A paralisação das atividades, imprescindível ao combate da
pandemia do novo coronavírus, provocou uma crise econômica global. Na área industrial, a recuperação não corresponderá ao retorno do padrão anterior de produção/tecnologia. Haverá uma aceleração da digitalização, automação e busca de novos mercados. A concorrência será destruidora.
Os setores industriais regionais e nacionais terão a sua sobrevivência pautada pela capacidade das empresas e governos de reagir e implementar políticas destinadas à sustentação das indústrias (incentivos imediatos, concessão de crédito, estratégias de mercado), atualização tecnológica e consequente aumento da eficiência produtiva. A demora ou não implementação de uma política industrial corroerá parques industriais pelo mundo e outros absorverão os seus mercados.
A indústria do Espírito Santo tem sua participação na economia capixaba regredindo há quase uma década. O setor correspondia a 43% do PIB em 2011, mas em 2017 a sua participação foi de 22,3%. O contexto atual irá acelerar o processo de crise setorial. No primeiro trimestre de 2020, a
queda na produção foi de 13,2% em comparação ao mesmo período de 2019.
A discussão de uma política industrial já não é uma escolha, mas uma necessidade. A indústria é o setor que gera empregos com altos salários, cria inovações, gera receitas estatais mais elevadas e suas atividades produzem um desenvolvimento encadeado, que envolve outros setores da economia. Logo, o interesse quanto ao seu crescimento deve ser de todos.
A política industrial essencialmente e, principalmente, em um contexto de grave crise, deve ter critérios rigorosos para a definição de mecanismos que auxiliem o setor industrial na busca por alternativas à retomada da produção e expansão dos seus mercados. Os critérios na delineação dos dispositivos/projetos devem ser: (i) factibilidade (lógica econômica/viabilidade); (ii) velocidade na criação de resultados; (iii) compatibilidade com a nova ordem econômica global.
Quanto aos objetivos, estes devem ser: (i) estímulo à atividade industrial no curto prazo; (ii) sustentação financeira do setor no curto prazo; (iii) expansão dos mercados; (iv) aumento da eficiência e inserção realista na era da “indústria 4.0”.
A indústria capixaba precisa de projetos e política industrial factível, cuja viabilidade econômica seja comprovada, sem especulações mirabolantes quanto a obras ilógicas – até mesmo não ligadas ao setor industrial – e benefícios inexistentes para a economia e indústria do Estado.
O começo está na execução de estudo aprofundado, firmado na lógica econômica, para se erigir um plano que contenha uma política industrial em seu cerne, indicando o que precisa ser feito por indústria e governo.