende disputar outra eleição.
Lideranças políticas, entretanto, como já destacado pela coluna, costumam se posicionar, ainda que isso tenha um preço, politicamente falando. Assim, evitam o fardo da omissão.
Desde 2018, quando deixou o governo do Espírito Santo e saiu do MDB, Hartung não se manifesta, publicamente, sobre o cenário local.
A exceção é quanto à anistia administrativa concedida por Casagrande, com a anuência da Assembleia Legislativa, aos policiais militares acusados de participação na greve ilegal de 2017.
"Quando as Assembleias Legislativas legislam criando proteção a atos absolutamente ilegais (...) Crie corvos e eles furarão seus olhos", avisou, em entrevista ao programa Roda Viva, em agosto.
"Controlamos, punimos. Importante dizer isso aqui, punimos. O meu sucessor depois anistiou, erradamente. É tiro no próprio pé", cravou o ex-governador, a ocasião. Ele já havia criticado a anista antes.
Boa parte dos policiais militares, não seria arriscado dizer a maioria, está com Manato, apesar da anistia e de reajustes salariais concedidos à categoria, que alega que o atual governador "não cumpriu acordos".

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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