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Pandemia

Antecipação de crédito é boa notícia para o setor de café em meio à crise

A liberação dos recursos do Funcafé em junho, e não em agosto como estava previsto, ajudará o cafeicultor na colheita e, também, a planejar melhor o momento de venda - que é fundamental, diante de tantas incertezas na economia

Publicado em 01 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 jun 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Plantação de café arábica no município de Pedra Menina-ES, na região do Caparaó
Plantação de café arábica no município de Pedra Menina, na Região do Caparaó capixaba Crédito: Roberto Barros/Divulgação
O cenário econômico é ruim, mas não se alimenta exclusivamente de fatos e expectativas negativas. O setor produtivo do café espera para junho a confirmação de uma boa notícia: a liberação antecipada dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Se em vez de agosto o dinheiro ficar disponível em junho, ajudará o cafeicultor na colheita e, também, a planejar melhor o momento de venda. No Espírito Santo, a antecipação coincidirá com o final da colheita do conilon (com início adiado, em grande parte, de abril para maio) e com os preparativos para catar a safra do arábica.
A pandemia da Covid-19 derrubou os gastos dos brasileiros, que representam 65% do PIB. Daí, a retração. No caso do café, além do consumo menor, há a preocupação com a descapitalização do produtor no período da colheita. É esta a justificativa do pedido para antecipação dos recursos do Funcafé feito ao Ministério da Agricultura pela Comissão Nacional do Café, da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).
No horizonte atual da economia, a antecipação do Funcafé tem grande importância nas gestão dos negócios do setor. Esperar o melhor momento para a venda é fundamental diante de tantas incertezas. Deve ser lembrado também que o real desvalorizado frente ao dólar irá encarecer os custos de produção da próxima safra. Principalmente dos produtos químicos usados na lavoura.
O apoio creditício ao café é fundamental para a economia. Hoje, encontram-se em atividade no Brasil mais de 300 mil cafeicultores, gerando R$ 25 bilhões de renda no campo e mais de US$ 5 bilhões anuais em exportações. Os embarques do produto pelo Porto de Vitória renderam US$ 535 milhões em 2019. Em 2020, até abril, a receita cambial acumulada somou US$ 136,3 milhões, com a saída de 1,4 milhão de sacas do Espírito Santo para o exterior, segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória.
O Funcafé (constituído com recursos dos produtores) é instrumento de crédito exclusivo à cafeicultura, direcionado para custeio, estocagem, fomento a indústria, pesquisa tecnológica e exportação. Para a safra de 2020, o montante total anunciado é de R$ 5,71 bilhões, um aumento considerável de 17,2% em relação à quantia liberada no ano passado. O bolo fica dividido assim: R$ 1,6 bilhão para financiamento de custeio; R$ 2,3 bilhões para estocagem; R$ 1,15 bilhão para aquisição de café; R$ 650 milhões para capital de giro (quantia que deveria ser maior); e R$ 10 milhões para recuperação de cafezais danificados ( o que não é o caso do Espírito Santo, felizmente).
Desde 2018, o Funcafé é remunerado em 4% ao ano, sendo o spread bancário calculado pela diferença entre esses quatro pontos percentuais e a taxa de juros estipulada no empréstimo. Entidades do setor de café defendem a manutenção dessa fórmula, mas com juros menores, adequados às condições de crédito mais acessíveis, existentes atualmente, em função da crise.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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