Há muitas imagens que expressam o drama, o horror e o sofrimento humano nesta pandemia.
Hospitais lotados, cemitérios, sepultamentos, movimento frenético de ambulâncias, estas são as mais comuns, mas qual seria a imagem concreta da falta de ar, o sintoma clássico de quem contraiu formas mais graves de
Covid? Um fotógrafo capixaba fez essa imagem. Na realidade, um autorretrato.
“Em casa, coloquei um saco plástico na cabeça, apontei o celular e fui sentindo a falta de ar, durante um minuto e 15 segundos, tempo máximo que consegui aguentar, e rasguei no último segundo o saco plástico. Fiz isso de um modo seguro, sendo observado o todo tempo pelo meu filho”, descreve a experiência o fotógrafo profissional e publicitário Marcelo Moryan, de 53 anos, que mora em Guarapari.
Ele conta que, de certa forma, queria sentir a mesma
sensação de falta de ar que sente uma pessoa infectada pelo vírus. Uma forma até de se “libertar”, por meio da arte, de tanto sofrimento diário presenciado pela humanidade.
“Diariamente vejo muito sofrimento causado pela pandemia. É algo que por mais que você tente entender ou sentir, é muito difícil. Então quis transmitir toda esta dor em uma foto, à qual dei o nome de ‘Angústia’. E para isso teria que ser algo bem realista, algo que o corpo pudesse sentir de fato”, explica Moryan.
A foto, destaca o publicitário, também reflete toda a angústia dos que ficam assistindo seus entes queridos nos momentos mais difíceis. “Porque eles vivem além da dor, vivem a angústia do ‘antes’ (será que a cura chega?) ou do ‘antes’ e do ‘depois’, quando a morte mata toda esperança”.