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Espírito Santo

Orgulho de ser capixaba: temos razões de sobra para o capixabismo

O cenário positivo dos últimos anos certamente contribui para a elevação da autoestima capixaba, e devemos avançar no capixabismo, como um ativo que pode impulsionar ainda mais a cultura, o turismo, o futebol e a economia

Publicado em 17 de Março de 2024 às 00:45

Públicado em 

17 mar 2024 às 00:45
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

O Espírito Santo vive uma fase de elevada autoestima, com bons indicadores econômicos, fiscais e sociais e um perceptível orgulho de ser capixaba, que pode ser observado nas ruas, nas redes sociais, na moda, na crescente audiência do futebol estadual e na cultura em geral, com impactos positivos na economia, num círculo virtuoso que tende a gerar novos negócios. Esse é um fenômeno relativamente novo.
Nos anos 70 e 80, havia um debate nos meios acadêmicos sobre o que seria afinal a identidade capixaba, num Estado espremido entre vizinhos de forte tradição cultural, como Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Precisávamos ir além da moqueca – “o resto é peixada”, como dizia Cacau Monjardim. Nos anos 90, éramos o patinho feio da Federação, com as contas públicas desequilibradas e atraso nos pagamentos, índice de homicídios em alta e visibilidade negativa na mídia nacional.
Esse período passou, felizmente, com as gestões bem-sucedidas de Paulo Hartung e Renato Casagrande, e hoje o Espírito Santo é destaque nacional, indo além da nota A no tesouro nacional. O equilíbrio fiscal se traduz em bem-estar para a população: o ranking nacional da longevidade divulgado dias atrás pelo IBGE mostra que o Espírito Santo é o Estado com maior expectativa de vida aos 60 anos, superando Santa Catarina, Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul.
O índice de homicídios está em queda e a educação pública está entre as melhores do país. Dados divulgados pela Findes na semana passada, baseados no IAE – Indicador de Atividade Econômica, mostram que a economia capixaba cresceu 4,8% em 2023, bem acima da média nacional, e a indústria cresceu, 9,1%, o melhor desempenho em mais de uma década.
O cenário positivo dos últimos anos certamente contribui para a elevação da autoestima capixaba, e devemos avançar no capixabismo, como um ativo econômico que pode impulsionar ainda mais a cultura, o turismo, o futebol e a economia do Espírito Santo. Como tenho escrito aqui, precisamos ampliar nossa ambição!
Estudioso da nossa história, o professor João Gualberto Vasconcellos tem defendido que o nosso passado seja mais bem-conhecido, inclusive como disciplina nas escolas, justamente para fortalecer a nossa identidade.
Conhecer a própria história contribui para o sentimento de pertencimento. Nossa riqueza reside na diversidade de nossas origens, nos negros, índios e imigrantes italianos e alemães, entre outros, e a identidade capixaba está em construção: João Gualberto observa que ainda não temos exatamente uma persona, como acontece com o gaúcho, o baiano ou o mineiro, mas é evidente o crescente orgulho de ser capixaba.
Para avançar nessa construção, é preciso conhecer melhor o nosso passado. O professor tem se empenhado em desfazer alguns mitos, como o da barreira verde, segundo o qual o Espírito Santo teria sido condenado ao isolamento para proteger o ouro de Minas Gerais.
No Brasil Colônia, contudo, o Espírito Santo já tinha relevância econômica, o que pode ser constatado em seu patrimônio jesuítico, que por sinal está em fase de restauração pelo governo do Estado. Possuímos o mais completo e importante roteiro jesuítico do Brasil, com 137 quilômetros, indo do Santuário Nacional de São José de Anchieta, neste município, passando por Araçatiba, em Viana, e pelo Palácio Anchieta, em Vitória, terminando na Igreja de Reis Magos, na Serra. Todo esse legado arquitetônico reflete sem dúvida a nossa importância econômica na época.
Santuário de São José de Anchieta é reaberto ao público após três anos em reforma
Santuário de São José de Anchieta é reaberto ao público após três anos em reforma Crédito: Vitor Jubini
Esse circuito certamente tem potencial para atrair turistas do mundo inteiro. Secretário Executivo da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-ES, José Antônio Bof Buffon anda animado com as perspectivas do setor e tem elencado os nossos maiores ativos a serem explorados e ampliados, atraindo turistas do Brasil e do mundo, entre eles a Festa da Penha, o Caparaó, Itaúnas e Guarapari, além da possibilidade de atração de navios cruzeiros de grande porte.
Estimativas da Câmara de Turismo indicam que Vitória tem potencial para atrair até 40 cruzeiros por ano, cada um com cerca de 5 mil a 6 mil passageiros, com atracação – naturalmente em embarcações menores - no final da Curva da Jurema, em píer a ser construído no pé do Hotel Senac. Imagine o impacto disso no comércio local.
No futebol capixaba, o presidente da Federação do Espírito Santo, Gustavo Vieira, tem apresentado bons resultados, apostando na profissionalização do esporte. O Rio Branco consolidou o processo e tornou-se a primeira Sociedade Anônima do Futebol – SAF, modelo de operação equiparado a uma empresa, facilitando a atração de investidores e patrocinadores, alavancando recursos para estrutura, elenco e ações de marketing, e os resultados já são perceptíveis, pois teve na primeira fase do Capixabão o maior público presente em seus jogos, 3 vezes maior do que o segundo colocado. A Desportiva segue o mesmo caminho e deve concluir o processo até o fim do ano.
No ano passado, o Capixabão contou com 10 clubes e 250 atletas, alcançando mais de 4 milhões de visualizações incluindo as transmissões via TV aberta e streaming. A tendência é de crescimento e profissionalização do esporte, contribuindo para fortalecer a nossa identidade e autoestima.
Na cultura, que exerce papel crucial no impulsionamento do turismo ao valorizar a história, as artes, a culinária e as tradições locais, o secretário estadual Fabrício Noronha também tem apresentado bons resultados com a moderna LICC – Lei de Incentivo à Cultura Capixaba.
Neste ano, a LICC deve contar com R$ 15 milhões para fomento e expansão da produção cultural no Estado, sem falar na perspectiva do novo Cais das Artes, que deverá estar concluído nos próximos dois anos, inserindo de vez o Espírito Santo no circuito cultural nacional.
Da indústria ao futebol, passando por indicadores sociais, vemos o Espírito Santo pocando no cenário nacional, para utilizar uma expressão regional. Soubemos fazer essa transição nas últimas décadas. Devemos agora cuidar de preservar e evoluir com esse patrimônio, para continuar arrebentando a boca do balão.

Léo de Castro

Empresario, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaco, aborda economia, inovacao, infraestrutura e ambiente de negocios.

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