Não há nada de novo no front - do Brasil. Na praça central de Muquiçaba, em
Guarapari, comerciantes exibem a seguinte "propaganda" ao divulgar seus produtos: “Comércio aberto até às 22h – vai ter polícia na pracinha”. Sinal eloquente de que a sociedade brasileira continua dividida e em guerra. Uma guerra silenciosa contra os pobres e excluídos.
Esse conflito pode ser traduzido em imagens como esta que a coluna publica do sensível fotógrafo profissional e publicitário Marcelo Moryan. Quando ele caminhava pela Praia da Cerca, na mesma Guarapari da “polícia na pracinha”, clicou um homem dormindo no lixo, em meio aos insetos e à indiferença. Era um ser humano tão anônimo que, pelo ângulo da imagem, parece que nem cabeça tem.
“Quando vi esta cena, fiquei imaginando quais políticas públicas realistas são ofertadas para esta parte da população praticamente esquecida – e também qual seria a legenda da minha foto: lixo humano ou humano no lixo?”, se pergunta Moryan.
Um ser humano dormindo no meio do lixo deveria chocar, mas não é o que acontece. Guarapari, como praticamente todas as cidades brasileiras, assiste ao crescimento exponencial de moradores em situação de rua.
Nos últimos anos, com o agravamento da crise econômica e social, famílias inteiras - inclusive crianças - foram despejadas de seus precários locais de moradia e acabaram indo parar nas ruas. Certamente o pior lugar onde poderiam se abrigar, mas tinha outra solução? As autoridades e a sociedade não respondem, com aquelas honrosas exceções de sempre.
“Existe uma guerra silenciosa em nossas ruas... e o pior, estamos perdendo!”, constata o indignado fotógrafo que não cansa de registrar, por meio do do seu trabalho, as mazelas sociais da sua Guarapari, do
Espírito Santo e até do Brasil. Como se fosse um soldado em missão de paz combatendo a guerra.
E a guerra silenciosa do Brasil? Esta não começou ontem, não tem dia e hora para acabar e não provoca indignação aqui, na ONU, na União Europeia, na Otan, na Fifa... Até agora, só tem provocado indiferença. Até quando?