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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

Caçulinha faz um disco de tributo a quem merece

Músico reuniu grandes nomes da música para cantarem seus sucessos em álbum que homenageia suas carreiras e os 60 anos de trabalho do pianista

Publicado em 08/12/2020 às 13h12
Caçulinha faz disco em homenagem aos 60 anos de carreira
Caçulinha faz disco em homenagem aos 60 anos de carreira. Crédito: Divulgação

O carteiro me entregou alguns CDs vindos de assessorias de imprensa, que sempre me atualizam com os novos lançamentos. Uma confidência: tenho grande simpatia por esses profissionais que vivem de enviar belezas aos que poderão (ou não) dar atenção e espaço ao “produto” recebido. Posso imaginar a aflição da assessoria e até do artista na expectativa de receberem o devido e merecedor reconhecimento.

Voltando: como sempre faço, tirei o lacre das capas e fui lendo, um a um, o nome dos que gravaram os álbuns, no movimento de desvendar minha curiosidade – sim, em momentos como esses, sou sempre tomado pela ansiedade de conhecer logo o criador do CD. Aliás, esse é um dos predicados do disco físico que o digital não tem. Mas deixa pra lá.

Volto ao momento de “curiosice” explícita, citado no início. Dentre os álbuns, estava "Caçulinha – 60 anos de música" (Kuarup). Minha cabeça deu um nó – caramba, que surpresa boa! (Porque assim, ó: na nossa idade, quando se trata dos nossos contemporâneos, a alegria redobra ao recebermos notícias vindas deles próprios.)

Mas vamos ao tributo a Caçulinha. Produção e direção artística de Thiago Marques Luiz (sempre presente com sua competência), que reuniu admiradores de longa data de Rubens Antonio Silva, o inesquecível Caçulinha: Mônica Salmaso, Ayrton Montarroyos, Daniel, Sérgio Reis, Wanderléa, Agnaldo Rayol, Claudette Soares, Simoninha, Zé Luiz Mazziotti, Wanda Cavalheiro, Tobias da Vai Vai e Edmilson Capelupi.

Com o piano e o acordeom, Caçulinha contou ainda com Renato Loyola (baixo), Jorginho Saavedra (batera) e Caixote (teclado). (Uma sugestão: quem sabe gravar um novo CD de Caçulinha, desta vez apenas instrumental?)

A dádiva de poder contar com as vozes de colegas que Caçulinha acompanhou em shows e nas TVs torna ainda mais bela a voz emocionada de mulheres que brilharam e ainda poderiam brilhar muito, não fosse o descaso da mídia para com elas. Pois fizeram e ainda fazem o público delirar com suas interpretações divinais: Claudette Soares, Mônica Salmaso, Wanderléa e Wanda Cavalheiro.

Outra beleza insofismável, presente na festa de Caçulinha, é podermos ouvir alguns cantores que, infelizmente, assim como algumas cantoras, não têm espaço nem no rádio nem na TV, com raras exceções de Daniel, Simoninha e Mônica Salmaso: esses felizmente, mantém seus espaços nas mídias.

Lindo também é ouvir os vozeirões de Zé Luiz Mazziotti, Daniel, Agnaldo Rayol, Sérgio Reis, Simoninha e Tobias da Vai Vai. Que vozes, meu Deus!

Todo o elenco, independentemente de quantos anos de carreira tenha, luta com todas as forças para não sucumbir diante de um mercado que mede talento em cifrões. Isso não impediu que almas musicais e generosas proporcionassem a Caçulinha momentos de pura reverência.

Ao homenagearem Caçulinha – um dos ícones da nossa música –, os cantantes talvez tivessem em mente um sonho dormindo. Ou, mais do que isso, um desejo mais do que justo, devido: um dia receber o próprio tributo.

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