Isabela Castello, administradora e designer é apaixonada pelo universo criativo e pela natureza. Escreve sobre criatividade e a economia criativa com ênfase nos conteúdos sobre arte e design autoral.

"Greve Negra Já!": a potência política de Luciano Feijão no MAES

Exposição parte da problematização sobre as subjetividades negras, sistematicamente moldadas pela exploração do trabalho e pela violência institucional

Publicado em 08/03/2026 às 01h58
Atualizado em 08/03/2026 às 04h58
 Greve Negra
A mostra apresenta uma investigação estética e uma proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro. Crédito: Divulgação

O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição "Greve Negra Já!", projeto do artista Luciano Feijão em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e uma proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando os paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram — e ainda sustentam — estruturas de dominação racial em nossa sociedade.

 Greve Negra
Reunindo desenhos e instalações, as obras constroem uma arena crítica que evidencia as engrenagens da desigualdade e a naturalização da precarização da vida . Crédito: Divulgação

Com curadoria de Renato Lopes (SP), a exposição parte da problematização sobre as subjetividades negras, sistematicamente moldadas pela exploração do trabalho e pela violência institucional. Reunindo desenhos e instalações, as obras constroem uma arena crítica que evidencia as engrenagens da desigualdade e a naturalização da precarização da vida. É um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo-os com outras formas de leitura da existência e da experiência negra.

 Greve Negra
A exposição é um ponto alto a pesquisa do autor sobre o corpo como território de resistência e transformação. . Crédito: Divulgação

A mostra, que segue em cartaz até o dia 26 de abril de 2026, reafirma o papel do MAES como espaço de reflexão sobre as feridas abertas da nossa história e a urgência de novas narrativas visuais. Para quem acompanha a trajetória de Feijão, a exposição é um ponto alto de sua pesquisa sobre o corpo como território de resistência e transformação.

Caravela: o triunfo do design regenerativo brasileiro no iF Award

 Infinito Mare
O projeto é um sistema contínuo de monitoramento e que utiliza o crescimento de algas nativas para filtrar águas de rios, lagoas e baías. Crédito: Divulgação

A Caravela, estação ecológica flutuante desenvolvida pela empresa brasileira Infinito Mare, acaba de conquistar o prestigiado iF Design Award 2026 na categoria de Melhor Design de Produto.

O projeto é um sistema contínuo de monitoramento e que utiliza o crescimento de algas nativas para filtrar águas de rios, lagoas e baías. O reconhecimento do júri destaca a integração excepcional entre forma e função, provando que a indústria pode — e deve — ser regenerativa e guiada pela inteligência da natureza.

 Infinito Mare
O design da peça é assinado pelo premiado Furf Design Studio, que traduziu a complexidade científica em uma presença escultural e simbólica. Crédito: Divulgação

O design da peça é assinado pelo premiado Furf Design Studio, que traduziu a complexidade científica em uma presença escultural e simbólica. Para Rodrigo Brenner, cofundador do estúdio, a Caravela vai além do objeto: "Aqui, o design não é decoração; é significado, função e diálogo com o território.

Ela sinaliza cuidado, regeneração e responsabilidade". A forma, inspirada pela própria natureza, atua como uma intervenção urbana que gera dados ecológicos cruciais para a resiliência climática das cidades.

 Infinito Mare
O projeto, da Infinito Mare, empresa brasileira de inovação, posiciona o Brasil na vanguarda do design regenerativo e do urbanismo sensível ao clima. Crédito: Divulgação

O projeto, da Infinito Mare, empresa brasileira de inovação, posiciona o Brasil na vanguarda do design regenerativo e do urbanismo sensível ao clima, apontando caminhos para cidades inteligentes e resilientes, moldadas não apenas por tecnologia, mas por um design que escuta a natureza. É o design brasileiro mostrando que a beleza, quando aliada ao propósito e à ciência, tem o poder de regenerar ecossistemas inteiros.

O olhar analógico de Joaquim Paiva sobre Brasília

Analógico de Joaquim Paiva
Pela primeira vez em terras capixabas, a mostra reúne 20 fotografias analógicas selecionadas pelo próprio autor. Crédito: Divulgação

A Mosaico Fotogaleria inaugura sua programação de 2026 com uma exposição de peso histórico e afetivo: “Rodoviária de Brasília”, do fotógrafo, diplomata e colecionador Joaquim Paiva.

Natural de Mimoso do Sul (ES), Joaquim consolidou-se como um dos nomes mais relevantes da fotografia brasileira. Pela primeira vez em terras capixabas, a mostra reúne 20 fotografias analógicas selecionadas pelo próprio autor, registradas entre 1981 e 1984, no coração do Plano Piloto.

Analógico de Joaquim Paiva
As imagens focam na diversidade do povo trabalhador que, vindo de todos os cantos do país, moldou a identidade de Brasília . Crédito: Divulgação

As imagens focam na diversidade do povo trabalhador que, vindo de todos os cantos do país, moldou a identidade da jovem capital. Para o fotógrafo e sócio da Mosaico, Gabriel Lordello, Joaquim captou com sensibilidade ímpar a simplicidade e as sutilezas do cotidiano da época.

“É uma pesquisa de quatro anos que apresenta cenas repletas de significados, com uma estética suave onde a textura e as cores do filme analógico tornam o registro ainda mais único”, destaca Lordello.

Analógico de Joaquim Paiva
A exposição é uma oportunidade rara de contemplar o rigor técnico e a humanidade de um artista que manteve o olhar atento às raízes brasileiras . Crédito: Divulgação

A exposição é uma oportunidade rara de contemplar o rigor técnico e a humanidade de um artista que, embora tenha percorrido o mundo na carreira diplomática, manteve o olhar atento às raízes brasileiras. A mostra segue em cartaz até o dia 25 de abril, na Mosaico Fotogaleria, em Vitória. As visitas são gratuitas e devem ser agendadas com antecedência pelo número (27) 99943-0831.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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