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Coronavírus

Bolsonaro é o líder do negacionismo em tempos de pandemia

O que se revela agora, no meio da pandemia, é algo ainda mais grave: o presidente não tem limites quando se trata de negar a existência da maior crise sanitária enfrentada pela humanidade

Publicado em 19 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

19 jun 2020 às 05:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Presidente da República, Jair Bolsonaro, participa por videoconferência
Presidente da República, Jair Bolsonaro, participa por videoconferência Crédito: Marcos Corrêa/PR
São tantas as crises provocadas pelos intempestivos atos e declarações do presidente Bolsonaro que fica difícil escolher qual delas é a mais relevante. Por isso, proponho colocar de lado as crises que dizem respeito à política – a tal briga entre os poderes no joguinho de estica-a-corda-pra-lá e estica-a-corda-pra-cá – para comentar apenas as que tratam da pandemia da Covid-19 que, querendo ou não o presidente, é o maior problema enfrentado pela humanidade nos últimos 100 anos.
A primeira delas, a tentativa de manipulação das estatísticas de casos comprovados de contaminação e de vítimas fatais. Foi uma sucessão de equívocos lamentáveis e de desrespeito ao povo brasileiro. A começar pela decisão de retardar a divulgação dos dados para evitar que a notícia fosse dada pelo “Jornal Nacional”, como se isso fosse dificultar o acesso da população à escalada da pandemia. A notícia continuou a ser divulgada em edição extraordinária. E, convenhamos, mesmo se fosse conhecida no dia seguinte, o impacto da informação junto à população não seria menor.
Em seguida, o equívoco ainda maior de tentar manipular os números sob a argumentação de “mudança na metodologia”. A “nova metodologia”, ao suprimir das estatísticas as mortes de dias anteriores – que pelo método utilizado universalmente são anunciadas no dia da confirmação da doença – chegou a ponto de o Ministério da Saúde divulgar dois números de mortes diferentes num único dia.
O fiasco resultou na desmoralização das estatísticas do ministério e na divulgação da evolução da doença por um consórcio de órgãos da imprensa. O governo ficou tão mal na fita – recebendo uma enxurrada de críticas inclusive de organismos internacionais – que foi obrigado a voltar atrás.
Para completar a onda de desvarios no trato com a pandemia – se não bastasse a tortura dos números ao insistir em ficar dividindo a quantidade de contaminados pelo total da população, como se isso fosse diminuir a gravidade do problema –, o presidente ainda cai no desvario de incentivar seus adeptos a entrar nos hospitais para conferir se há ou não leitos vazios, numa clara insinuação de que as secretarias estaduais de saúde estariam mentindo à população.
As consequências do desvario presidencial foram criminosas: no dia seguinte, um grupo invadiu um hospital no Rio e, em seguida, cinco deputados entraram sem autorização no Hospital Dório Silva. Um absurdo, um ato ilegal, e um desrespeito aos profissionais de saúde que tanto se empenham para salvar o povo brasileiro da pandemia enquanto o presidente da nação rema em sentido contrário.
Que o presidente já desprezava a ciência já se sabia. É conhecida também a sua insensibilidade com relação à quantidade de mortes ocasionadas pela doença. O que se revela agora é algo ainda mais grave: o presidente não tem limites quando se trata de negar a existência da maior crise sanitária enfrentada pela humanidade.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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