“Amo mamãe. Tudo por elas vale a pena.” Não há quem discorde (será que há?) dessa declaração de amor, ainda mais proferida por um médico sanitarista, o secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, que realizou um sonho: vacinar a própria mãe com a dose de reforço (a terceira) contra a
Covid-19.
“A dose de reforço não representa somente um novo estímulo ao sistema imune de nossos pais e avós, é um novo estímulo ao reencontro dos sentimentos”, ensina Nésio, que aplicou a dose extra na sua mãe nesta terça-feira (28), à noite, na Unidade de Saúde da Família (USF) em Itaquari, Cariacica.
O filho famoso, que há quase dois anos dorme e acorda pensando na pandemia, elogia o comportamento da mãe, que pode servir de exemplo para muita gente que sonha em voltar a ter uma vida (quase) normal: “Ela foi muito disciplinada ao longo de toda a pandemia no distanciamento, e por cautela os encontros foram reduzidos. Desde a vacinação com as duas doses voltamos a ter um cotidiano familiar”, comemora Nésio.
Exemplo mesmo, que poderia ser observado pelas 334 mil pessoas que, de uma forma inexplicável, não retornaram às unidades de saúde para tomar a segunda dose da vacina contra o vírus maldito. Desse grupo, 38.694 têm mais de 60 anos e, portanto, são naturalmente vulneráveis aos efeitos do coronavírus.
“Fiz questão de divulgar o momento em que vacinei minha filha e as amigas dela e decidi fazer o mesmo com a vacinação da mãe”, explica o secretário, que pretende convencer os recalcitrantes pelo exemplo. Vale até divulgar a vacinação dos seus entes queridos nas redes sociais, estratégia utilizada por ele.
A exemplo de dona Luisa, cerca de 70 mil idosos no Espírito Santo, segundo a
Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), estão respirando mais aliviados por terem recebido a tão desejada terceira dose, que, segundo estudos científicos divulgados recentemente, confere 20 vezes mais proteção (anticorpos) a quem recebeu o imunizante.
Com tantos benefícios à saúde e à vida advindos do simples ato de se vacinar, fica difícil entender quem joga contra e até desestimula a vacinação da população. E dependendo de onde venha a desinformação ou o negacionismo, os efeitos podem ser devastadores.