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É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

Apesar da expectativa, aprendemos muito pouco em um ano de pandemia

Como numa guerra, com mais de 2,5 milhões de baixas, seguimos polarizados

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 21/03/2021 às 02h03
Pessoa usando máscara na pandemia
Pessoa usando máscara na pandemia. Crédito: Freepik

É a terceira vez na vida que escrevo esta frase: pandemias podem aflorar o pior e o melhor de cada um, e cabe a nós escolhermos em que lado desejamos estar. Nas duas primeiras, aqui e aqui, havíamos acabado de entrar na quarentena forçada pela Covid-19. Um ano depois, as escolhas que fazemos seguem dizendo muito a respeito de quem somos, como vivemos e o que desejamos para nós e para o mundo.

Mas, apesar da expectativa de que sairíamos mais simples, mais empáticos e mais solidários da pandemia, tenho a impressão de que aprendemos muito pouco nos últimos 12 meses. Como numa guerra, com mais de 2,5 milhões de baixas, seguimos polarizados. Em que pese o tamanho do caos, ainda tem gente - gente demais - disposta a negar a extrema gravidade da situação, a sair sem máscara ou sem necessidade, a apoiar o inapoiável.

A falta de uma estratégia sólida de combate a um vírus que se fortalece de modo mais sistemático que a cura tem deixado muitas brechas. O que nos é, de fato, essencial? Posso considerar uma loja de bolos mais essencial do que uma igreja? É permitido entender que um bar aberto significa o sustento dos que ali trabalham e suas famílias?

Como não pensar na dificuldade dos fazedores de cultura que deixaram de trabalhar desde que deixamos de frequentar festas, filmes e peças de teatro? É pecado chorar o fato de que espaços onde fomos futilmente felizes não conseguirão resistir e fecharão as portas? Como explicar a um pequeno comerciante à beira da falência que seus boletos precisam esperar as vacinas que chegam, literalmente, a conta-gotas?

Da mesma forma, como não compreender que apenas um remédio amargo será capaz de dar cabo a esta temporada de horrores superlativos? Como não apoiar o fechamento radical de espaços e serviços para o qual fomos empurrados porque os desejos individuais falaram mais alto que o bom senso coletivo?

Pandemias não são apenas sobre uma doença, mas também sobre como lidamos com as ausências, com a solidão e, principalmente, com a escassez. De esperança, de estabilidade, de dinheiro, de vacina para todos. De abraços, de encontros, de convívio e diálogo. De respostas para tantas perguntas. De força para tantas faltas.

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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