Durante muitos anos, o aniversário da cidade de
Barra de São Francisco foi comemorado no começo de outubro, em torno da data (4) do padroeiro da cidade, São Francisco de Assis, talvez o santo mais popular da
Igreja Católica.
A festa era tão tradicional e arraigada na cultura popular da gente simples francisquense que era confundida com a data de emancipação política do município, no começo do ano. Afinal, em seus primórdios, Barra de São Francisco, que tem este nome por causa do rio que banha a cidade, se chamava Patrimônio de São Sebastião, na época pertencente a São Mateus.
Mas, nos últimos tempos, com a perda da influência católica em Barra de São Francisco, onde os
evangélicos já são maioria, entrou água na festa. Literalmente. Por decisão do prefeito, a festa da cidade foi transferida para as festividades de fim de ano, numa tentativa de separar a efeméride religiosa da política. Não deu certo.
Muita gente começou a refletir: seria “zanga” de São Francisco, o pai dos pobres e amante da natureza, talvez se sentindo desprestigiado em detrimento de São Sebastião, cuja festa é 20 de janeiro?
Sempre atento aos sinais do céu, uma dessas pessoas que ficou intrigada é o
prefeito Enivaldo dos Anjos (sem partido). Precavido, o “coroné” do Noroeste não quis saber de briga com Francisco (não o papa, mas o santo) e já decretou: a partir deste ano, a festa de Barra de São Francisco (religiosa e de 80 anos de emancipação política ) voltará a ser uma só, em outubro, mês do padroeiro.
O prefeito sabe que São Sebastião é forte e guerreiro, mas sabe também que São Francisco é tão popular e poderoso que batiza até nome de papa e, além disso, parece ter a simpatia de São Pedro.
E, no interior, Enivaldo conhece muito bem o adágio popular: não se briga com ninguém que usa saia (mulher, juiz e padre). Então, por via das dúvidas, que seja feita a vontade do Santo Chico.