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Lembranças

Como diria Sérgio Sampaio: a barra está pesada, mas pode aliviar

Estes dias, por ocasião do aniversário de Sérgio Sampaio, lembrei que o Brasil era mais brando em outros abris

Publicado em 18 de Abril de 2021 às 02:00

Públicado em 

18 abr 2021 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Cantor capixaba Sérgio Sampaio
Lembramos de Sérgio Sampaio a distância na passagem de seus 74 anos Crédito: Festival Sérgio Sampaio/Divulgação
Estes dias, por ocasião do aniversário de Sérgio Sampaio, lembrei que o Brasil era mais brando em outros abris. Não que não houvesse tropeços, sustos e perdas desconcertantes. Havia. Mas os tropeços, sustos e perdas desconcertantes que havia vinham, no máximo, de dois em dois, deixando a gente respirar ou então chorar, reconfortado, num abraço, num encontro, na mesa de bar, nos três juntos, misturados.
Lembrei especialmente de 2007, quando escrevi sobre Sérgio Sampaio para a saudosa revista "Bizz". O pretexto do texto - o gancho, como dizemos no jornalismo - era o lançamento do livro “Eu Sou Aquele que Disse”, coletânea produzida por João Moraes com artigos, poemas, digressões e ilustrações de Wilberth Salgueiro, Jorge Nascimento, Sérgio Fonseca Amaral, Ângela Marques, Adolfo Oleare, Juliano Gauche, Luciano Boi, Lê Batista e Diego Scarparo.
O talento, o temperamento forte e os dribles ao mercado e ao mundo, mais a alma botafoguense e o amor pelo futebol de botão, inspiraram o título que sugeri para a reportagem e os editores da "Bizz" gentilmente aceitaram: "O Garrincha da MPB".
O texto, modesto, contrastava com o tamanho da genialidade do cantor e compositor nascido em Cachoeiro de Itapemirim. Mas não deixava de ser significativo que a bíblia do jornalismo musical brasileiro abrisse espaço para um artista cultuado por um fiel grupo no Espírito Santo, mas bem pouco conhecido no resto do país.
Nove anos depois, por conta das voltas que a vida dá, recebo de Gilson Soares, desde sempre um dos maiores defensores do legado sampaísta, o convite para mediar uma conversa sobre o músico. Os participantes eram duas figuras também centrais na missão de perpetuar a obra diversa e admirável que vai muito além do hino “Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua”: Zeca Baleiro e João Sampaio.
Zeca é um maranhense de coração gigante que não mede esforços para tirar Sérgio Sampaio da malvada prateleira de malditos da música popular brasileira. Veio dele, só para citar um exemplo, o esforço de terminar e lançar, em 2006, o disco “Cruel”, a partir de gravações caseiras deixadas pelo artista capixaba antes de morrer, em 1994.
João é a versão crescida e afetuosa do Menino João da música que seu pai compôs em meados dos anos 1980. Foi ele o alicerce do projeto Viva Sampaio, criado para reverenciar a memória do filho mais velho de dona Maria de Lourdes e do maestro da banda Raul Gonçalves Sampaio.
O pretexto da conversa de nove anos depois - o gancho, como dizemos no jornalismo - eram os 69 anos daquele que disse e o evento anual que celebra sua obra rebelde, apaixonada, sarcástica, amarga, sozinha, poeta. Tínhamos outros mortos e outras dores (ou talvez também os mesmos, ainda), mas igualmente podíamos chorá-los num abraço, num encontro, no bar da esquina, nos três juntos, misturados.
Hoje, não. Lembramos de Sérgio Sampaio a distância na passagem de seus 74 anos, e da mesma forma choramos nossos mortos e dores, a distância, ouvindo o eco de sua voz a nos dizer que a barra está pesada, mas pode aliviar.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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