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Covid-19

Coronavírus avança na Europa. Em Portugal, a situação não é diferente

O pós-Covid-19 será muito custoso para o continente europeu, que já andava pelas tabelas com o Brexit, com a queda nas exportações, com os movimentos migratórios e com a desaceleração das principais economias

Públicado em 

17 mar 2020 às 05:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Imagem do vírus coronavírus analisado no laboratório Crédito: Freepik
A Europa como um todo sofre com os efeitos da pandemia do coronavírus, o Covid-19. É lógico que o vírus não se espalhou de forma uniforme e tão pouco foi seletivo pelos países. De um lado, a Itália é de longe o país europeu mais atingido. E de outro, Portugal ainda demonstra resistência à proliferação do vírus.
Desde que o novo coronavírus foi descoberto na China, a imprensa portuguesa vem noticiando com frequência e de forma alarmista a escalada da epidemia pelo mundo. Aqui em Portugal, as autoridades da saúde não podem dizer que foram pegas de surpresa. O governo português tem procurado agir rápido, embora muitos considerem estes movimentos demasiadamente desproporcionais.
De qualquer forma, tanto do ponto de vista da saúde, da vida social e da economia, os planos de contingência para controlar o avanço do vírus fazem sentido.
Não podemos comparar coisas diferentes de forma igual: a Itália tem 68 milhões de habitantes, e Portugal tem dez milhões. Entretanto, o governo italiano foi tardio em suas medidas de contenção e a população italiana não entendeu de pronto a gravidade da contaminação do vírus.
Já em Portugal, muito pelo contrário, há quem diga que a restrição ao convívio social, a proibição de eventos com mais de 1.000 pessoas em ambientes fechados, ou com 5.000 pessoas em locais abertos e o fechamento de escolas, controle de fronteiras entre Portugal e Espanha e mais um pacote de 30 medidas, são precauções exageradas. Mas, na prática, estas medidas têm demonstrado até aqui, sua assertividade.
O Norte de Portugal é de fato a área mais atingida. Aqui em Braga, reduto significativo de brasileiros, a população tem se mobilizado para conter a doença. O reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, estendeu a medida de fechamento do ICS – Instituto de Ciências Sociais – onde apareceu um caso de contaminação de um aluno do curso de História – para toda a universidade. A decisão mostrou-se apropriada e foi seguida por inúmeras universidades pelo país.
Quando o presidente Marcelo Rabelo de Souza impôs a si próprio uma quarentena, após ter tido contato com um grupo de alunos, um deles contaminado, houve uma série de críticas. Posteriormente, o resultado do seu teste foi negativo para o coronavírus e as críticas aumentaram ainda mais, pois o presidente não apresentava sintomas e, mesmo assim, apesar do resultado negativo, manteve seu afastamento até completar os 14 dias da quarentena.
Medida sensata, uma vez que o presidente é muito conhecido aqui em Portugal por frequentar vários lugares, comparecer a inúmeros eventos e de ser extremamente afetuoso com os portugueses. Amanhã, o presidente e o primeiro ministro se reúnem com o conselho de Estado para decidir sobre a decretação do estado de emergência em Portugal.
É curioso como Portugal se mobilizou rapidamente. O primeiro ministro António Costa e sua equipe de ministros responderam prontamente com medidas práticas, com a preocupação de passar informações reais para mídia e, consequentemente, para população, tanto dos riscos quanto das medidas que foram tomadas pelo governo.
Sinceramente, o SNS - Serviço Nacional de Saúde português - tem seus problemas, mas vem se desdobrando para garantir atendimento pleno não só aos portugueses, mas também a todos que dele necessitam, como nós brasileiros, por exemplo.
O caminho da recuperação econômica será longo. Portugal tem no turismo sua principal fonte de receita (representa aproximadamente 15% do PIB português) e foi o primeiro e o mais atingido, neste sentido, pela pandemia. Uma última nota ruim nisso tudo vai para a União Europeia que, até o presente momento, pouco se pronunciou e, quando o fez, foi de forma protocolar.
Parece até que a Europa não foi duramente atingida e o pós-Covid-19 será muito custoso para o continente europeu, que já andava pelas tabelas com o Brexit, com a queda nas exportações, com os movimentos migratórios e com a desaceleração das principais economias.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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