O dinheiro ficou curto na maioria das prefeituras do Brasil neste ano em função de
mudanças na área tributária, principalmente nos municípios menores, mas com criatividade um veterano prefeito capixaba tenta minimizar a escassez de recursos em áreas como o saneamento básico. Abrindo o jogo: o alcaide já entregou quase duas centenas de bueiros em menos de três anos de gestão.
Enivaldo dos Anjos (sem partido), de
Barra de São Francisco, já está sendo conhecido como o prefeito que conta bueiros. E ele justifica a quase obsessão e a fama: “Se as pessoas das grandes cidades soubessem a importância que tem esses bueiros para a população do interior, não ficariam rindo da gente. Essas obras, que parecem pequenas, se avolumam e mesmo tendo feito já quase 200, ainda tem muito a fazer. Chega pedido todo dia”, revela.
Para construir os 174 bueiros que já fez no município de Barra de São Francisco nos 1.000 dias de sua administração, completados nesta quarta-feira (27), Enivaldo, “coroné do Noroeste”, como foi apelidado na
Assembleia Legislativa antes de voltar a ser prefeito, conta com a colaboração das “pedreiras” de granito da região, que doam os refugos que sobram dos cortes dos blocos e da laminação de chapas.
É uma maneira que as empresas também encontram de dar destinação social a esse material que sobra na indústria de rochas ornamentais, exploradas no município desde o início dos anos 1990.
Economia para o Erário e também para os munícipes. Além de um bueiro “inaugurado” a cada 5,74 dias da administração, em média, Enivaldo também entregou 107 “pontes ecológicas” e 21 muros de contenção, tudo feito com o mesmo material.
É uma ponte a cada 9,34 dias de comando do veterano político, que voltou a ser prefeito 30 anos depois de ter administrado o município pela primeira vez, intervalo preenchido por quatro mandatos de deputado estadual, uma secretaria de Estado e dez anos de conselheiro do Tribunal de Contas.
O secretário municipal de Transportes e Estradas, Neto Pimenta, salienta que, se essas pontes fossem feitas pelos produtores rurais, custariam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil cada uma. “O prefeito cobra muito isso da gente, de criar condições para que o produtor possa escoar sua produção e movimentar a economia. Tenho certeza de que vamos bater recorde”, aposta o secretário.
Além do custo reduzido, Neto fala da economia do tempo. As pontes de madeira levam de um a dois dias para serem feitas. As de pedras, se forem maiores, levam de quatro a cinco dias. Se a administração do prefeito mantiver o ritmo nos 460 dias finais da administração, vai entregar mais 50 pontes e 80 bueiros.
Enivaldo, não perca a conta.