O maior astro do futebol mundial de todos os tempos está imortalizado em terras capixabas no Clube Rei Pelé, assim batizado pelo projeto de lei enviado à Câmara Municipal pelo prefeito Enivaldo dos Anjos, de
Barra de São Francisco, justamente a cidade da qual
Pelé é cidadão honorário desde 24 de fevereiro de 1997.
Curiosamente, a morte de Pelé, no final do ano passado, acabou por resolver uma dor de cabeça do prefeito, que não sabia o nome a dar à área de lazer de 120 mil metros quadrados adquirida pela municipalidade e que tinha o nome comercial de Pesque-Pague Paraíso, construído há três décadas por uma família de empreendedores da cidade, mas que estava ociosa. O prefeito propôs e o antigo proprietário aceitou vender a área à prefeitura por uma entrada de R$ 500 mil e 20 parcelas de R$ 150 mil (R$ 3,5 milhões no total).
“Eu tenho uma frustração, não ter conhecido Pelé pessoalmente, e não ter tirado uma foto com ele. Sempre admirei Pelé como jogador e como exemplo de cidadão. O Brasil deve muito a ele, foi ele que fez o país ser conhecido no mundo”, disse Enivaldo.
Mas esta não é a única homenagem que Pelé recebeu em Barra de São Francisco. Em 1964, um grupo de desportistas, Enivaldo entre eles, fundou na cidade o Santos Futebol Clube, com nome e escudo semelhante ao único time pelo qual Pelé jogou, profissionalmente, em toda sua vida.
Sem conhecer Pelé, o prefeito realizou parte do sonho: em 2021, levou para a cidade, como técnico do Santos, um ex-companheiro de Pelé no clube da Baixada Santista: Elói, para ser técnico do time homônimo na Copa Norte de Futebol Amador, que conquistou invicto.
O, agora, Clube Rei Pelé foi adquirido para que nele seja instalado um centro esportivo para atividades físicas e eventos com objetivo de atender à comunidade estudantil e idosos, assim como calendário de eventos das secretarias municipais. E a primeira grande festa já está marcada: a volta dos bailes de
Carnaval, de 18 a 21 de fevereiro, na aprazível área de lazer da municipalidade às margens da rodovia ES 080, que liga Barra de São Francisco a Água Doce do Norte.
Sobre o título de cidadania concedido a Pelé, quem se recorda bem é o ex-vereador Obedes Martins, que na época presidia a Câmara de Barra de São Francisco. A honraria foi motivo de chacota na cidade, com as pessoas dizendo que Pelé nem sabia onde ficava Barra de São Francisco. Mas Obedes levou adiante a ideia.
“Liguei para o Ministério dos Esportes para informar ao ministro Pelé que a Câmara havia lhe conferido o título de cidadão francisquense. Pelé agradeceu e justificou que não poderia comparecer à sessão solene por força de compromissos da sua pasta. Foi então que eu disse que iria a
Brasília entregar o título e Pelé, com aquela humildade dele, demonstrou ter ficado feliz e ansioso”, disse Obedes.
No dia da homenagem, a comitiva da Câmara de Vereadores estava acompanhada pelo presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo, Marcus Vicente, que era suplente de deputado federal.
Pelé recebeu com toda gentileza o grupo, lembrou-se de quando
jogou contra o Santo Antônio e fez um gol, em 25 de julho de 1965, e perguntou o que poderia fazer como agradecimento. Obedes não perdeu a viagem e conseguiu R$ 300 mil do Ministério dos Esportes para reformar o campo de futebol de Vargem Alegre, o distrito onde mora até hoje.