Uma antiga reivindicação de pacientes, familiares e especialistas em diabetes começou a sair do papel no Espírito Santo. Durante reunião da Frente Parlamentar de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) anunciou a criação do Instituto Capixaba de Atenção ao Diabetes e à Obesidade (Icado), um centro de referência inédito voltado ao atendimento especializado de pessoas com diabetes e obesidade.
A iniciativa foi apresentada como resposta direta às cobranças feitas pela Frente Parlamentar, presidida pelo deputado Fabrício Gandini (Podemos), e por representantes da Associação de Diabéticos do Espírito Santo e Amigos (Adies), que há meses vêm alertando para a necessidade de ampliar o acesso a especialistas e estruturar uma rede de cuidado contínuo para pacientes, especialmente crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 (DM1).
O novo instituto será implantado, ainda sem data definida, no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica. A proposta é que o espaço concentre atendimento clínico especializado, exames, acompanhamento multidisciplinar e suporte integrado a pacientes que hoje dependem apenas do fornecimento de medicamentos ou insumos.
Segundo a chefe da Gerência de Políticas e Organização das Redes de Atenção à Saúde da Sesa, Franciele da Costa, o projeto-piloto está em fase final de estruturação, tendo em vista uma demanda crescente no Estado: o aumento de internações hospitalares, infartos e AVCs. “Estamos sensíveis à necessidade de estruturar um equipamento, que seja um centro de referência, através de um atendimento clínico especializado voltado para as pessoas com diabetes”, afirmou.
A escolha do CRE Metropolitano, em Jardim América, se deve à estrutura já existente no local, que reúne serviços especializados como cardiologia e oftalmologia - áreas estratégicas para o tratamento de complicações associadas ao diabetes. O novo instituto pretende fechar esse ciclo com endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais essenciais para o acompanhamento integral dos pacientes.
O DRAMA HUMANO
O debate ganhou ainda mais força com os números apresentados pela diretora da Adies, Lorena Bucher. Segundo ela, atualmente cerca de 36 mil pessoas vivem com diabetes tipo 1 no Espírito Santo, mas apenas 1,4% tem acesso ao sensor de glicose e somente 0,7% utiliza bomba de insulina fornecida pelo poder público.
Durante a reunião, relatos emocionantes reforçaram a urgência do tema. Angelaine Cruz Pimentel, moradora da Serra, contou que convive com a doença há 30 anos. Já a adolescente Eduarda Tomaz de Sousa Barros, de 16 anos, emocionou os participantes ao relatar o impacto da condição no dia a dia.
“É frustrante, desesperador saber que, se eu não cuidar da minha doença, eu posso perder a minha perna, minha visão. Afeta muito meu psicológico”, relatou a estudante, diagnosticada aos 2 anos de idade.
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