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Municípios

Grande Vitória: a boa política na prática em cada município

O ideal, inclusive, é que as gestões das cidades da Grande Vitória, juntamente com o governo do Estado, pudessem avançar em uma gestão metropolitana

Públicado em 

21 jan 2024 às 01:30
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Em artigo no fim do ano passado, observei que o Brasil e o Espírito Santo vivem um momento positivo, com boas perspectivas para 2024. Em linhas gerais, o país aprovou a reforma tributária, a inflação está sob controle, juros e desemprego em queda. O Espírito Santo tem capacidade de investimentos com recursos próprios superior a R$ 2 bilhões e há anos é referência nacional em equilíbrio fiscal. Agora podemos somar a esse cenário o bom desempenho de todas as prefeituras da Grande Vitória, que também possuem gestões equilibradas e com boa capacidade de investimentos.
O Brasil tem cerca de 5,6 mil municípios. Levantamento da Firjan – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro divulgado em outubro passado mostrou que 30% dos municípios do país não têm receita suficiente para custear o básico para manter a prefeitura e a Câmara de Vereadores.
Mais da metade dos municípios, ou 55%, tem nível considerado crítico para cobrir esses gastos básicos e somente 25% tem gestão considerada excelente.
As prefeituras da Grande Vitória, felizmente, pertencem ao restrito grupo das cidades com gestões eficientes.
Começando pela Capital, a Prefeitura de Vitória deslanchou ainda em 2021 um amplo pacote de investimentos de quase R$ 2 bilhões, que vem sendo desenvolvido ao longo da gestão do prefeito Lorenzo Pazolini.
Dados da prefeitura indicam que, de janeiro de 2021 a novembro de 2023, foram lançadas licitações que somam R$ 1,8 bilhão, entre obras e equipamentos, com destaques como a nova Orla Noroeste, em São Pedro; a reformulação e urbanização da Rua da Lama, em Jardim da Penha e da Curva da Jurema, vários projetos de melhoria de mobilidade, além da construção de oito novas escolas e reformas de unidades de saúde.
A cidade de Vitória tem se destacado nacionalmente, ganhando visibilidade na imprensa nacional e chamando a atenção de gestores públicos de todo o Brasil.
Na Serra, balanço parcial da prefeitura, sob gestão do prefeito Sérgio Vidigal, indica que somente em 2022 e 2023 foram mais de R$ 570 milhões em investimentos, sendo hoje a cidade com o maior PIB do Estado e a que mais gera empregos.
Os investimentos incluem obras estruturantes como drenagem e pavimentação de vias nos bairros e a construção da Rotatória do Ó; a revitalização de praças e ampliação dos espaços de lazer. A expectativa da gestão é entregar mais de 100 quilômetros de ruas e avenidas pavimentadas e recapeadas até junho deste ano.
Em Vila Velha, a gestão do prefeito Arnaldinho Borgo, em parceria com o Estado e alinhado com o governador Renato Casagrande, está executando um robusto programa de R$ 3,5 bilhões em infraestrutura urbana. Os investimentos incluem reformas e construções de escolas, obras de macrodrenagem e pavimentação de ruas.
Além disso, a administração vem desenvolvendo dois projetos para planejar o futuro da cidade, em parceria com a Fundação Dom Cabral, ouvindo a sociedade e o setor produtivo. São eles o “Vila Velha 500 Anos” e o “Vila Velha Ágil”, lançados no mês passado. A ideia é realizar um planejamento estratégico até 2035, quando a cidade completará 500 anos de história.
Em Cariacica, no balanço da gestão no fim do ano passado, o prefeito Euclério Sampaio destacou um pacote de investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão, sendo que neste ano serão R$ 225 milhões, num recorde para a cidade.
Os investimentos incluem obras de drenagem e pavimentação, construção de pontes e escadarias e a Nova Orla de Cariacica, em Porto de Santana. Essa obra foi batizada com o nome de meu pai, Senador Sérgio Rogério de Castro, uma homenagem que a família agradece. A solenidade de inauguração no fim do ano passado foi uma grande festa que reuniu cerca de 20 mil pessoas.
Em Viana, o município com o menor PIB da região metropolitana, o prefeito Wanderson Bueno estabeleceu parceria com o Estado e vem realizando investimentos próximos de R$ 500 milhões, com a execução de cerca de 300 obras nesses 3 anos de gestão.
Uma das prioridades é o investimento em drenagem e pavimentação das ruas ao longo deste ano, evitando enchentes como as que atingiram a cidade no fim de 2022, levando à decretação de calamidade.
Esse passeio pela Grande Vitória nos mostra que a região metropolitana é uma ilha em meio aos milhares de municípios no país que não conseguem custear o básico da máquina administrativa.
Templo nublado
Vista de Vitória a partir do Convento da Penha, em Vila Velha Crédito: Carlos Alberto Silva
O ideal, inclusive, é que as gestões das cidades da Grande Vitória, juntamente com o governo do Estado, pudessem avançar em uma gestão metropolitana, unificando e otimizando serviços comuns em áreas como transporte e guarda municipal, por exemplo, o que poderia resultar em utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.
É preciso reconhecer e estimular os bons exemplos nas gestões municipais, porque esses resultados não caem do céu. Gestões equivocadas do passado já levaram a atrasos no pagamento de servidores e fornecedores, com deterioração dos serviços públicos. E como mostra o estudo da Firjan, a realidade que vivemos na Grande Vitória não é a realidade predominante nas cidades do país.
A boa política, praticada por gestores responsáveis e competentes, que colocam o interesse da população acima dos interesses partidários e pessoais, praticada no Espirito Santo, e que possibilitou em geral parcerias fundamentais entre o Estado e os municípios, tem sido o grande catalizador desses resultados que estamos colhendo. Que possamos continuar e aperfeiçoar cada vez mais essa construção pró-cidadão.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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