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Pós-pandemia

Repensar espaços públicos para um novo normal

Especial atenção deve ser dada a áreas dedicadas às escolas: o espaço tem que ser repensado em termos de realidades novas que surgiram com a pandemia

Publicado em 03 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

03 jun 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Volta às aulas nas escolas de nível fundamental - Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Major Alfredo Pedro Rabaioli, no bairro Mário Cypreste, em Vitória
Liberar os equipamentos escolares de calendários e horários de funcionamento ligados a grades curriculares que engessam a educação é um primeiro e ousado passo Crédito: Fernando Madeira
Um dos desdobramentos já sentidos dos efeitos sociais e econômicos da pandemia da Covid 19 é a utilização de espaços públicos. Em diversas partes do mundo, vias que até recentemente eram de uso prioritário do automóvel vão se remodelando para dar mais vez a pedestres e ciclistas. Calçadas são alargadas, ciclovias construídas e espaços criados para a convivência entre quem por elas circulam.
Praças e parques voltaram a ser valorizados como locais adequados para a prática de exercícios físicos, de convívio social, de leitura e dança ao ar livre; do simples fazer nada e depois descansar, como poetizou Mário Quintana. De levar bebês, crianças e idosos para banho de sol, conversar fiado, conviverem entre si para além do círculo familiar.
A ideia do público ser de todos cresce também para espaços construídos no passado com finalidade específica na medida em que podem assumir outros fins de interesse coletivo. Dentre esses, especial atenção deve ser dada a áreas dedicadas às escolas. Geralmente pensadas para acomodarem atividades determinadas por calendários e grades curriculares, o espaço da escola tem que ser repensado em termos de realidades novas que surgiram com a pandemia.
Uma delas, que fica cada vez mais evidente, é que a função de informar deve ocupar cada vez menos tempo da formação escolar. A informação hoje está disponível em formas e conteúdos diferentes nas redes sociais e capacitar quem está no sistema educacional a saber utilizá-la de forma crítica cresce em relevância para o necessário exercício da cidadania, inclusive no mundo do trabalho.
Nesse sentido, a escola precisa incorporar a função de inclusão digital tanto para os que até agora a frequentam quanto para a comunidade em seu entorno. Alunos, professores, funcionários e comunidade onde se localizam as escolas precisam cada vez mais poder contar com acesso digital de qualidade bem como necessitam ser capacitados a buscarem conteúdos que os habilitem em plenitude para a era do conhecimento e da aprendizagem.
Os espaços escolares também precisam ser repensados para abrigar atividades ligadas à segurança e à soberania alimentar. A produção de alimentos mais próxima de onde são consumidos é instrumento importante para a redução dos custos de transporte. Alimentos produzidos para o consumo de indivíduos e de grupos específicos – das próprias escolas, de asilos, por exemplo – resgatam o sentido histórico de agricultura enquanto cultura de produção de alimentos.
Resgata também o sentido de soberania alimentar na medida em que possibilita a prática milenar de escolha das melhores plantas de onde são retiradas sementes para um próximo ciclo produtivo. Alimentação produzida de forma agroecológica, além de propiciar círculo virtuoso na relação humanos-natureza, pode gerar também menores despesas no orçamento familiar pela redução de gastos com a compra de alimentos.
Redução que também poderá ocorrer com compra de medicamentos voltados para doenças causadas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos na produção de muitos alimentos consumidos pela maioria da população.
Abrir muros, paredes, portas e janelas das escolas para a inclusão digital e para atividades ligadas à segurança e à soberania alimentar pode ser uma conquista significativa da maioria da população no novo normal pós-pandemia e pandemônio. Conquista de baixo custo financeiro e alto retorno social e econômico.
Benefícios a custos pouco expressivos que demandam mudanças no modelo mental de como os equipamentos escolares são vistos e tratados. Liberá-los de calendários e horários de funcionamento ligados a grades curriculares que engessam a educação é um primeiro e ousado passo. Que tal ousar escolas abertas nos mesmos horários de funcionamento de farmácias?
Ousadia necessária para que a prioridade da educação deixe de ser peça da retórica vazia de governantes e governados, e passe a ser instrumento de cidadania plena de todos, independentemente de faixa etária, nível de renda, escolaridade ou prática religiosa.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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