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Um CD arrebatador

As dez músicas de "Desse Modo", o sexto disco do compositor, arranjador e pianista Márcio Hallack, revelam um trabalho consistente, com uma sonoridade que encantará os amantes da música instrumental

Publicado em 19/01/2021 às 15h35
Atualizado em 19/01/2021 às 15h35
Márcio Hallack, compositor, arranjador e pianista, está lançando Desse Modo, seu sexto disco (Kuarup)
Márcio Hallack, compositor, arranjador e pianista, está lançando Desse Modo, seu sexto disco (Kuarup). Crédito: Divulgação

Márcio Hallack, compositor, arranjador e pianista, está lançando "Desse Modo", seu sexto disco (Kuarup). Logo ao abrir a tampa, ouve-se “Tudo Que Você Podia Ser” (Lô Borges e Márcio Borges). Depois vêm cinco composições do próprio Hallack, que precedem “Novena” (Milton Nascimento e Márcio Borges), seguidas por outras três composições de Márcio Hallack.

Estas dez músicas revelam um trabalho consistente, com uma sonoridade que encantará os amantes da música instrumental e, principalmente, agradará os ouvidos saudosos do timbre instrumental dos trios que brilharam na música brasileira dos anos 1960.

E foi com a sonoridade dos arranjos de Hallack para o seu trio – ele ao piano, Enéas Xavier no baixo acústico e Esdras Ferreira, o Neném, na batera –, e também com o brilho de participações especiais, que reouvi o som mágico de décadas atrás, atualizado com o que há de mais apurado em harmonia, melodia e suingue convincentes.

O arranjo para a música de Lô e Márcio Borges, tocado só pelo trio, vem com um sentido rítmico diferente daquele que Milton Nascimento consagrou ao gravá-la em 1972: assim era nos anos 1970, assim é nos anos 2020.

“Desse Modo” e “To Ron” são homenagens de Hallack ao compositor norte-americano Ron Miller, sendo que a primeira, além de titular o disco, traz uma bela interpretação de Zé Canuto no sax. Já na segunda, o arranjo brilha no virtuosismo do naipe de sopros e da guitarra e do violão de Humberto Mirabelli.

Hallack compôs “Dia de Santo Antônio” em tributo a Edu Lobo. O dueto do clarinete de Jorge Continentino, com a flauta em Sol de Mauro Rodrigues, somados ao som do trio, é admirável.

“Valsi” é um tributo a Moacir Santos, em que para ampliar o choro-canção o piano e o trio se ajuntam a um naipe de sopros: trombone (João Machala), trompete (Fredy Alves) e flauta (Jorge Continentino).

“Chorin” é homenagem a Guinga. O piano de Hallack, o clarinete de Cristiano Siqueira Alves e o cello (Hugo Vargas Pilgero) conduzem a levada sem pressa do choro.

Em “Novena” (Milton Nascimento e Márcio Borges), o sax soprano (Chico Amaral), o piano (Hallack), o baixo acústico (Enéias Xavier) e a batera (Neném), conduzem a bela canção.

“Samba do Brecker” é outro tributo, dessa vez ao saxofonista norte-americano Michael Brecker. Breno Mendonça (sax tenor) é quem faz as honras da casa. O samba-jazz brilha com o trio tocando com o alto, amparados que estão por Renato Massa na batera.

Em “Tree”, o trio assume o protagonismo da homenagem a Hermeto Pascoal. O piano inicia; batera e baixo acústico, além de boa música instrumental, vêm com tributos viscerais e arranjos vultosos.

“Brecker no Rio” fecha a tampa, já deixando saudades. O contrabaixista Adriano Giffoi, junto com o sax de Afonso Cláudio, o AC, dão show.

Capitaneados por Márcio Hallack, em dez arranjos notáveis ouviu-se o som de um grupo coeso de músicos, todos empenhados em engrandecer a música e o seu ofício. Disso decorre Desse Modo ser um CD arrebatador.

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