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Não é simples

Seleção tem crise de identidade e sofre choque de realidade do Uruguai

Brasil ainda tem um time que carrega a herança do futebol de Tite, mas, que também tenta assimilar o "Dinizismo", que obviamente precisa de tempo e treino para dar certo, o que Fernando Diniz não terá. Sem identidade, fica difícil evoluir

Publicado em 18 de Outubro de 2023 às 02:00

Públicado em 

18 out 2023 às 02:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Uruguai venceu o jogo em que o Brasil jogou muito mal
Uruguai venceu o jogo em que o Brasil jogou muito mal Crédito: Wesley Santos/Folhapress
Não será da noite para o dia que a Seleção Brasileira encontrará um caminho, após seis anos e meio sob o comando de Tite. Mas não é por isso que o nível tem que baixar tanto. Após um início animador, o time de Fernando Diniz sofreu um choque de realidade nas últimas duas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo. Em crise de identidade, o elenco, que boa parte é herança de Tite, ainda não assimilou o “Dinizismo”, e parece mal saber o que fazer com a bola.
É claro que para entender a dinâmica de Diniz é necessário tempo e treinamento. O que o técnico não terá, e assumiu a Seleção já ciente disso. Então ele é o responsável, por exemplo, por Vinícius Junior, um jogador que precisa de espaço para arrancar em velocidade, ser obrigado a jogar encaixotado em um amontoado de jogadores de sua equipe e ainda sofrendo uma forte marcação. Não vai funcionar nunca. Esse é só um exemplo tático entre tantas observações que poderiam ser feitas no time que é um deserto de ideias.
Existem várias perguntas que precisam ser respondidas: Diniz será capaz de fazer os convocados jogarem ou seu estilo, ou vai abrir mão do seu modo de jogar para retirar o que cada jogador tem de melhor? Vai insistir nas mesmas convocações de jogadores que não rendem há tempos com a camisa da Seleção? Não seria hora de renovar?
E sobre os jogadores? Marquinhos não vem atuando bem. Fez um gol da vitória do Peru e mascarou seus jogos ruins. Foi muito mal contra o Uruguai, já havia sido facilmente batido no gol da Bolívia na primeira rodada das Eliminatórias. Casemiro também parece ter cadeira cativa. Está abaixo dos seus melhores dias, mas segue intocável. Neymar, que saiu lesionado, antes mesmo já rendia pouco. Na verdade, mesmo sendo um expoente técnico nesse time, não joga nada há muito tempo. Mas o fã clube e a comissão técnica fingem não ver ou arrumam desculpas para o mal-desempenho do jogador.
No ataque, insistência com Gabriel Jesus e Richarlison é inacreditável. Matheus Cunha como opção também é difícil de entender. É preciso renovar. O Uruguai, que venceu o Brasil nesta terça-feira (17), abriu mão de Cavani e Suárez na convocação. Estão recomeçando, e os resultados já começam a aparecer. Após anos sob o comando de Óscar Tábarez, El Loco Bielsa chegou para trazer nossas ideias. Diniz não deveria fazer o mesmo?
Enquanto bate cabeça e não entende sua identidade, a Seleção vai acumulando resultados indigestos: empata com a Venezuela em casa, perde para o Uruguai, algo que não acontecia há 22 anos. Sem contar que o Brasil não sabia o que era perder em Eliminatórias há 8 anos. Enquanto não se achar, a Seleção não coloca medo em ninguém.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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