Mais uma vez a história pode nos ajudar a entender este momento de profunda crise que vivemos no mundo, e no Brasil em particular, que passará a ser lembrado como uma das maiores tragédias já registradas por historiadores de todos os tempos.
Enquanto o mundo que conhecemos se queda subordinado a um vírus incontrolável, relativamente desconhecido em seu poder transformador e altamente destrutivo, a sociedade clama por estadistas, por homens probos, desprovidos, ainda que temporariamente, das vaidades do poder, com equilíbrio emocional para enfrentar crises antes nunca imaginadas.
Precisamos, emergencialmente, de alguém experimentado na arte da política, talhado pela compreensão da nobreza do serviço público, sensível à percepção do que diferencia um estado de normalidade política de uma crise de dimensões planetárias.
O discernimento, a habilidade de negociar com os inimigos para enfrentar um inimigo comum que pode nos dizimar, o tirocínio, são condições indispensáveis em momentos de convulsão e comoção social.
Os insanos não precisam estar nos hospícios, como afirmam alguns. Eles podem estar em seus lares, guardados, protegidos e amados pelos seus, que haverão de controlar seus impulsos delirantes e desgovernados. Jamais poderão estar com o leme nas mãos.
Não lhes é dada a capacidade decisória quando esta envolve a vida e o destino de outros. A tomada de decisão pública exige que um homem de Estado exerça sua liderança política com sabedoria, humildade, propensão ao bem comum, aptidão para uma liderança capaz de acolher pensamentos divergentes e conhecimentos que, muitas vezes, não estão na esfera de sua capacidade, seja cognitiva, seja de possibilidade acadêmica.
A envergadura do cargo de presidente exige de quem o ocupa, além de competência, a idoneidade moral que atrai a confiança e a segurança necessárias ao comandante maior de uma nação.
Estamos em um barco à deriva. Até mesmo alguns que colocaram o atual presidente no cargo, para que fosse um “fantoche” manipulado por eles para o alcance de interesses espúrios, já perceberam que a insanidade não pode ser controlada.
Há uma independência na loucura que precisa ser considerada, avaliando-se os riscos das pretensões envolvidas. Quando o alcance dos interesses econômicos colocava apenas a vida e a dignidade dos pobres e vulneráveis em risco, a loucura conveniente era possível de ser suportada. Agora, quando a loucura coloca a vida de todos nós em risco, o presidente precisa ser tirado.
A história, sempre pedagógica, poderia ter sido utilizada, previamente, como elemento avaliativo para a escolha do ocupante do cargo maior da nação, para evitar o sofrimento e as amarguras que enfrentamos hoje.
A insanidade, nesse caso, não surgiu no tempo presente. Ela já se manifestava antes, evidente e clara.
Calígula, imperador que governou Roma, conhecido por todos por suas maldades e loucos desejos, foi capaz de construir um estábulo de mármore para seu cavalo e estuprar suas irmãs em público, apenas para divertir-se. Sentia-se um Deus, como muitos que conhecemos, e por sentir-se divino, acreditava-se imortal, capaz de desafiar a todos, sem medo e sem pudores.
" São muitas as histórias de governantes desprovidos de qualquer estado de normalidade mental que levaram seus reinos e súditos a condições deploráveis de existência"
Nero, também imperador romano, afirma-se ter colocado fogo na cidade.
São muitas as histórias de governantes desprovidos de qualquer estado de normalidade mental que levaram seus reinos e súditos a condições deploráveis de existência.
No Estado Moderno, quando a democracia está, ainda que fragilmente instalada, não há porque suportarmos governantes cuja insanidade extrapola os limites da razoabilidade, colocando em risco a existência e a credibilidade da nação.