Aos demais problemas crônicos que a nação enfrenta, somam-se outros dois fatores impactantes: a crise econômica e a pandemia do novo coronavírus. Com isso, pode-se aferir um pouco da gravidade desta que é uma das maiores crises da história recente do Brasil e, infelizmente, o país está sendo governado, neste período, por um dos presidentes menos preparados para enfrentar uma situação de tamanha relevância.
Enquanto líderes de esquerda e de direita de diversos outros países defendem que a população evite saídas desnecessárias e, principalmente, não participem de aglomerações, redobrem o cuidado com higiene e diminuam o contato físico, o presidente Jair Bolsonaro convocou manifestações a favor de seu governo e contra as instituições democráticas.
Além da pauta ilegal e inconstitucional do movimento conclamado por Bolsonaro, o presidente desrespeitou as orientações de organizações de saúde internacional e, até mesmo, de seu ministro da Saúde. Num gesto de total irresponsabilidade, sem nenhuma proteção, foi até a aglomeração que convocou e não hesitou em dar aperto de mãos e tirar fotos com os celulares de seus asseclas. Como oportunamente dito em editorial de A Gazeta, ao assim se comportar, Bolsonaro deu as costas à população.
Desde antes disso, Bolsonaro já tentava diminuir a relevância da pandemia do coronavírus, à qual se referiu como uma fantasia e histeria. Um de seus filhos chegou ao cúmulo de afirmar que o coronavírus teria sido criado em laboratório pelo Partido Comunista Chinês, o que gerou tremendo constrangimento com aquela nação, com a qual o Brasil ainda mantém relações diplomáticas e fundamentais relações comerciais.
No afã de endossar as falas de Bolsonaro, seus apoiadores dizem que no Brasil, mais se morre de dengue, zika e tuberculose, por exemplo, do que da Covid-19, como se isso demonstrasse que o coronavírus é inofensivo. Na verdade, o oposto acontece! De fato, muito se morre no Brasil por outras doenças ainda fora de controle, porém, isso indica que o sistema de saúde não está dando conta da demanda e que a situação pode se agravar com o avançar da pandemia do coronavírus, capaz de gerar um colapso nos serviços de saúde caso o número de infectados aumente exponencialmente e em momento concomitante.
Aliás, o coronavírus, para Bolsonaro e seus fãs só serve para justificar o aumento do dólar, a timidez do crescimento do PIB e para condenar os panelaços que se espalham por todo o país contra a inapetência do governo bolsonarista em enfrentar de modo efetivo e sério as questões nevrálgicas que cobram por soluções.
Neste momento, em especial, lembremo-nos que Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, pediu a realização de exame de sanidade mental em Bolsonaro, e Janaína Paschoal, outra autora do impeachment, quer o afastamento de Bolsonaro por conta da forma imatura e inconsequente como ele lida com a crise atual.
Então, não escutemos Bolsonaro, vamos dar o crédito aos cientistas que foram tão perseguidos por seu governo: o coronavírus não é uma fantasia ou histeria, nem é exagero tomar medidas técnicas para evitar a rápida propagação do vírus, por isso, é importante aumentar os cuidados com higiene, evitar levar as mãos ao rosto, sair de casa apenas quando estritamente necessário, não participar de aglomerações e ter atenção em especial com as pessoas do grupo de risco (idosos, diabéticos, hipertensos, pessoas com insuficiência renal crônica, doença respiratória crônica, doença cardiovascular e pacientes oncológicos ou que finalizaram o tratamento recentemente).