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Literatura

Conceição Evaristo e um feriado feito de medo e esperança

Ouvi-la nos lembra que resistir é preciso. Compartilhar histórias nos fortalece. Olhar para o passado antes de seguir adiante também

Públicado em 

12 set 2021 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Literatura
A escritora Conceição Evaristo foi a entrevista do Roda Viva Crédito: Divulgação/Conceição Evaristo
Às vésperas do 7 de Setembro e todo o peso do noticiário político destes dias sombrios, foi um alento assistir à entrevista da escritora, professora e pesquisadora mineira Conceição Evaristo no Roda Viva.
Uma exaltação à arte de ouvir, mas também à resistência guardada na escrita das mulheres e em especial das mulheres negras. Uma reverência à profundidade no olhar a vida e entender os motivos do que nos cerca, até dos atos e fatos mais difíceis de compreender.
Conceição Evaristo é gigante em muitos aspectos.
Para escrever, ela ensina, devemos ir no fundo, na alma da história, dos acontecimentos, das pessoas e da gente mesmo.
É essa a essência das melhores narrativas, como é esse também o coração da escrevivência, termo inventado por Conceição Evaristo para nomear a escrita nascida do fluir da vida, do compromisso com a vivência, a nossa e a do outro.
Do alto de sua cabeleira branco power e de seus 74 anos, a filha de Dona Joana e de um José completamente ausente fala manso, em contraste com a potência do que diz.
No final das contas, sua escrita tem um bocado de poesia, mas tem também vigor, força, poder, transgressão e ruptura. Como ela mesmo afirmou, em outra ocasião, a escrevivência que produz não foi escrita para ser lida como história de ninar os moradores da casa-grande, mas para incomodá-los nos seus sonhos injustos.
Ao ler ou reler narrativas fortes como a de Ana Davenga, a da mãe que costurou a vida com fios de ferro, Cida na corda-bamba do tempo ou a fome de Duzu-Querença, fica fácil perceber a habilidade da autora de “Olhos D´Água” e “Ponciá Vicêncio" em falar das difíceis condições de quem vive às margens, mas igualmente estabelecer a história oral e ancestral como fonte inesgotável de sabedoria.
Ouvir o que Conceição Evaristo tem a dizer às vésperas do 7 de setembro e todo o peso do noticiário político destes dias sombrios nos lembra da capacidade de cura da fala, da escuta, da escrita e da leitura. Ouvi-la nos lembra que resistir é preciso. Compartilhar histórias nos fortalece. Olhar para o passado antes de seguir adiante também.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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