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Leonel Ximenes

Acusado no ES de não querer quarentena desabafa: "É mentira, estou isolado"

Com exclusividade, coluna conversou com o paciente de Vila Velha acusado pela prefeitura de estar se recusando a cumprir os protocolos do coronavírus

Publicado em 12 de Março de 2020 às 18:37

Públicado em 

12 mar 2020 às 18:37
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Exames feitos por técnicos da Fiocruz, no Rio de Janeiro Crédito: Fiocruz
O homem acusado pela Prefeitura de Vila Velha de estar se recusando a se submeter à quarentena por causa do coronavírus conversou com exclusividade com a coluna. Ele pede para não ser identificado porque teme sofrer preconceito e discriminação na sua rotina: “A notícia não procede. Me apresentei voluntariamente para tratamento, apesar de se tratar de sintomas de uma asma que tenho há anos. Sugeri fazer o exame, por cuidado com a minha família, e estou em absoluta quarentena há dias”.
Tudo começou no dia 1º de março, quando o homem chegou ao Brasil procedente de uma viagem de trabalho aos Estados Unidos e Oriente Médio. Em seu retorno não passou pela Europa, continente que tem registrado milhares de casos de coronavírus.
O paciente tem um problema de saúde que, deduz, pode levar alguém a confundir como portador de sintomas típicos de quem contraiu o Covid-19. “Tenho asma crônica desde criança. Quase toda vez que chego de viagem ao exterior, tenho que me medicar, mas  logo depois fico restabelecido.”
Aliás, o homem diz que, diferentemente do que foi informado por autoridades de Saúde de Vila Velha, onde mora, ele não tem local de trabalho no Brasil. Portanto, não se desloca diariamente para o serviço. “Trabalho num escritório internacional e viajo todos os meses para o exterior. Quando estou no Brasil eu trabalho de casa mesmo. A acusação de que eu estaria saindo para ir ao trabalho contaminar pessoas nem sequer se encaixa no meu cotidiano.”
Na quarta dia 4, ele apresentou alguns sintomas de asma que podem, sim, admite, ser confundidos com o diagnóstico do Covid-19. No dia seguinte, se automedicou, mas, desta vez, continuou se sentindo mal. Na sexta dia 6 foi procurar um hospital particular de Vila Velha, uma rotina na vida dele sempre que tem uma crise respiratória. 
Na unidade, passou por uma triagem, por volta das 15h, e respondeu a perguntas feitas por uma atendente: se tinha tosse, dor de garganta, coriza e febre. Ele disse que sentia falta de ar e um pouco de tosse alérgica, sem febre. Logo a seguir veio, a pergunta que, segundo o paciente, levou a atendente a suspeitar tratar-se de um caso de coronavírus: “O senhor viajou?” “Sim”, ele respondeu, mas destacando que não passou pela Europa.
Ele conta que a atendente saiu do local e, minutos depois, acompanhada de outros funcionários com roupas especiais, afirmou que o paciente estava com suspeita de coronavírus e, portanto, haveria necessidade de exames. “Disse que queria mesmo fazer o teste, apesar de não imaginar que eu pudesse ter algo diferente de asma. Não sou profissional da saúde e também estou preocupado com o surto. Tenho família e me prontifiquei a realizar os exames para descartar as possibilidades”, diz o homem.
"Estou sendo acusado de uma coisa que não fiz, como se fosse um terrorista ameaçando a cidade"
Homem acusado de não se submeter à quarentena - (identificação preservada)
O paciente prometeu à equipe médica que não iria viajar e ficaria em quarentena, em casa, aguardando o resultado dos exames. Cinco horas depois de dar entrada no hospital, foi liberado, por volta das 20h.
“Com a medicação recebida no hospital fiquei bem melhor e sem sintoma algum”, conta o homem, que foi para o quarto de sua casa ficar em quarentena. O problema, segundo diz, é que ele ficou angustiado com a demora na divulgação do resultado dos exames.
Ele diz que na segunda-feira (9) ligou para o hospital onde foi atendido e o informaram que o resultado do exame não seria divulgado por eles, direcionando-o ao órgão responsável. Logo a seguir, entrou em contato com uma profissional da Secretaria de Saúde de Vila Velha que prometeu, de acordo com ele, que quando chegasse o resultado do exame, o paciente seria informado.
O paciente diz que ligou também para o Laboratório Central (Lacen) da Secretaria Estadual da Saúde e soube que o resultado do teste seria divulgado no final daquela tarde de segunda (9) pela Fiocruz, no Rio de Janeiro.
Desconfiado, ligou novamente para a profissional da Secretaria de Saúde de Vila Velha e, nervoso, como admitiu, disse: “Vou ficar em quarentena, mas vou tocar a minha vida”.
Ele reclama que ficou indignado pela suposta falta de informações sobre os procedimentos: “A minha revolta se deu pelo fato de eu não ter sido comunicado acerca da demora do processo, para que o exame deixasse o Estado rumo à Fiocruz, e à convicção de que, se eu não tivesse procurado a Secretaria, jamais teria tido retorno”.
E completa: “O descaso dos agentes públicos me tirou do sério. Mas continuo sendo um homem de família e tendo consciência e temor de Deus. Estamos diante de uma pandemia!”, reconhece.
O homem admite que essa sua indignação pode ter levado as autoridades de Saúde de Vila Velha a concluírem que ele não iria mais se submeter ao período de isolamento. “Me acusar de  estar me recusando a cumprir a quarentena é uma irresponsabilidade. Desde segunda-feira passada (dia 9), mesmo sem apresentar sintomas, estou em total reclusão, tomando os devidos cuidados e sem nenhum contato fora de casa. Para minha surpresa, fico sabendo pela imprensa que a Secretaria de Saúde de Vila Velha me acusa de não querer me submeter ao isolamento. Isso é um absurdo, fiquei indignado. Estou tomando todos os cuidados e tenho provas, como câmeras do prédio e testemunhas”, afirma.
Hoje (12), preocupado com o possível vazamento do seu nome e temendo ser discriminado, o paciente enviou uma pequena carta ao Ministério Público dizendo que continua em quarentena, em casa, mesmo não sendo notificado pelo MPES, conforme solicitou a PMVV. 
Uma outra carta ele enviou ao secretário municipal de Saúde, Jarbas Ribeiro de Assis, dando sua versão do fato. No documento, ele reclama de um  suposto descaso e da morosidade na divulgação do resultado dos exames do coronavírus e repudia o fato de terem divulgado que ele estaria se recusando a cumprir o período de quarentena. O paciente também informou que está pronto a defender-se juridicamente, caso seja necessário.
O paciente recebeu, na última terça-feira, uma notificação recomendatória da Secretaria de Saúde de Vila Velha. No documento, ele é alertado da necessidade de cumprir as determinações da quarentena e das penas a que poderá ser submetido se descumpri-las. “Concordo com todo o conteúdo da recomendação e confirmo, estou em quarentena. É uma pandemia e a situação inspira cuidados".
Na tarde de hoje (12), a Justiça determinou que o paciente acusado pela PMVV de não querer quarentena fique em casa e se submeta a exames. 

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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