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Sobre solidariedade

Pandemia: perdas recentes de direitos milenares dos humanos

Perdemos o direito das boas vindas e do até breve para quem chega ao nosso convívio e aos que dele se vão, respectivamente

Publicado em 22 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 abr 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

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Arlindo Villaschi

Coronavírus e o luto da perda de pessoas queridas
A explicitação do luto também pode servir como alerta para quem insiste em ser irresponsável com a própria saúde e com a dos outros Crédito: Pixabay
Dentre outras diferenças, duas coisas distinguem os humanos de outros seres viventes. Em primeiro lugar, a celebração ampliada do nascimento de um novo participante no núcleo familiar, comunitário, tribal. Em segundo lugar, a solidariedade entre familiares, amigos, vizinhos, quando da partida de um ser querido.
Esses dois direitos consagrados pela prática social nas mais diversas formas de organização de humanos ao longo da história foram perdidos no pouco mais de um ano de vigência da pandemia em escala mundial e do pandemônio que se aprofunda cada vez mais no Brasil. Mais do que a possibilidade responsável de ir e vir; e de celebrar aniversários, casamentos, e todos os dias do ampliado calendário de fomento ao comprismo, perdemos o direito das boas vindas e do até breve para quem chega ao nosso convívio e aos que dele se vão, respectivamente.
Como estamos diante de um fato novo que atinge mais do que indivíduos para se tornar um fenômeno que a todos afeta, independentemente de condição econômica, social, religiosa ou política, há que se pensar em encaminhamentos coletivos para significar socialmente as crescentes perdas provocadas pela pandemia e pelo pandemônio. Enquanto sociedade há que se ter gestos que lembre a todos o sofrimento passado por inúmeros acometidos pela doença, e por parentes e amigos quando da perda de entes queridos de maneira tão cruel como a que ocorre com quem é acometido pela Covid-19.
O luto permanente a que estamos submetidos coletivamente precisa ser significado por atos como o do hastear bandeiras a meio mastro. Onde bandeiras se levantam como símbolo da pátria, do estado ou do município, que elas se ergam em reverência aos que partiram vitimados pela pandemia e pelo pandemônio.
A explicitação do luto também pode servir como alerta para quem insiste em ser irresponsável com a própria saúde e com a dos outros. Que nas portas dos hospitais e outras unidades de tratamento de acometidos pela Covid-19 sejam publicizadas as taxas de ocupação de leitos gerais e em UTIs por acometidos pela doença. Que quem passe por esses locais de tratamento seja informado sobre o número dos que lá trabalham que já morreram e que foram contaminados durante a nobre missão de cuidar dos outros.
Que espaços de divulgação de publicidade e propaganda, nas grandes redes de rádio e televisão e distribuídos em praças e vias, sejam ocupados com mensagens criativas alertando para a gravidade do momento pelo qual passamos. Criatividade já comprovada por muitos que atuam em comunicação social em campanhas de vendas de produtos e serviços e quando de necessários alertas como os de campanhas antitabagismo.
Que pronunciamentos de governantes no Estado e nos municípios se iniciem ressaltando o número de mortes e de contaminação no dia/semana anterior. Que as sessões da Assembleia Legislativa e das câmaras municipais comecem com a leitura dos nomes dos que perderam a vida no Estado e nas respectivas cidades. Que nos cultos, ainda que on-line, sejam homenageados membros das respectivas comunidades que estão acometidos ou que perderam a vida em razão da pandemia e do pandemônio.
Diante do pouco mais de um ano de convívio com a pandemia da Covid-19 e das possibilidades de crescente calamidade de saúde pública e de colapso do sistema funerário, todo gesto é insuficiente na solidariedade para com quem sofre com a doença ou com a perda de alguém querido. Ainda assim, ao invés de frases cínicas como ‘...é assim mesmo; foi por vontade de alguma divindade...’, o que vale cada vez mais são atitudes de generosidade de todos e sinalização de ações concretas por parte de governantes.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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