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Luta pelo país

A marcha pela vida passa necessariamente pela defesa da democracia

Nós temos o compromisso de, como cidadãos, constituirmo-nos como protagonistas do processo de valorização da democracia, alertando quem nos representa que não os deixaremos nos conduzir para a sepultura de forma passiva e submissa

Públicado em 

01 jun 2020 às 05:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

Um homem aponta para o caminho que leva a democracia
Um homem aponta para o caminho que leva a democracia Crédito: Arabson
A democracia não pode morrer! Não se mata a democracia impunemente. Seus opositores e detratores haverão de perceber que o espírito democrático que habita em nós, mulheres e homens de bem, um dia se insurgirá contra aqueles que a violam e maculam.
O gigante começa a despertar e sair de seu torpor letárgico, que em todos nós causava angústia e dor. Ainda não podemos respirar aliviados, mas podemos sonhar que a batalha não está perdida, como alguns chegaram a acreditar.
Finalmente, podemos dizer que a sociedade civil, por meio de suas instituições representativas, encontrou o caminho de enfrentamento, não apenas da pandemia, com suas graves consequências para a saúde e vida das pessoas, mas também da morte, ao mesmo tempo simbólica e real, de todos nós, de nossas instituições, de nossa dignidade e de nossa esperança.
Não há caminho para a democracia, seja para sua conquista, seja para sua conservação, que não passe pela sociedade que se organiza e que, estrategicamente, se movimenta no sentido de lutar por ela e pelos direitos a serem conquistados, bem como para a manutenção dos direitos que estão sendo violados.
Chegamos ao limite possível de aniquilamento da democracia brasileira. Assistimos impassíveis à defesa pública da ditadura militar e à desmoralização de nossas instituições mais caras à manutenção do Estado Democrático de Direito.
Torturadores foram enaltecidos, milicianos foram agraciados com honrarias destinadas a cidadãos que promoveram o bem e que contribuíram com a sociedade.
No estágio final de nossa terminalidade democrática, fomos finalmente ultrajados com a condução da maior crise sanitária já vivenciada no Brasil, sendo feita por um governo fascista, que dirige o país à perspectiva de decidir aqueles que podem viver e aqueles que devem morrer, como se ao homem público, condutor dos destinos da nação, fosse dado o direito absoluto sobre as nossas vidas e a nossa dignidade.
A valorização da injustiça e a desvalorização da vida, planteadas como política pública de governo, culminaram nas mais de 25 mil mortes que hoje nos impedem de dormir e de sonhar com o amanhã.
A dor extrema e a vergonha pela incapacidade de resistir e de enfrentar o inimigo comum foram, por fim, o start que precisávamos para nos movimentar na defesa da democracia e da vida.
Não aceitaremos nem uma vida a menos que possa ser preservada se nos movimentarmos e lutarmos contra o opositor da nação e sua massa de seguidores, seja ela acrítica ou movida a interesses espúrios.
As mais de 26 mil mortes por Covid-19, confirmadas pelo Ministério da Saúde (até sexta-feira, 29), que nos colocam nos piores patamares da crise mundial, causando-nos vergonha e horror, com sepulturas sendo abertas com a naturalidade do que faz parte do cotidiano, foram elementos desencadeadores de uma grande mobilização nacional em defesa da vida e da democracia.
Esse movimento se iniciou de forma mais organizada na última sexta-feira, 29, com o lançamento de um grande e vigoroso movimento de mobilização nacional, com vistas à construção de uma agenda direcionada ao restabelecimento da ordem democrática e da defesa intransigente da vida.
É chegada a hora da virada! Só a sociedade possui o poder, a coragem e o interesse real de romper com a escalada de mortes patrocinadas por uma necropolítica financiada por interesses ilegítimos que precisam ser imediatamente contidos.
No dia 9 de junho, estaremos todos, homens e mulheres que possuem os valores humanísticos e da democracia, de forma virtual, na Marcha pela Vida, movimento nacional que reúne as mais importantes e representativas entidades da sociedade civil brasileira. Também estarão participando parcela da classe política mais comprometida com os ideais republicanos, bem como agentes econômicos, institutos de pesquisa e de ensino, universidades, sindicatos, dentre outros.
A esperança de que nos seja garantido o direito à vida, à saúde e a uma democracia plena, não pode ser depositada nas mãos do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Temos, nós mesmos, o compromisso de, na condição de cidadãos, constituirmo-nos como atores políticos protagonistas do processo, alertando aqueles que nos representam que não os deixaremos nos conduzir para a sepultura de forma passiva e submissa.

Elda Bussinguer

Pós-doutora em Saúde Coletiva (UFRJ), doutora em Bioética (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitária

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