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Ataque à democracia no Brasil

Atos golpistas: avanço do PL da anistia no Congresso não tem cabimento

Manifestantes do 8 de janeiro precisam responder pelos seus atos criminosos. Defender a anistia é abrir caminho para ferir de morte os valores democráticos consagrados na Constituição

Públicado em 

28 jun 2024 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Creio que ninguém duvida que, no Brasil, houve uma tentativa explícita de golpe de Estado gestada no governo de Jair BolsonaroTodos os movimentos do então presidente evidenciaram o seu desejo de continuar no poder a qualquer custo, seja nas manifestações de rua dos seus seguidores, na campanha para desacreditar a lisura das urnas eletrônicas, na procura do apoio das Forças Armadas, ou nas manobras para colocar em dúvida os resultados das eleições. Os apoiadores de Bolsonaro seguiam o seu script anunciado nas postagens que inundaram as redes sociais e se tornaram cada vez mais radicais – no discurso e nas ações –, na defesa dos propósitos do seu chefe.
Foi nesse ambiente que proliferaram as manifestações públicas de 7 de setembro, cobertas de verde-amarelo – não para comemorar a independência do país, mas para demonstrar apoio ao Capitão Jair –, e os acampamentos às portas dos quartéis das Forças Armadas pedindo com todas as letras uma intervenção militar. Não era preciso perguntar a qualquer um dos manifestantes para saber que o que eles queriam era uma intervenção dos militares, à moda de 1964, com Bolsonaro no poder.
Foi nesse clima que germinou a tentativa de explodir uma bomba em um caminhão-tanque com querosene de aviação estacionado próximo ao aeroporto de Brasília, na véspera do Natal de 2022, felizmente frustrada pela falha do detonador. Os autores do atentado confessaram que a motivação da ação foi a insatisfação com a derrota de Bolsonaro nas eleições. Foi esse mesmo descontentamento que levou multidões de bolsonaristas a Brasília para, no dia 8 de janeiro, depredarem os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
Quem participou das depredações sabia o que estava fazendo. A intenção era gerar um ambiente de desordem generalizada que fizesse com que as Forças Armadas tomassem a atitude de assumir o poder, afastar Lula e, é claro, colocar em seu lugar o Capitão Jair. Foi aí que o leite azedou, porque o desejado apoio das Forças Armadas não veio e os depredadores acabaram sendo presos e processados.
Os manifestantes que participaram das depredações não são senhores e senhoras de bem, que não sabiam a gravidade dos atos que praticavam. Eles foram a Brasília, acamparam em frente ao Quartel-General do Exército e marcharam para a praça dos Três Poderes conscientes do que estavam fazendo. Para eles não importava se a depredação era um vandalismo contra o patrimônio nacional e uma agressão ao Estado Democrático de Direito. Eles queriam o poder para o Capitão Jair.
Por todas essas razões, não tem cabimento o Congresso Nacional dar acolhida ao projeto de lei que visa anistiar os manifestantes do 8 de janeiro. Eles são maiores de idade, tinham plena consciência do que estavam fazendo e precisam responder pelos seus atos criminosos de colocarem em risco a democracia brasileira. Defender a anistia é abrir caminho para ferir de morte os valores democráticos consagrados na Constituição cidadã.
Da mesma forma, não deve prosperar o projeto que proíbe a validação de delações premiadas fechadas com delatores presos e criminaliza a divulgação do conteúdo dos depoimentos. Trata-se de uma tentativa clara de anular a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que incrimina Bolsonaro no caso dos desvios de joias do acervo da presidência da República e, de quebra, inviabilizar de vez todas as delações e a descoberta de crimes do colarinho branco. É mais uma manobra explícita de tentar evitar que se cumpra a lei e de criar um jeitinho – tão ao gosto dos políticos (e magistrados) brasileiros – para que a História seja reescrita, mais uma vez, em favor dos detentores do poder e em desfavor do povo.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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