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Leonel Ximenes

Nossa guerra silenciosa: homem dorme no meio do lixo em Guarapari

Imagem retrata o conflito social vivido pelo país e que não tem perspectiva de acabar tão cedo.  Ao contrário da Ucrânia, essa luta provoca mais indiferença do que indignação

Públicado em 

04 mar 2022 às 17:50
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

O homem, o lixo e a indiferença
O homem, o lixo e a indiferença Crédito: Marcelo Moryan
Não há nada de novo no front - do Brasil. Na praça central de Muquiçaba, em Guarapari, comerciantes exibem a seguinte "propaganda" ao divulgar seus produtos: “Comércio aberto até às 22h – vai ter polícia na pracinha”. Sinal eloquente de que a sociedade brasileira continua dividida e em guerra. Uma guerra silenciosa contra os pobres e excluídos.
Esse conflito pode ser traduzido em imagens como esta que a coluna publica do sensível fotógrafo profissional e publicitário Marcelo Moryan. Quando ele caminhava pela Praia da Cerca, na mesma Guarapari da “polícia na pracinha”, clicou um homem dormindo no lixo, em meio aos insetos e à indiferença. Era um ser humano tão anônimo que, pelo ângulo da imagem, parece que nem cabeça tem.
“Quando vi esta cena, fiquei imaginando quais políticas públicas realistas são ofertadas para esta parte da população praticamente esquecida – e também qual seria a legenda da minha foto: lixo humano ou humano no lixo?”, se pergunta Moryan.
Um ser humano dormindo no meio do lixo deveria chocar, mas não é o que acontece. Guarapari, como praticamente todas as cidades brasileiras, assiste ao crescimento exponencial de moradores em situação de rua.
Nos últimos anos, com o agravamento da crise econômica e social, famílias inteiras - inclusive crianças - foram despejadas de seus precários locais de moradia e acabaram indo parar nas ruas. Certamente o pior lugar onde poderiam se abrigar, mas tinha outra solução? As autoridades e a sociedade não respondem, com aquelas honrosas exceções de sempre.
“Existe uma guerra silenciosa em nossas ruas... e o pior, estamos perdendo!”, constata o indignado fotógrafo que não cansa de registrar, por meio do do seu trabalho, as mazelas sociais da sua Guarapari, do Espírito Santo e até do Brasil. Como se fosse um soldado em missão de paz combatendo a guerra.
“Convivo muito com isso em minhas caminhadas. Tanto que tive um ensaio pré-selecionado com este tema em um grande concurso de “Fotografia Mobile” da revista Fotografe, a mais destacada revista de fotografia da América Latina”, lembra, com orgulho.
Já que estamos falando de guerra, não é difícil prever que a da Ucrânia não vai muito longe, pois o conflito certamente deve terminar em breve por causa da intensa pressão internacional sobre a Rússia.
E a guerra silenciosa do Brasil? Esta não começou ontem, não tem dia e hora para acabar e não provoca indignação aqui, na ONU, na União Europeia, na Otan, na Fifa... Até agora, só tem provocado indiferença. Até quando?

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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