Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Brasil

Bolsonaro e o preparo escancarado do golpe de Estado

Os últimos atos divulgados sobre a investigação demonstram com clareza que o malogro do golpe de Estado se deu pela não adesão da maior parte das Forças Armadas

Públicado em 

01 mar 2024 às 02:10
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Se alguém ainda tinha dúvidas que Bolsonaro preparava um golpe de Estado para impedir que Lula tomasse posse ou permanecesse no governo se tivesse sido empossado, essas dúvidas devem ter se dissipado de vez com a divulgação do vídeo da reunião de 5 de julho de 2022 na qual o presidente da República reuniu a cúpula militar.
O vídeo, encontrado pela Polícia Federal no computador do ajudante de ordens da presidência Mauro Cid, Bolsonaro conclama os seus ministros a dar declarações questionando a lisura do sistema eleitoral e ouve do seu ministro da Defesa que o TSE é inimigo do governo. Na reunião, Bolsonaro chega a receber sugestões sobre como a virada de mesa poderia ocorrer, como a feita pelo seu chefe do Gabinete de Segurança Institucional, GSI, Augusto Heleno.
Convenhamos, as intenções de Bolsonaro não eram, e não são, novidades para ninguém. Desde que ele, dia sim e outro também, passou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, era evidente que ele seguia o roteiro de Trump que, nos Estados Unidos, decidiu centrar fogo nas críticas ao sistema eleitoral.
Nas eleições norte-americanas, o ápice do movimento foi a invasão do Capitólio para tentar impedir a posse de Joe Biden em 6 de janeiro de 2021. No caso brasileiro, foi a depredação dos prédios do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional em 8 de janeiro de 2022.
Mas, para compor o inquérito em andamento na Polícia Federal e suprir a necessidade de materialidade das provas, é preciso juntar comprovações lastreadas por vídeos, áudios, mensagens de texto, documentos e depoimentos, que permitiriam embasar as próximas medidas a serem adotadas pela Justiça.
E pelo que se verifica na profusão de informações apuradas nas investigações já realizadas, há provas suficientes para perceber que o inquérito está em sua fase final. Resta, talvez, tão somente reunir mais informações sobre os financiadores e patrocinadores dos acampamentos dos bolsonaristas que foram montados próximos aos quartéis do Exército.
Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo
Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo Crédito: Danilo Verpa/Folhapress
Os últimos atos divulgados sobre a investigação demonstram com clareza que o malogro do golpe de Estado se deu pela não adesão da maior parte das Forças Armadas. Não era sem razão que os manifestantes, tanto nos acampamentos quando nas depredações do 8 de janeiro, conclamavam por intervenção militar.
Prevaleceu o bom senso da maior parte dos comandantes militares, embora tenha ficado evidente que parte dos militares chegou a flertar com o golpe que manteria Bolsonaro no poder sabe-se lá por quanto tempo. Afinal, ninguém desconhece o caso de amor de Bolsonaro com o movimento militar de 1964 que ficou 21 anos no poder.
As mais recentes revelações da Polícia Federal demonstram, mais uma vez, a grande responsabilidade do atual governo – e particularmente do presidente Lula – com a manutenção do regime democrático no país. Está mais do que claro que o Brasil correu o risco real de voltar a ter no poder um regime autoritário que não teria maiores apreços pelo Estado Democrático de Direito.
Foi assim no período 1964-1985 quando os partidos políticos foram extintos e não havia eleições diretas para presidente da República e, por 15 anos, nem eleições diretas para governador dos estados e prefeito das capitais. Foi o tempo da censura, da cassação de mandatos e suspensão de direitos políticos, da decretação de recessos do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e da proibição da concessão de habeas corpus.
A responsabilidade do atual governo não deve se restringir ao simples discurso de defesa da democracia – até porque muitos dos seus apoiadores também flertam com regimes autoritários – mas também chegar à sensatez de bem conduzir os interesses e o destino do Estado brasileiro.
Essa sensatez deveria contemplar, por exemplo, o equilíbrio fiscal – tão em risco com o atual déficit anual de R$ 230 bilhões –, o enfrentamento das milícias e do tráfico de drogas – que inferniza boa parte das zonas urbanas – e, também, o afastamento do Brasil das ditaduras e dos grupos terroristas na política internacional.
Seria isso sonhar muito?

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
A história por trás da tradição de comer ovos de chocolate na Páscoa
Abertura da exposição ''Amazônia'', do renomado fotógrafo Sebastião Salgado
No Cais das Artes, a emblemática mostra de Sebastião Salgado
Imagem de destaque
As doenças antes incuráveis que estão ganhando tratamentos graças à IA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados