Tem que se virar para ganhar algum dinheiro. É ordem de sobrevivência aos afetados financeiramente pela crise. Repentinamente, toda a economia parou a partir de meados de março. Só funcionaram atividades essenciais. Fábricas, lojas, bancos, escritórios etc fecharam. Mas, na contramão desse cenário, o empreendedorismo avançou.
Em muitos casos, como instrumento de sobrevivência. Por isso, o isolamento não o deteve. De 14 de março a 31 de maio, cerca de 327 mil pessoas se formalizaram como microempreendedores individuais (MEIs). Passaram a trabalhar por conta própria, da forma como puderam: on-line ou presencialmente. De acordo com a Receita Federal, neste período o total no país avançou de 9,8 milhões para 10,2 milhões.
O Espírito Santo integra essa marcha de crescimento. Aqui, a quantidade de MEIs passou de 253 mil em março para 260,5 mil no final de maio. Neste período, mais de 7 mil trabalhadores mergulharam formalmente neste universo. A maior concentração está em Vila Velha, que atingiu o total de 40,1 mil MEIs. Em seguida, Serra, com 39 mil, e Vitória, 24,7 mil.
Porém, a quantidade de MEIs no Estado é muito maior do que 260,5 mil. Estes são apenas os formais. Há outros tantos que atuam na informalidade (sem registro nos órgãos governamentais). A Pnad Contínua do IBGE constata que estão em atividade no território capixaba cerca de 790 mil profissionais, o equivalente a 41,5% do total de 1,9 milhão de pessoas ocupadas. E ai da economia se não fossem eles. O dinamismo seria fortemente afetado, e a miséria muito mais grave.
A percepção geral é de que a expansão dos micronegócios deve continuar, empurrada pela pandemia que segue quebrando empresas e ceifando empregos. Somente no mês de abril, houve redução de 19,9 mil postos formais de trabalho no Espírito Santo. Dados do Ministério da Economia mostram que em 58 dos 78 municípios capixabas, o número de demissões superou o de contratações.
O quadro seria pior não fossa a mão de obra recrutada para colher a safra de conilon. Já uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas diz que em maio 57% de todas as famílias tiveram ao menos um trabalhador atingido no bolso pelo novo coronavírus: ou sofreu redução de salário, ou perdeu o emprego ou fechou a empresa.
Tornar-se MEI é uma saída para obtenção de renda, mas a porta é estreita. Há que ter competência e persistência naquilo que se propõe. A competição é acirradíssima, em todas as áreas, e o mercado murchou em função da recessão.