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O horror da Covid: fotógrafo capixaba faz autorretrato do sofrimento

Ele registrou a imagem após ficar mais de um minuto sem respirar dentro de um saco plástico, sensação semelhante experimentada por quem sofre formas mais severas de infecção

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 17/03/2021 às 17h42
Atualizado em 17/03/2021 às 19h10
"Angústia", o autorretrato de quem está sufocado pela falta de ar. Crédito: Marcelo Moryan

Há muitas imagens que expressam o drama, o horror e o sofrimento humano nesta pandemia. Hospitais lotados, cemitérios, sepultamentos, movimento frenético de ambulâncias, estas são as mais comuns, mas qual seria a imagem concreta da falta de ar, o sintoma clássico de quem contraiu formas mais graves de Covid? Um fotógrafo capixaba fez essa imagem. Na realidade, um autorretrato.

“Em casa, coloquei um saco plástico na cabeça, apontei o celular e fui sentindo a falta de ar, durante um minuto e 15 segundos,  tempo máximo que consegui aguentar, e rasguei no último segundo o saco plástico. Fiz isso de um modo seguro, sendo observado o todo tempo pelo meu filho”, descreve a experiência o fotógrafo profissional e publicitário Marcelo Moryan, de 53 anos, que mora em Guarapari.

Ele conta que, de certa forma, queria sentir a mesma sensação de falta de ar que sente uma pessoa infectada pelo vírus. Uma forma até de se “libertar”, por meio da arte, de tanto sofrimento diário presenciado pela humanidade.

“Diariamente vejo muito sofrimento causado pela pandemia. É algo que por mais que você tente entender ou sentir, é muito difícil. Então quis transmitir toda esta dor em uma foto, à qual dei o nome de ‘Angústia’. E para isso teria que ser algo bem realista, algo que o corpo pudesse sentir de fato”, explica Moryan.

Marcelo Moryan

Publicitário e fotógrafo

"No plástico é mais desesperador, parece que você está engolindo a própria vida. Quando você prende o ar e sabe que pode soltar é uma coisa, mas quando você sabe que não pode soltar, é desesperador"

A foto, destaca o publicitário, também reflete toda a angústia dos que ficam assistindo seus entes queridos nos momentos mais difíceis. “Porque eles vivem além da dor, vivem a angústia do ‘antes’ (será que a cura chega?) ou do ‘antes’ e do ‘depois’, quando a morte mata toda esperança”.

Esta foto e outros trabalhos do fotógrafo e publicitário Marcelo Moryan podem ser vistas nos endereços https://www.instagram.com/marcelomoryan/ e/ou https://www.facebook.com/marcelo.moryan/.

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