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Juíza do ES tem vida investigada a mando de traficante em presídio federal

Diante do possível risco a uma autoridade, a Ficco-ES em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), realizou uma operação

Vitória
Publicado em 13/03/2026 às 16h16
Presos federais
Crédito: Arte - Geraldo Neto com Midjourney

Um traficante do Espírito Santo, detido na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, teria ordenado por intermédio de um familiar, que fossem realizadas buscas de informações sobre a vida de uma juíza que atua na execução penal na Grande Vitória.

A suposta troca de mensagens foi identificada pelo Sistema Penitenciário Federal, e incluiria informações sobre a insatisfação do preso com as decisões da magistrada, responsável pelas decisões referentes a sua prisão fora do Estado.

O criminoso, segundo as investigações, utilizaria as visitas da filha, autorizadas pelo sistema penitenciário, para determinar que fossem feitas investigações em relação à magistrada.

Aproveitaria ainda o mesmo mecanismo para transmitir mensagens e orientações para a gestão da facção criminosa a qual pertence, o Primeiro Comando de Vitória (PCV).

O preso é Carlos Alberto Furtado, conhecido como “Nego Beto”, apontado como uma das lideranças do grupo criminoso.

Em 2021 ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, junto com outras quatro lideranças do grupo criminoso. Todos investigados na Operação Armistício, do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por lançar mão do apoio de advogados para continuar gerindo o grupo criminoso de dentro dos presídios.

Desde então, há decisões anuais para mantê-lo na unidade federal, mas a partir do ano passado a deliberação passou para a juíza. E ela decidiu que as renovações seriam realizadas em prazos maiores.

Possível risco

Diante do risco potencial para a magistrada, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-ES) — que reúne equipes de várias forças de segurança coordenadas pela Polícia Federal —, em conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), realizou nesta quinta-feira (12) a Operação Argos.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de três pessoas que compõem o núcleo familiar de Carlos Alberto. Uma delas é autorizada a visitá-lo e a outra é apontada como a pessoa responsável pela gestão dos recursos e bens do preso. Há suspeitas ainda de que ela faria a intermediação dos recados para outros integrantes da facção.

Houve uma tentativa de cumprir um mandado de prisão contra Rhuan Alves Furtado da Silva, filho de Nego Beto. Ele responde por crimes relacionados ao tráfico de drogas, mas não foi localizado pela equipe da Ficco-ES.

Segundo a investigação, ele seria responsável por operacionalizar as informações recebidas do pai, voltadas à gestão do tráfico do Bairro da Penha e, suspeita-se, a busca pelos dados da juíza.

Houve apreensão de armamento e celulares que foram encaminhados para análise.

Segurança do Marujo

Durante a operação foram conduzidas à Polícia Federal duas pessoas. Uma delas é um dos alvos da Operação Sicário, realizada pela Polícia Civil, que o identificou como um dos seguranças de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, também preso em unidade federal

O segundo declarou ser o dono de uma pistola e carregadores localizados dentro de um dos imóveis alvo de busca.

Questionado, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) informa que, "para casos dessa natureza, se impõe o sigilo necessário e, portanto, não fará comentários a respeito".

O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, que faz a defesa de um dos familiares de Carlos Alberto, informou que não se manifesta, considerando que o processo tramita sob sigilo.

O advogado de Carlos Alberto e de Rhuan não foram localizados, mas o espaço segue aberto à manifestação.

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