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Crônica

A história de Pelé no Espírito Santo e a carta de Bento

Meus amigos, compartilho a crença segundo a qual a morte não existe, o que sobrevive é recordação ou o esquecimento, que não é e jamais será o caso

Publicado em 10 de Janeiro de 2023 às 00:10

Públicado em 

10 jan 2023 às 00:10
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Pelé
Pelé Crédito: Montagem
“O Mengálvio cruzou da direita e ele pulou no meio muito acima dos dois beques. Eu saí do gol para matar a jogada, daí Pelé colocou de cabeça do outro lado e muito além das minhas possibilidades”. Assim falou Adjalma, na época goleiro do melhor time do Espírito Santo, o Santo Antônio, em pleno estádio do Rio Branco, o Governador Bley, em Jucutuquara, importante espaço litero-esportivo da Capital capixaba.
Meninos, eu vi o Adjalma defender as cores da Desportiva Ferroviária, um dos três melhores times capixabas nas décadas de 60 e 70. Guarda com carinho fotos de lances daquela única partida que o divino fez em Vitória.
O Espírito Santo mantinha vivos e fogosos, além da Desportiva e do Rio Branco, o Santo Antônio, o Vitória, o Santos de Paul e o Corinthians de São Torquato. Meu compadre Leomar Barreto, Erildo dos Anjos e eu costumávamos assistir às partidas do campeonato estadual nos finais de semana. Durante a semana era impossível. Afinal, tínhamos que jogar pelada.
O estádio Rubens Gomes leva o nome do valoroso líder político e social. Ele sempre reunia a nata da inteligentzia espirito-santense. Era pai do valoroso atleta da Barra do Jucu, poeta, compositor e lateral esquerdo Rubinho, que abdicou da carreira em plena forma para se dedicar a promover festivais de música popular em Guarapari. Tentamos ainda uma colocação para ele nos “Marisqueiros da Urca” no Rio. Mas que nada. Voltou para a Barra e jogou no time “Madalena, Madalena”, uma organização neo-udistoqueana, com sede no Estádio do Camping da Barra.
Então.
Friedrich Nietzsche de quem copio descaradamente muita coisa (então, cuidado ao me criticarem) disse algo que tem a ver com isso: “Grandes filósofos esforçam-se para compreender o que os cidadãos contemporâneos se contentam em simplesmente viver”.
Quanto à morte de Pelé, meus amigos, compartilho a crença segundo a qual a morte não existe, o que sobrevive é recordação ou o esquecimento, que não é e jamais será o caso.
Então.
Para ser feliz e orgulhar-se existem os netos. Eu tenho três, pelos quais nutro grande paixão, além de duas filhas, Paula e Alice, as mães deles. Deus tem sido muito generoso comigo. São encantadores, não é por estar na minha presença: Bento, Gael e Valentin.
Em primeiríssima mão, passo para meus tolerantes leitores a homenagem que prestou Bento, aos seis anos, de próprio punho ao Zeus do esporte, Pelé.
“Pelé
Você fez de tudo pro Brasil. Você está velho, mas eu ainda sou seu fã; Você nasceu em 1940 e morreu em 2022. Quando soube dessa notícia quase tive um infarto. Pelé, descanse em paz. Venceu as copas de 1958-1962-1970.
Um milhão de beijos
De Bento Vicentini Bonates”
Sorry, periferia. Não é o máximo?
Dorian Gray, meu cão vira-lata, foi tomado de profunda tristeza.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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