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Leonel Ximenes

Aos 114 anos, dona Rita recebe título de cidadã no ES

Além de vencer um câncer, ela atravessou as duas grandes guerras mundiais e  sobreviveu à epidemia da gripe espanhola e a vários surtos

Publicado em 09 de Dezembro de 2021 às 14:45

Públicado em 

09 dez 2021 às 14:45
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Dona Rita, em junho, quando foi feita esta foto, estava bem de saúde, mas agora a idosa está doente e bem fraquinha
Dona Rita, em junho, quando foi feita esta foto, estava bem de saúde, mas agora a idosa está doente e bem fraquinha Crédito: Wilson Roberto
Nascida em Mutum (MG), em 15 de janeiro de 1907, mãe de cinco filhos, com calculadamente mais de 100 descendentes, dona Maria Rita Pereira vai ganhar o título de cidadã francisquense depois de morar por quase 40 anos em Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado. Ela é a mulher mais velha ainda viva no Espírito Santo e, segundo se sabe, a terceira pessoa mais idosa do Brasil.
A honraria, proposta pelo presidente da Câmara de Vereadores, Lemão Vitorino (PSD), será recebida por Zenilda Rita de Jesus, a dona Santa, 71 anos, a filha que cuida da mãe. A idosa, que em meados do ano passado, quando foi descoberta pela coluna, ainda caminhava e até dançava, está com a saúde muito abalada e ultimamente só fica deitada e mal se alimenta.
A família vive em condições bem precárias numa casa inacabada no bairro Nova Barra. A última vez que dona Rita saiu de casa foi em junho deste ano, para ser batizada por imersão nas águas do Rio Itaúnas pelo pastor Amilton Bento, da Igreja de Deus Arca da Aliança, frequentada pela filha Zenilda no bairro Colina. A cerimônia é uma tradição da maioria das igrejas de matriz protestante, principalmente aquelas que se originaram na Igreja Batista.
“Minha mãe está muito fraquinha, já quase não ouve e não enxerga direito”, conta dona Santa, a única filha ainda viva. O mais novo, Zenildo, reapareceu depois de 30 anos sem dar notícias. Ele mora em Rondônia, onde está a maioria dos descendentes da resistente dona Rita, espalhados ainda por Mato Grosso e Paraná.
Dona Rita casou-se três vezes, a primeira aos 25 anos de idade. Logo em seguida, migrou em lombo de burro para Itabirinha de Mantena. Depois, morou em Ecoporanga e, por fim, fixou residência em Barra de São Francisco, aos cuidados de dona Santa, que disse também estar adoentada. “Às vezes penso em arranjar um asilo para mim e para minha mãe, porque nossa vida é muito difícil”, lamenta a filha.
A carteira de identidade de dona Rita prova: daqui a pouco mais de um mês, ela vai comemorar 115 anos de vida
A carteira de identidade de dona Rita prova: daqui a pouco mais de um mês, ela vai comemorar 115 anos de vida Crédito: Wilson Roberto
Ao ser homenageada nesta quinta-feira (9), dona Maria Rita torna-se Cidadã Francisquense. Uma justa homenagem para quem, ao longo da vida, atravessou duas grandes guerras mundiais, a epidemia da gripe espanhola, surtos de paralisia infantil, febre amarela, varíola e meningite.
E quanto tinha 104 anos, curou-se de um câncer de mama e está vencendo a maior pandemia da história da humanidade, a Covid, que em Barra de São Francisco chegou a matar mais de 70 pessoas em um só mês, em abril deste ano.
Quando a vacina chegou à cidade, dona Maria Rita foi a primeira pessoa vacinada pela Secretaria Municipal de Saúde, como um símbolo e um exemplo a ser seguido pelos demais cidadãos para frear os efeitos nefastos do novo coronavírus.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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