Não mobiliza milhões, não é comentada nas redes sociais, não tem Justiça Eleitoral, mas nem por isso a eleição para a direção do Sebrae-ES é menos polêmica e tensa nos bastidores. A disputa reproduz, em menor escala, um embate entre o
governo federal e o estadual, que têm suas áreas de influência entre as 13 entidades com direito a voto. É um autêntico jogo de xadrez, com lances intrincados e nem sempre visíveis; as peças estão se movimentando.
A eleição está marcada para o dia 14 de dezembro. O prazo para registro de chapas termina cinco dias antes, no dia 9, às 17h. O novo presidente assume em janeiro para um mandato de quatro anos.
Das 13 entidades votantes, em tese, o
governo federal tem quatro representantes: Ufes, Banco do Brasil, Caixa Econômica e
Sebrae Nacional. O governo estadual, por sua vez, tem dois, o Bandes e a Aderes.
Numa análise rápida e fria, poderia se imaginar que o ainda presidente
Jair Bolsonaro (PL) teria mais força na eleição do Sebrae-ES que o governador
Renato Casagrande (PSB). Mas essa eleição é um autêntico jogo de xadrez, em que as aparências podem enganar os desavisados.
Nas demais sete entidades com direito a voto (Faes, Fecomércio, Fetransporte, Findes, Ideies, Faciapes e OCB-ES), o governo estadual tem reconhecidamente muita influência, ainda mais que Casagrande foi reeleito e naturalmente carrega consigo grande força
política para os próximos quatro anos.
Nas entidades sob a órbita do
governo federal, aponta-se o deputado federal (reeleito)
Evair de Melo (PP) como grande influenciador. O parlamentar, aliás, é adversário figadal do governador. Mais um ingrediente nessa disputa entre poucos, mas privilegiados eleitores.
Outro fator a ser observado é que a Findes, na prática, tem dois votos: além do seu próprio, exerce poder sobre o voto do Ideies, instituto vinculado à Federação das Indústrias do ES. Portanto, é bom os candidatos tratarem bem Cris Samorini, a atual presidente da Findes.
O pleito do dia 14 vai definir a nova direção (superintendente e dois diretores) e o Conselho Fiscal do Sebrae-ES (três efetivos e três suplentes), além do presidente da entidade, que não é remunerado.
Para a presidência, Carlos André Santos de Oliveira, o Carlão, que exerce um mandato-tampão de um ano e nove meses
após a destituição de Carlos Manato, é candidato. Os outros dois nomes apontados são o do presidente da Federação da Agricultura (Faes), Júlio Rocha, e o do presidente da Fecomércio-ES, Idalberto Moro.
Nos bastidores,o embate pelo controle do Sebrae-ES entre Rocha e Moro, presidentes de duas federações muito poderosas no Estado, é intenso.
A reeleição para a presidência é proibida pelos estatutos do Sebrae-ES, mas como Carlão exerce atualmente um mandato-tampão, tem direito a concorrer. Ele diz que pretende ser o candidato da "conciliação'': "Trabalho por uma chapa de consenso, sou o candidato da terceira via”, brinca.
Mas se esse consenso não for possível? “Então decidirei posteriormente o que irei fazer”, pondera o atual presidente.
Consenso, até o momento, parece que existe apenas em torno do superintendente, o executivo que administra o Sebrae. O atual, Pedro Rigo, por enquanto tem o apoio de todas as forças que estão em disputa.
Os outros dois cargos executivos são o de diretor técnico, exercido atualmente por Luiz Toniato, e o de diretor de atendimento, ocupado por José Eugênio Vieira. A coluna apurou que ambos estão trabalhando para continuar em suas respectivas posições, mas pelo menos quatro nomes estão em campo pedindo apoio para fazerem parte da futura direção do Sebrae-ES.
Estão pedindo votos os ex-secretários de Estado Lenise Loureiro e Enio Bergoli, o atual secretário estadual de Esportes, Júnior Abreu, e José Antônio Bof Buffon, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de
Colatina.
Tanta disputa em torno do comando do Sebrae-ES pode ser explicada pelos números que envolvem a entidade. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo tem um orçamento anual de R$ 180 milhões, 215 empregados e uma rede de escritórios espalhada pela Grande Vitória e pelo interior do Estado.
O salário do superintendente chega a R$ 32 mil e o de cada um dos dois diretores, R$ 28 mil. E tudo isso sem o “povo” reclamando.