Nascida em Mutum (MG), em 15 de janeiro de 1907, mãe de cinco filhos, com calculadamente mais de 100 descendentes, dona Maria Rita Pereira vai ganhar o título de cidadã francisquense depois de morar por quase 40 anos em
Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado. Ela é a mulher mais velha ainda viva no Espírito Santo e, segundo se sabe, a terceira pessoa mais idosa do Brasil.
A honraria, proposta pelo presidente da Câmara de Vereadores, Lemão Vitorino (PSD), será recebida por Zenilda Rita de Jesus, a dona Santa, 71 anos, a filha que cuida da mãe. A idosa, que em meados do ano passado,
quando foi descoberta pela coluna, ainda caminhava e até dançava, está com a saúde muito abalada e ultimamente só fica deitada e mal se alimenta.
A família vive em condições bem precárias numa casa inacabada no bairro Nova Barra. A última vez que dona Rita saiu de casa foi em junho deste ano, para ser batizada por imersão nas águas do Rio Itaúnas pelo pastor Amilton Bento, da Igreja de Deus Arca da Aliança, frequentada pela filha Zenilda no bairro Colina. A cerimônia é uma tradição da maioria das
igrejas de matriz protestante, principalmente aquelas que se originaram na Igreja Batista.
“Minha mãe está muito fraquinha, já quase não ouve e não enxerga direito”, conta dona Santa, a única filha ainda viva. O mais novo, Zenildo, reapareceu depois de 30 anos sem dar notícias. Ele mora em
Rondônia, onde está a maioria dos descendentes da resistente dona Rita, espalhados ainda por Mato Grosso e Paraná.
Dona Rita casou-se três vezes, a primeira aos 25 anos de idade. Logo em seguida, migrou em lombo de burro para Itabirinha de Mantena. Depois, morou em
Ecoporanga e, por fim, fixou residência em Barra de São Francisco, aos cuidados de dona Santa, que disse também estar adoentada. “Às vezes penso em arranjar um asilo para mim e para minha mãe, porque nossa vida é muito difícil”, lamenta a filha.
Ao ser homenageada nesta quinta-feira (9), dona Maria Rita torna-se Cidadã Francisquense. Uma justa homenagem para quem, ao longo da vida, atravessou duas grandes guerras mundiais, a epidemia da gripe espanhola, surtos de paralisia infantil, febre amarela, varíola e meningite.
E quanto tinha 104 anos, curou-se de um câncer de mama e está vencendo a maior pandemia da história da humanidade, a
Covid, que em Barra de São Francisco chegou a matar mais de 70 pessoas em um só mês, em abril deste ano.
Quando a vacina chegou à cidade, dona Maria Rita
foi a primeira pessoa vacinada pela Secretaria Municipal de Saúde, como um símbolo e um exemplo a ser seguido pelos demais cidadãos para frear os efeitos nefastos do novo coronavírus.