O design aliado à regeneração ambiental ganha um novo fôlego com o lançamento da Cadeira Marina, a mais recente integrante da linha Oceano +Clean da Tramontina. O diferencial do modelo, fabricado na unidade de Pernambuco, reside na sua composição: utiliza polímeros reciclados provenientes de resíduos coletados em praias brasileiras por meio de parcerias com ONGs como a Eco Local Brasil.
O projeto reforça a economia circular ao dar um destino nobre ao que seria poluição, alcançando a impressionante marca de 1.000 toneladas de plástico reciclado pela marca em 2025. A Cadeira Marina destaca-se como o primeiro modelo da coleção a apresentar acabamento brilhoso, unindo a resistência do polipropileno e da fibra de vidro a uma estética contemporânea.
Disponível nas cores Azul Yale e Verde Oliva, a peça suporta até 154 kg e chega ao mercado como a opção mais acessível da linha, democratizando o acesso ao mobiliário sustentável sem abrir mão da rastreabilidade total da matéria-prima. A iniciativa integra a plataforma Tramontina Transforma, que consolida as práticas ESG da empresa por meio de embalagens ecológicas e processos de baixo impacto.
Mais do que um móvel funcional, a Marina é um exemplo de como a indústria pode converter passivos ambientais em produtos de valor estético e durabilidade, provando que o compromisso com o planeta é, hoje, o melhor acabamento que o design pode oferecer.
A Versatilidade de Miguel Paiva
Conhecido por dar vida a ícones do imaginário nacional como a irônica Radical Chic e o nostálgico Gatão de Meia Idade, Miguel Paiva consolidou, ao longo de seis décadas, uma carreira multifacetada que atravessa o jornalismo, a literatura e a dramaturgia. Com passagens marcantes pelo histórico O Pasquim e parcerias memoráveis com nomes como Luis Fernando Verissimo, seu traço sempre foi um termômetro de comportamento e crítica social.
No entanto, é no silêncio do atelier que o artista tem revelado uma produção autoral densa, distanciando-se do humor imediato para mergulhar em novas linguagens visuais. Nesta sua produção mais recente — disponível na galeria on-line Decoranea — Paiva troca o nanquim das redações pela tinta acrílica e pelo pastel oleoso, explorando telas de grandes formatos e papéis italianos de alta gramatura.
A série "Papéis Pintados" é um exemplo claro dessa transição: nela, o papel deixa de ser suporte para se tornar protagonista, onde pinceladas espontâneas e texturas marcantes reinterpretam o universo feminino.
São recortes de pernas, sapatos de salto e silhuetas que evocam uma estética pop sofisticada, carregada de cor e de uma sensibilidade que o olhar clínico do cartunista lapidou por anos.
Essa faceta menos conhecida do grande público reafirma Miguel Paiva como um artista que domina a precisão da linha e a força da composição. Ao destacar detalhes superfemininos e objetos cotidianos — como rádios antigos e vestidos listrados — sem o peso da erotização, ele convida o espectador a uma pausa contemplativa.
Para o design de interiores, suas obras trazem não apenas o valor de um nome histórico, mas a energia de uma arte viva, que une a bagagem da crônica urbana à leveza da pintura contemporânea.
Exposição coletiva inspirada na poesia de Leminski
Inspirada em poema de Paulo Leminski, "Espaçotempo" reúne 32 artistas em uma exposição coletiva que investiga a noção de tempo a partir de diferentes práticas e materialidades. Nomes como Ana Herter, Anna Bella Geiger, Esther Bonder, Liane Roditi, Panmela Castro, Raul Mourão e Yoko Nishio apresentam trabalhos em pintura, desenho, escultura, fotografia, gravura, vídeo, objeto, bordado, serigrafia, tear e ações interativas constroem um campo plural de pesquisas.
As obras articulam gestos, processos e camadas de permanência e transformação. Propondo uma reflexão sobre as múltiplas percepções do tempo a partir de experiências subjetivas, memórias e atravessamentos íntimos, a exposição coletiva "Espaçotempo" abre no dia 1º de março de 2026, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, e permanece em cartaz até 3 de maio de 2026.
Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a mostra reúne 32 artistas contemporâneos. Inspirada no poema "O mínimo do máximo", de Paulo Leminski (1944–1989), a exposição articula questões que transitam entre o individual e o coletivo, entre o real e o imaginado, deslocando a ideia de tempo de uma leitura linear e cronológica.
Poeta que atravessou a literatura brasileira com humor, síntese e pensamento afiado, Leminski aparece aqui como um disparador sensível: seu poema abre um campo de ressonâncias entre palavra e imagem, em diálogo com as artes visuais. “Espaçotempo nasce do desejo de pensar o tempo para além da cronologia. Interessa menos a sequência e mais a experiência, aquilo que permanece, retorna ou se transforma na relação entre memória, corpo e imaginação”, afirma a curadora Isabel Sanson Portella.
As obras apresentadas percorrem uma ampla variedade de suportes e linguagens, como pintura, desenho, escultura, vídeo, ação interativa, tear, serigrafia, fotografia, gravura, bordado e objeto, evidenciando a diversidade de pesquisas e procedimentos que atravessam a exposição.
Participam da mostra Ana Carolina Videira, Ana Herter, Ana Zveibil, Anna Bella Geiger, Antonio Bokel, Aruane Garzedin, Ashley Hamilton, Breno Bulus, Cláudia Lyrio, Esther Bonder, Fernanda Sattamini, Flavia Fabbriziani, Giba Gomes, Gláucia Crispino, Heloísa Madragoa, Jaime Acioli, Liane Roditi, Manoel Novello, Manu Gomez, Maristela Ribeiro, Marlene Stamm, Michelle Rosset, Mônica Pougy, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrizia D'Angello, Pedro Carneiro, Raul Mourão, Renata Adler, Stella Mariz, Vicente de Melo e Aldonis Nino, Virgínia Di Lauro e Yoko Nishio, artistas oriundos de estados como Bahia, Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro, além dos Estados Unidos.
“A exposição se constrói na diversidade de olhares e na compreensão de que cada experiência do tempo é única, atravessada por histórias pessoais, afetos e modos singulares de estar no mundo”, completa Isabel. Ao reunir poéticas tão distintas, Espaçotempo propõe um campo de experiências no qual o tempo se apresenta como matéria viva — algo que se dobra, se acumula e se reinventa no encontro entre obra, espaço e público.
MAIS ISABELA CASTELLO
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