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Educação

Pandemia teve consequência devastadora sobre a aprendizagem

Crianças regrediram a níveis anteriores à última avaliação nacional da educação básica, realizada em 2019

Publicado em 26 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 mai 2021 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

Colunista

Haroldo Corrêa Rocha

Jovem assistindo aula no notebook - videoaula. Criança, mãe
Dados evidenciam a fragilidade das crianças pequenas, que têm mais dificuldades de acompanharem as aulas remotas Crédito: August de Richelieu/Pexels
A expectativa geral era de que o isolamento domiciliar das crianças e professores, mesmo com a utilização da educação remota, impedisse que as crianças desenvolvessem todas as competências previstas para o ano de 2020 em cada ciclo de ensino. Contudo, a situação de prolongado afastamento teve consequência muito mais devastadora sobre a aprendizagem. Na verdade, as crianças regrediram a níveis anteriores à última avaliação nacional da educação básica, realizada em 2019.
A afirmação acima tem como referência a única avaliação de aprendizagem pós pandemia realizada no Brasil até o momento. Em março de 2021, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAED/UFJF), realizou uma avaliação de aprendizagem de língua portuguesa e matemática para crianças e jovens do 5º e 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. O CAED também faz a avaliação de aprendizagem para a Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo há mais de 10 anos.
Algumas expectativas se confirmaram. Os anos iniciais do ensino fundamental, 1º a 5º ano, ciclo de alfabetização, foi a fase com a maior redução de aprendizagem. As perdas em matemática foram maiores que em língua portuguesa. Matemática é uma disciplina mais dependente da presença na escola e do apoio dos professores. Assim, em matemática no 5º ano, as crianças atingiram 196 pontos, 46 pontos a menos que no SAEB 2019, quando foi de 242 pontos.
Como, em média, a cada ano da fase de alfabetização as crianças agregam 4 pontos de aprendizagem, serão necessários mais de 11 anos para recuperar a aprendizagem perdida. Em língua portuguesa a perda foi menor, mas ainda assim significativa. Foram 194 pontos em 2021, tendo sido 223 pontos no SAEB 2019, uma perda de 29 pontos, um resultado semelhante ao verificado dez anos atrás, 192 em 2011.
Estes dados evidenciam a fragilidade das crianças pequenas, que têm mais dificuldades de acompanharem as aulas remotas, devido a sua menor autonomia e maior dependência de apoio dos professores e do atendimento presencial.
No 9º ano do ensino fundamental e na 3ª série do ensino médio as perdas de aprendizagem foram menores, tendo variado, respectivamente, de 13 e 18 pontos em matemática e 12 e 11 pontos em língua portuguesa.
Esta foi a primeira avaliação dos impactos da pandemia feita no Brasil com objetivo de gerar dados comparáveis ao SAEB, avaliação realizada pelo MEC a cada dois anos. Outras avaliações deverão ser realizadas ao final de 2021 para averiguar com mais detalhes os prejuízos causados pela pandemia no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças e jovens brasileiros. Esta primeira avaliação feita em São Paulo revela um quadro preocupante de regressão da aprendizagem e serve de base para ações de intervenção pedagógica em todo o país.
O desafio que se coloca, sobretudo às redes públicas de educação básica que atendem a grande diversidade de estudantes, que têm origens sociais diversas e condições de vida díspares, será, de forma criativa, desenvolver novas estratégias e metodologias pedagógicas eficazes para recuperar e acelerar a aprendizagem desta geração de crianças e jovens tão fortemente afetada pela pandemia.
Piora a situação o fato de que em 2021 a pandemia se agravou, não havendo ainda um horizonte claro de sua superação, o que tem mantido as escolas com funcionamento presencial restrito, no modelo híbrido, parte presencial e parte remota. Devido a esta situação, ainda não é possível formular uma estratégia de recuperação plena e eficaz, o que só se tornará viável quando do retorno ao funcionamento presencial das escolas com 100% dos estudantes. Há, sim, várias ações em planejamento e em implementação, mas de forma parcial, pois ainda é grande o grau de incerteza sobre a evolução da pandemia.
Se chegarmos ao final de 2021 ainda sem as escolas retomarem plenamente o atendimento presencial, será muito desafiador o processo de recuperação da aprendizagem.
Há, contudo, uma luz no fim do túnel. Os sistemas educativos poderão contar com o aparato da educação remota como um aliado de apoio às estratégias de ensino na modalidade híbrida, ensino presencial combinado com ensino mediado por tecnologia, que poderá viabilizar a ampliação do tempo de estudo das crianças e jovens a partir do ambiente domiciliar.
Há uma geração em risco de ter comprometido o seu desenvolvimento cognitivo e socioemocional, mas este desafio precisa ser enfrentado e é possível superá-lo. Que o nosso país tenha sucesso!

Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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